terça-feira, outubro 21, 2008

"Nadar" para sobreviver


Muito interessante.

Merece reflexão.

E acção...



www.childdrowningprevention.com

Vamos erguer o Pavilhão!


Há muito que o Futebol Clube Barreirense necessita de um Pavilhão Desportivo Polivalente.
Há muito que os Barreirenses o desejam.
O sonho − sucessivamente adiado − é agora passível de concretização.
O Barreirense vai erguer o seu Pavilhão!


Em 30 de Setembro de 2008, em Assembleia-Geral Extraordinária do Futebol Clube Barreirense, foi aprovada a constituição de uma COMISSÃO PRÓ-PAVILHÃO DO FUTEBOL CLUBE BARREIRENSE.

Na noite de 7 de Outubro tivémos a primeira reunião oficial.
E ontem voltámos a estar juntos.

As dificuldades serão enormes.
Mas a esperança é imensa.
Nós acreditamos!
Vamos conseguir!
Com os Barreirenses!
Pelo Barreirense!

Na foto, da esquerda para a direita, estão os sete comissários:
Luís Chucha, José Manuel Fernandes, Paulo Calhau, Carlos Pires, José Paulo Rodrigues, Paulo Silvestre e Manuel Lourenço.

Força Barreirense!

segunda-feira, outubro 20, 2008

Assim não vale

João Pereira Coutinho leva-nos todas as semanas ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso, na sua interessantíssima crónica Divinas Comédias, publicada no Expresso.
O seu último texto levou todos os putativos plagiadores ao Purgatório.
Escreveu ele: “Nada tenho contra plágios. Desde que os plágios sejam criativos e, como diria Dryden sobre Jonson, possam construir novos mundos sobre velhos autores. T.S. Elliot, o maior poeta do século XX (opinião pessoal), provavelmente não existiria sem roubos a poetas menores, como o esquecido Madison Cawein”. Para mais adiante acrescentar: “Só os plágios preguiçosos me incomodam: a cópia pura e simples, sem nenhum esforço de criação ou continuidade. É como entrar na casa do autor, roubar-lhe as pratas − e nem sequer deixar uma gorjeta, uma palavra, um obrigado”.
Creio que já todos pensámos nesta pertinente questão. E julgo estar certo quando afirmo que o plágio se terá intensificado com a divulgação de conteúdos da mais diversa natureza através do espaço gigantesco e inesgotável da Net.
É hoje muito fácil fazer copy-paste. M
ostrar serviço dessa forma “preguiçosa” e desonesta. E com ela brilhar − à custa de méritos alheios.
O plágio já foi responsável por trabalhos universitários ao nível pré e pós-graduado.

O plágio já proporcionou a publicação de novelas e romances de presumível originalidade e reconhecida grandiosidade.
O plágio já foi sustentáculo para textos de divulgação científica − em Portugal e por toda a parte.
É motivo para dizer: toda a seriedade é recomendável, toda a honestidade obrigatória.

Memória Barreirense (X)



Primeiros passos

A eleição da nova equipa directiva apenas em finais de Julho revelou-se particularmente inoportuna, pelas dificuldades acrescidas na programação da época desportiva que se iniciaria cerca de um mês depois.
Após um ano de actividade profissional intensa e exigente, era imperioso recarregar baterias e dedicar algum tempo à companhia da família, a quem eu prometera dentro de limites razoáveis, não penalizar excessivamente pela decisão de integrar durante dois anos os Órgãos Sociais do meu clube.
Com uma viagem para a República Dominicana há muito programada, foi com alguma ansiedade e inquietação que, no início de Agosto, parti de férias. Quando havia tanto para fazer no FCB…
Apesar da distância, fui acompanhando diariamente alguns desenvolvimentos da Secção de Basquetebol. Por telemóvel e através da Internet. A leitura de http://www.lcb.pt/
, Fórum da Liga de Clubes de Basquetebol, trouxe uma surpresa inicial bem desagradável, que me despertou imensa desilusão. Porque surgiram as primeiras críticas, insidiosas ou frontais, caluniosas até, à figura de Francisco Cabrita. Eu próprio, que supunha não ter muitos anticorpos internos, fui também alvo de insinuações e agravos, que me magoaram e entristeceram. Parecia afinal que a memória de alguns, demasiado curta e parcial, tinha esquecido, rápida e malevolamente, as dificuldades e ameaças recentes, que tinham espoletado um importante e inesquecível movimento de dinamização do basquetebol Barreirense. Por isso entendi como claramente injustas, prematuras e despropositadas as críticas de que começava a ser alvo. Devo todavia esclarecer, em abono da verdade, que os protagonistas dessas e outras manifestações de desagrado, ciúme e outros afectos com que fui presenteado, se revelaram, ao longo dos dois anos em que exerci funções directivas, manifestamente minoritários no conjunto dos muitos, leais e indefectíveis servidores da Secção de Basquetebol.
De Punta Cana para Lisboa, tentei influenciar um bom amigo para um hipotético patrocínio da instituição bancária de que era funcionário. E em momentos diversos da minha estadia por terras centro-americanas fui reflectindo e projectando algumas acções a implementar na temporada que estava aí à porta.
Duas semanas depois, regressado a Portugal, sabia que as tarefas que me aguardavam seriam imensas, as minhas limitações inevitáveis. Mas tinha uma enorme vontade de servir o FCB – não apenas na vertente do basquetebol – e acreditava nas minhas capacidades e no grupo de trabalho que estávamos construindo. Condições que supunha suficientes para encetar e desenvolver com êxito os compromissos que tinhamos assumido.
A aceitação de um cargo dirigente constituiu um imperativo de consciência. Tive a noção, desde muito cedo, das previsíveis consequências pessoais, familiares e profissionais que essa decisão poderia vir a acarretar. Julguei-me preparado para as enfrentar. À Isabel e ao Ricardo pedi compreensão pelas ausências e outros distanciamentos. À Ana Jorge, Directora do Serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, prometi continuar a cumprir com zelo e competência a minha actividade clínica, mas antecipei um decréscimo de intervenção nas áreas formativa e científica.


Vertigem

Ainda com cerca de três semanas de férias por cumprir, prescindi de qualquer outra actividade de recreio e de lazer, e abracei com paixão e devoção, porventura excessivas, a causa do FCB em geral, e do basquetebol em particular.
Tínhamos uma ideia, uma visão para a Secção de Basquetebol. Era necessário definir as tarefas mais imediatas e iniciar a sua concretização. E planear as estratégias de médio e longo prazo, que abrissem novos horizontes, combatessem inércias (e inépcias) antigas, sustentabilizassem o futuro da modalidade no FCB. Avançando com realismo, nomeadamente pelos crónicos constrangimentos financeiros, mas com muito empenho e confiança.
Num Barreiro quase deserto e com Francisco Cabrita ainda ausente em gozo de férias, passei horas solitárias no segundo andar do Ginásio-Sede, na Secção de Basquetebol. Consultando documentos, lendo regulamentos e organizando ficheiros.
Tudo se acelerou em finais de Agosto. Foram reuniões consecutivas, nem sempre fáceis e pacíficas. Longas maratonas, em horário pós-laboral, com bolachas e água mineral que faziam as vezes de uma refeição digna desse nome, que se ia sucessivamente adiando. Para contratar os treinadores das equipas de formação, os atletas e os membros do corpo clínico. Para endereçar convites a seccionistas e outros futuros colaboradores da Secção. Para tanto mais…
A contratação do treinador principal da equipa sénior – escolha que veio a recair em José Luís Damas – foi demasiado protelada. Num processo complicado, aqui e ali inquinado por experiências passadas, a sua concretização foi indiscutivelmente tardia, responsabilidade cuja quota-parte assumo com frontalidade. A formulação do plantel sénior que iria participar pelo quinto ano consecutivo na Liga Profissional, pecou igualmente por tardia, neste caso com culpas mais repartidas – Direcção e Equipa Técnica.
Paralelamente, uma imensidão de tarefas necessitavam de planeamento e execução, a um ritmo quase sempre frenético, com um nível de exigência que me fragilizou física e psiquicamente, até porque, repito, assumira o compromisso de continuar a cumprir, com rigor e exigência, a minha actividade hospitalar de Pediatra.
A criação de uma revista dedicada à modalidade e de um site oficial do basquetebol foram projectos que definimos como prioritários, e para os quais dediquei precocemente uma particular atenção e um grande esforço. A organização e divulgação dos jogos no Pavilhão Luís de Carvalho, os protocolos com a Câmara Municipal do Barreiro e com outras entidades, o esforço de aquisição de novos e significantes patrocínios da equipa sénior e das equipas de formação (além da preservação dos já estabelecidos anteriormente) foram tarefas particularmente exigentes. A reorganização do departamento clínico e a implementação das inspecções médicas a um número muito elevado de atletas dos escalões de competição, foram algumas outras actividades que me ocuparam e assoberbaram, por vezes quase até à exaustão.
As reuniões da Secção prolongavam-se pela noite fora, com enorme participação e democraticidade, mas com exasperante e por vezes injustificada duração. Não deveria ter sido assim. Mas a verdade é que foi assim.


A Revista

A área de comunicação, pela qual fui o principal responsável, foi entendida como prioritária pela generalidade do colectivo da nova Secção de Basquetebol. Pretendeu-se, de forma mais intensa e objectiva que anteriormente, estender a divulgação das nossas actividades e dos nossos protagonistas a um número alargado de adeptos.
Com a participação de Carlos Pires, José Almeida Fernandes, José Seixo e Manuel Fernandes, caminhámos com segurança e com criatividade para a estruturação da revista Barreirense Basket, em que assumi o cargo de Director. Procurámos cativar a grande massa adepta Barreirense com um produto novo, atractivo e de qualidade. Conseguimos uma carteira significativa de anunciantes. Uma parceria com a Miopia permitiu a gratuitidade da sua composição e impressão. Levámos a Barreirense Basket a todos os clubes da Liga de Clubes de Basquetebol e a muitos outros clubes, organismos e entidades ligadas à modalidade.

“O regresso, em grego, diz-se nostos. Algos significa sofrimento. A nostalgia é portanto o sofrimento causado pelo desejo insatisfeito de regressar.” (Milan Kundera, A Ignorância, Edições ASA, 2001).
A apresentação pública do primeiro número da Barreirense Basket, realizado no Ginásio-Sede, na noite de 24 de Novembro de 2004, marcou o meu regresso às actividades directivas, após uma interrupção de algumas semanas, por doença. Ainda convalescente e debilitado tive um enorme prazer em divulgar a primeira edição, na companhia do Vereador Amílcar Romano, de Manuel Lopes e de Francisco Cabrita, e perante uma larga audiência de companheiros e amigos. Foi uma noite que não esquecerei.
A capa do número inaugural, com uma magnífica fotografia de João Betinho Gomes, destacava os principais temas desenvolvidos no interior: entrevista ao grande atleta, efeméride da vitória da Taça de Portugal de 1983/1984, reportagem da Gala de Apresentação da época 2004/2005 e entrevista com Francisco Barrenho, velha glória do dirigismo Barreirense. No editorial escrevi:

Nasceu a revista Barreirense Basket!
Representa uma nova aposta enquadrada no projecto editorial e comunicacional da Secção de Basquetebol do Barreirense.
Saudamos, neste momento particularmente relevante da nossa actividade, todos os amantes desta extraordinária modalidade, praticada no Barreirense desde 1927.
Em cada edição estarão presentes a notícia, a reportagem, a entrevista, a opinião, o comentário, a efeméride. Acompanharemos todas as actividades desportivas do basquetebol do Barreirense, do minibasket à equipa sénior que participará no X Campeonato da Liga TMN. Estaremos atentos às prestações das nossas Selecções e ao acompanhamento da NBA e das principais ligas europeias. Daremos particular atenção a temas de áreas tão diversas como a arbitragem e as leis do jogo, a medicina desportiva, a nutrição e a psicologia.
Apelamos à participação de todos quantos se sentirem estimulados por este projecto e agradecemos a valiosa colaboração dos nossos leitores, assinantes, patrocinadores e anunciantes, fundamental para a sustentabilidade financeira da revista.
Barreirense Basket assinala a vitalidade do basquetebol Barreirense, evidenciada mais uma vez com invulgar brilho, participação e alegria, na noite de 15 de Setembro, em memorável cerimónia de abertura da época 2004/2005, realizada no mítico Ginásio-Sede do Barreirense e testemunhada por cerca de mil pessoas.
Francisco Barrenho, glória do dirigismo Barreirense, foi justamente distinguido por 35 anos de dedicação ao clube e ao basquetebol, num momento de incontornável emoção e significado. Foram apresentados cerca de 200 atletas (14 internacionais), acompanhados pelas respectivas equipas técnicas, médicas e de seccionistas. Foi o testemunho claro e inequívoco da riqueza de um património humano de invejável qualidade, garante do presente da modalidade e de um futuro que se deseja alicerçado num projecto moderno, ambicioso e competitivo.
A época de 2003/2004 foi espectacular para o basquetebol Barreirense. Obtivemos um excelente 7.º lugar na fase regular da Liga TMN e a consequente participação no playoff de apuramento do título, onde estivemos muito perto de eliminar o Queluz no 5º e decisivo jogo, que perdemos de forma injusta e infeliz no último segundo. Num conjunto muito jovem e valioso de atletas, destacou-se o norte-americano Tyray Pearson, MVP do campeonato. Merece ainda todo o destaque e o nosso mais genuíno orgulho, a conquista dos títulos de Campeão Regional de Cadetes e Juniores A e de Campeão Nacional de Cadetes e Juniores B.
Barreirense Basket deseja que a época competitiva que agora desponta, se desenrole no mais salutar fair play, acompanhada de forma vibrante e entusiástica pelos nossos adeptos e com resultados pelo menos tão relevantes como os alcançados na época anterior.
Força Barreirense!!!

Os cinco números publicados nessa temporada foram um exemplo de sucesso comunicacional e financeiro, confirmando o enorme potencial de crescimento e sustentabilidade de um projecto deste tipo. Um conjunto de dificuldades e incompreensões criou obstáculos à sua publicação na época de 2005/2006, que veio apenas a conhecer uma edição, com novo grafismo, renovação editorial e idêntica aceitação.


O sítio

Outro dos projectos desenvolvidos e concretizados foi a criação do site oficial do basquetebol. Também aqui a colaboração empenhada, inteligente e criativa de José Almeida Fernandes se revestiu de assinalável importância na concepção, formulação e manutenção do site. Carlos Garcia, da empresa Inforsantos, e meu velho amigo, foi o responsável pela área informática.
Em 3 de Fevereiro de 2005, num texto inaugural, pré-anunciando o http://www.fcbarreirense.pt/
, escrevi:

Está prestes a nascer o site oficial do basquetebol do FC Barreirense. A exemplo da revista Barreirense Basket, representa mais uma aposta enquadrada no projecto editorial e comunicacional da Secção de Basquetebol do Barreirense. Depois de alguns meses de concepção, preparação e experimentação, eis chegado o momento de o inaugurar oficialmente. É com muito agrado que registamos o esforço até agora desenvolvido por um conjunto alargado e competente de adeptos do basquetebol Barreirense. É com natural ansiedade e expectativa que aguardamos pela sua aceitação e divulgação.
Tal como a revista, também o nosso site é, e será sempre, uma obra inacabada, imperfeita, sedenta do contributo de todos quantos apreciam e se revêem neste projecto. Poderemos a partir de agora comunicar de forma mais célere, acessível e ampla. Divulgaremos a agenda desportiva da semana e, tão rápido quanto possível, os resultados, comentários e avaliação estatística dos jogos de todas as nossas equipas. Estaremos atentos às notícias do basquetebol praticado em Portugal e no estrangeiro, dedicando particular atenção à NBA. Estimularemos a crítica, o comentário e a opinião. Apelaremos à vossa participação numa sondagem semanal.
Ainda na fase experimental, o nosso site foi, desde o primeiro dia, visitado diariamente dezenas de cibernautas. Estamos certos que, com a sua entrada a todo o vapor, seremos acompanhados por um número crescente de visitantes, ávidos de notícias e informações do basquetebol Barreirense.
Mãos à obra!!!


Este projecto, em boa hora implementado, veio a revelar-se fundamental para a divulgação das nossas actividades e para a mobilização dos adeptos. Com uma média diária de mais de 250 hits, a sua continuidade e renovação atestam a força deste magnífico veículo comunicacional, que importa preservar e melhorar a cada dia.

[Excerto do Capítulo II - Servir

Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

domingo, outubro 19, 2008

Inépcia e...



Portugal não derrotou a Albânia. E comprometeu as aspirações − legítimas − de estar presente na África do Sul, em 2010.
Os adeptos portugueses ficaram tristes. Mas acredito que a tristeza maior ficou com a equipa técnica nacional. E com os atletas que integraram a convocatória.
Li e ouvi que houve displicência dos jogadores. Não me pareceu. Houve, isso sim, muita inépcia. E alguma infelicidade.
Inépcia pelas oportunidades de golo que se desperdiçaram − poucas, mas flagrantes. Inépcia pelas opções técnicas e tácticas de Carlos Queiroz − muito discutíveis e com os resultados que estão à vista.
Infelicidade pela bola que caprichou em não ultrapassar a linha de golo − por um poste malandro, um ressalto caprichoso, um penalty não assinalado.

Portugal não tem hoje uma grande Selecção Nacional. Porque não dispõe de um defesa-lateral esquerdo ofensivo. Porque está carente − à excepção de Deco − de médios criativos talentosos. Porque não dispõe de um avançado-centro goleador. E, sobretudo, porque é um grupo de jogadores com alguma sobranceria em fases críticas do jogo e com pouco sentido colectivo. Carlos Queiroz terá, neste particular, culpas e responsabilidades acrescidas.

Portugal está a pagar − e assim vai continuar a acontecer − um preço, caro e justo, pela invasão de jogadores não-nacionais que chegaram à generalidade das equipas portuguesas.
A liberdade de circulação dos futebolistas tudo permite. Mas as consequências aí estão. Evidentes. Gravosas. Irremediáveis.
Já o disse noutros momentos. E reafirmo hoje, uma vez mais.

A TVI é a actual detentora dos direitos televisivos relativos à transmissão em sinal aberto dos jogos da nossa selecção.
Prestou, uma vez mais, um mau serviço. O relator de serviço na noite de quarta-feira é recorrente na forma inconsistente, contraditória e preconceituosa como analisa (?) o jogo. Deturpa factos e contextos. Privilegia a maledicência. Protege alguns atletas e persegue outros. É prepotente. É injusto. É incompetente.

Carlos Queiroz não prestou declarações à TVI no flash interview. As explicações oficiais não me pareceram convincentes. Mas compreendam o meu desabafo: nessa noite, a estação do Grupo Prisa mereceu isso e… muito mais.
Na conferência de imprensa, o técnico nacional pareceu dar razão ao que aqui já escrevi a propósito das intervenções públicas de muitos treinadores portugueses. Defesa do indefensável, deturpação de factos, explicações inconsistentes. Expressões do género “podíamos estar aqui o resto da noite que não marcaríamos” não são dignas de um alto responsável, experiente e culto.
Querem um exemplo de sinal contrário? Atentem as declarações de Daúto Faquirá − actual treinador do Vitória de Setúbal.

A imprensa desportiva portuguesa não é melhor nem pior que a restante imprensa. O que significa que tem algum défice de qualidade.
A imprensa desportiva portuguesa não é isenta nem independente. É parcial. Alinhada. Serve grupos e lobbies. Não é corajosa. O que significa que não serve os superiores interesses do futebol.
A imprensa desportiva portuguesa é “futeboleira”. Mas nem o futebol defende com propriedade. O que significa que é redutora e incapaz.

O público presente no Estádio Cidade de Braga esteve com a Selecção. Apoiou-a em diversos momentos do jogo. Incentivou-a. Com Ela quis chegar à vitória. Para comemorar. Para celebrar.
O público presente no Estádio Cidade de Braga saiu desiludido. Como a generalidade dos portugueses. Mas foi resistindo − quanto foi capaz − aos assobios e aos impropérios. O relator da TVI bem quis fazer sangue e influenciar a percepção dos tele-espectadores. Mas parece que teve poucos seguidores no palco da Cidade dos Arcebispos.

Não chegar à África do Sul afigura-se agora como mais plausível. O que a concretizar-se – e eu desejo muito que não − constituirá um lamentável revés para a história recente do futebol português.
Com mais sagacidade e melhores escolhas de Carlos Queiroz, com mais colectivismo, com Deco e Cristiano Ronaldo ao seu melhor nível, com mais fortuna e árbitros mais cumpridores das leis do jogo, o “milagre” ainda é possível.
Mas será muito difícil. Improvável − digo eu.

[DESPORTO À PORTUGUESA,
www.rostos.pt]

sábado, outubro 18, 2008

A força de um graffiti

Sublime

Pode uma viagem de 67 minutos conduzir ao paraíso?
Em 1975, no Cologne Opera House, Keith Jarrett improvisou The Köln Concert o album a solo mais vendido de sempre.
Intemporal.
Imortal.

Não sou "miúdo"

É hoje. Pela tardinha.
No "Luís de Carvalho". Às 18 horas.
Regresso desejado.
Regresso merecido.
De Manuel Sicó.
Jovem. Consciente.

Maduro. Competente.
Disciplinado. Exigente.

Uma promessa - quase certeza.
Não lhe chamem "miúdo", please.

Memória Barreirense (IX)



Pensamento que não age ou é aborto ou traição
(Romain Rolland)


21 de Julho de 2004

Foi uma sexta-feira especial. Dia típico de Verão, com sol e muito calor. A jornada de trabalho no Hospital Garcia de Orta decorrera com toda a normalidade. Cerca das dezanove e trinta cheguei ao restaurante Grelhador-Mor onde, na companhia de alguns familiares mais próximos, celebrei o 16º aniversário do meu filho Ricardo. A confraternização foi agradável, mas alguma ansiedade percorreu-me por esses instantes. Pouco depois, iria estar presente na Assembleia-Geral do FCB, destinada à eleição dos Órgãos Sociais para o biénio 2004-2006. E integrava, como Vogal, a única lista que se apresentava a sufrágio. Apagadas as velas, dirigi-me para o Ginásio-Sede. O meu grande amigo Jacinto Nunes, campeão nacional juvenil de basquetebol na temporada de 1970/1971, lá estava, discreto e solidário, como sempre. Setenta e cinco associados marcaram presença no acto eleitoral. Foi com orgulho, alguma emoção e grande sentido de responsabilidade, que reagi à apresentação do resultado da expressão livre dos meus consócios que, com escassos cinco votos nulos, sufragaram por maioria esmagadora a lista assim constituída:

Mesa da Assembleia-Geral
Presidente: Eduardo Arménio Nascimento Cabrita • Vice-Presidente: António Simões Coimbra • 1º Secretário: Pedro Alexandre Chora Estadão • 2º Secretário: Marcelino Vítor Cândido Atafona

Direcção
Presidente: Manuel Marques Lopes • Vice-Presidente: Paulo Jorge Gomes Pardana • Secretário-Geral: Jorge Manuel da Silva Gouveia • Secretário Adjunto: António José Vieira Bravo • Tesoureiro: Alexandre Batista Ramos • Tesoureiro Adjunto: Maria do Rosário Estevam Pina • Vogal: José Paulo Alves Pinheiro Calhau • Vogal: Francisco Manuel Vargas Cabrita • Vogal: Aníbal José Teixeira dos Santos • Suplente: Joaquim dos Santos Moreira • Suplente: António Francisco Soares Cristina • Suplente: José Armando dos Santos da Glória

Conselho Consultivo e de Contas
Presidente: Albino António da Silva Macedo • Secretário: António Vilhena Marreiros • Relator: Mário Fernando da Silva Pereira • Suplente: José Carlos Rodrigues Silva Lourenço • Suplente: António Manuel da Silva Macedo.

Ao ser chamado para assinar o livro de posse, disse ao Carlos Pires, velho amigo de há quase quarenta anos, que se encontrava a meu lado: “Carlos, vais ter de me ajudar muito!”. Ele, que fora um dos maiores inspiradores do meu envolvimento em responsabilidades directivas, respondeu afirmativamente, circunspecto e compenetrado, com um ligeiro aceno da cabeça.
Efectuada uma fotografia da recém-eleita equipa directiva, publicada na edição seguinte do Jornal do Barreiro, recebi abraços e palavras de estímulo de associados, familiares e amigos, que obviamente não me foram indiferentes. E regressei a casa. Consciente das dificuldades e dos desafios que me esperavam. Mas empenhado em responder com competência, seriedade e dedicação. Tinham sido os primeiros momentos como dirigente do clube. Muitas coisas, umas boas, outras nem por isso, iriam acontecer.



Vale a pena recordar

Eduardo Cabrita, Presidente da Assembleia-Geral, marcara para 17 de Maio de 2004 uma reunião magna para discussão e votação do Balanço e Contas de 2003 e eleição dos Órgãos Sociais para o biénio 2004-2006.
De acordo com os Estatutos, o Balanço e Contas referente a 2003 e a previsão orçamental para a temporada 2004/2005 foram expostos para consulta e apreciação dos associados no átrio do Ginásio-Sede, alguns dias antes da Assembleia-Geral. Os mais atentos deram-se então conta por esses dias, de que a rubrica destinada à orçamentação do basquetebol sénior não estava preenchida. Essa omissão, prontamente divulgada entre os mais activos adeptos do basquetebol Barreirense, foi imediata e legitimamente interpretada como a vontade confessa da Direcção em exercício de sentenciar de morte a próxima participação na Liga Profissional de Basquetebol.
Apesar de muitos terem manifestado incómodo, repulsa e mesmo indignação pela proposta da Direcção, o facto é que na fase inicial da referida Assembleia-Geral os associados não se pronunciaram. Decidi pedir a palavra. Ainda que habituado ao longo da minha carreira académica e profissional a intervir publicamente com alguma regularidade, a verdade é que senti a responsabilidade e a delicadeza daquele momento. Com indisfarçável nervosismo, a voz aqui e ali embargada, destaquei o papel de Manuel Lopes à frente dos destinos do clube, desde que assumira a sua presidência em Abril de 1996. Mas discordei dos seus propósitos mais recentes, quanto à vontade de aniquilar o basquetebol de alta competição. Sustentei a minha intervenção no histórico da modalidade no FCB, na pujança do seu projecto a nível dos escalões de formação, na relação das equipas de sub-20 e sub-18 com a equipa sénior, na necessidade de salvaguardar activos valiosíssimos da equipa profissional, com destaque para o atleta João Betinho Gomes.
Senti que as minhas palavras foram ouvidas com atenção mas alguma desconfiança por Manuel Lopes, pelos seus colaboradores mais próximos e por uma pequena parte dos meus consócios. Cheguei a ser alvo de alguma contestação, deselegante e arruaceira, por membros da claque Brigada Relote, mas a intervenção do Presidente da Assembleia-Geral, respeitosa e oportuna, repôs a calma e a normal continuidade dos trabalhos.


Noites de luar

Nas semanas subsequentes um grupo de históricos do basquetebol Barreirense movimentou-se com o objectivo de não permitir a concretização das intenções do Presidente da Direcção. Manuel Fernandes (Director-Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Basquetebol, antigo atleta e treinador), Carlos Pires (Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, antigo atleta, treinador e dirigente) e Francisco Cabrita (Vice-Presidente da Associação Nacional de Treinadores de Basquetebol, ex-atleta, treinador da equipa sénior no período 1993-2003), destacaram-se na vontade férrea de honrar os pergaminhos da modalidade e de lutar pela sua continuidade ao mais alto nível.
Conhecedores da minha inquietação pela situação do basquetebol sénior e pelas ‘nuvens carregadas’ que o ameaçavam, manifestaram interesse na minha colaboração, no sentido de se reflectir, perspectivar e concretizar alguma resposta alternativa, credível e sustentável. Em noites quase consecutivas, participei com esses amigos em passeios descontraídos pela zona ribeirinha da cidade. Estávamos convictos da dimensão das dificuldades emergentes. E séria e verdadeiramente preocupados com a necessidade de definir uma solução.
Carlos Pires dizia que se poderia vir a constituir “a melhor Secção de Basquetebol dos últimos vinte anos”. Francisco Cabrita, noutro estilo, mais retórico e irónico, sonhava com a nossa futura inserção, num prazo de dez anos, na Liga ACB. Embora ilusória, a sugestão não deixava de ter a sua graça e constituía mais um factor de mobilização e ambição. Manuel Fernandes, mais reservado e comedido, mostrava evidente preocupação e igual empenhamento na procura de soluções, apesar da sua impossibilidade de assumir qualquer tipo de protagonismo ou responsabilidade executiva (o mesmo acontecendo em relação a Carlos Pires, pelos cargos que ambos detinham na Federação Portuguesa de Basquetebol).
Eu, que a princípio considerara um erro de casting a minha presença num grupo tão distinto, lá me fui embrenhando nesse processo e passei a ser considerado parte da solução – desafio a que não pude (nem quis) fugir. Tinha a percepção de que depois da intervenção na Assembleia-Geral de 17 de Maio de 2004, contraíra novas responsabilidades entre os Barreirenses.


Repto de Manuel Lopes

Inconclusiva quanto à formação da nova equipa directiva, a Assembleia-Geral de Maio resultara no adiamento das eleições. O que, tendo em consideração a proximidade do Verão, e a necessidade de planear de forma cuidada e atempada a participação do clube na Liga Profissional de Basquetebol, significava um risco acrescido para a manutenção da modalidade no mais elevado patamar competitivo. E parecia ir ao encontro das intenções do Presidente e de outros dirigentes do FCB.
Apesar das movimentações atrás referidas, a verdade é que à data da Assembleia-Geral seguinte, 7 de Julho de 2004, não tinha sido possível dar passos concretos no sentido de se apresentar uma alternativa de Secção, ou mesmo de Direcção – solução mais radical defendida por alguns associados. Incompatibilidades de vária ordem, impeditivas da assumpção de responsabilidades directivas por parte de alguns companheiros, indefinições, legítimos receios e outras limitações, condicionaram a nossa capacidade de resposta.
Manuel Lopes reafirmara a vontade de excluir o FCB da Liga de Clubes de Basquetebol, no pressuposto de uma inviabilidade financeira, a meu ver mal demonstrada e insuficientemente explicada. Na impossibilidade de propor uma alternativa credível, o silêncio de muitos de nós foi difícil de gerir e particularmente doloroso. No final da Assembleia-Geral foi evidente um rasto de desilusão e de frustração em todos aqueles que, amantes da modalidade que alcançou mais troféus na história do clube, se sentiram impotentes para inverter o rumo dos acontecimentos.
Muitos associados tinham já abandonado o Ginásio Jacinto Nicola Covacich quando, junto à porta de saída, Carlos Pires e eu próprio, interpelámos Manuel Lopes, quase suplicando um volte-face das suas propostas e intenções. Foi então que, perante a insistência, fomos desafiados a demonstrar que, para além de boas intenções e de palavras bonitas, havia capacidade de impor outro rumo.


A força de um impulso

O repto de Manuel Lopes estava lançado. E a nossa resposta não se fez esperar. Num assomo de coerência e determinação, dissemos presente e ousámos avançar, numa cruzada que sabíamos difícil e espinhosa.
Tivemos desde logo plena consciência de que o sucesso da nossa obra apenas seria alcançável com um projecto abrangente e a mobilização de um número alargado de Barreirenses. Nesse sentido, propusemo-nos divulgar a nossa disponibilidade para preservar a identidade e a pujança do basquetebol, e preparámos em escassos dias a realização de uma reunião de adeptos da modalidade, que se realizou a 14 de Julho de 2004 no Ginásio Jacinto Nicola Covacich. A ‘Reunião dos 80’, que dirigi juntamente com Carlos Pires, Francisco Cabrita, José Almeida Fernandes e Manuel Fernandes, teve a participação activa e solidária de cerca de oito dezenas de adeptos. Foi uma noite decisiva para o futuro do basquetebol no clube. Com apelos à sobrevivência da modalidade, testemunhos de encorajamento, disponibilização de contributos e colaborações. Percebemos que todos compreenderam a gravidade da situação e concluímos que não estaríamos isolados nos nossos propósitos de dar a cara por um projecto viável, claro, participado e ambicioso.
Na sequência dessa reunião, um grupo de onze elementos reuniu-se nas instalações da Secção de Basquetebol, para definir os três associados que integrariam a ‘chapa’ directiva a apresentar por Manuel Lopes na Assembleia-Geral Eleitoral de 21 de Julho de 2004. Constituíram esse grupo: António Libório, Carlos Pires, César Seabra, Francisco Cabrita, José Almeida Fernandes, José António, José Henrique Pina, José Manuel Rodrigues, José Seixo, Luís Chucha, Manuel Fernandes e Paulo Calhau.
Convidado a integrar a Direcção do FCB, fiz depender a minha disponibilidade da aceitação concomitante de Francisco Cabrita que, após 24 horas de reflexão, respondeu afirmativamente. Maria do Rosário Pina veio a completar a lista de três elementos, aceite por Manuel Lopes sem reservas explícitas.
Paralelamente, com a valiosa participação jurídica de José Almeida Fernandes e a colaboração de Carlos Pires e de Manuel Fernandes, eu e Francisco Cabrita assinámos um Protocolo com o Presidente Manuel Lopes. Protocolo que consagrava uma autonomia – administrativa, financeira e desportiva – que a futura Secção de Basquetebol entendia como condição indispensável para o estabelecimento de uma plataforma de entendimento com Manuel Lopes.

[Extracto do Capítulo II - Servir
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Poeta, sabiam?


.
O Milagre da Vida

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...

Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein
.

Bem vindos!

Não me lembro do resultado.
Mas sei que perdemos.
Nessa tarde de sábado o Barreirense recebeu o Illiabum no Ginásio-Sede.
No balcão, perto de mim um pequena mas ruidosa e disciplinada claque do clube de Ílhavo apoiava a sua valorosa equipa, onde se incluía, se não estou equivocado no tempo, o magnífico norte-americano Rubin Cotton.
A meu lado, um dos irmãos Labrincha (lembras-te Zé?) exultava com o desempenho da equipa da sua terra. Perguntei-lhe se os seus conterrâneos eram sempre tão entusiásticos. O amigo Labrincha respondeu-me prontamente, com um brilho nos olhos que ainda joje recordo: "Os de Ílhavo são assim!"
Amanhã o meu Barreirense recebe pelas 18 horas o Illiabum no Pavilhão Luís de Carvalho.
Espero reencontrar um par de senhoras já veteranas nestas lides e que "vão a todas" com o seu clube do coração. E alguns outros apoiantes da equipa visitante. A todos vamos certamente receber bem.
Mas conto, desta feita, cantar vitória.
Força Barreirense!

quinta-feira, outubro 16, 2008

A noite da desilusão

Souto Moura, Braga e os Portugueses tudo merecem.
Foi grande a desilusão final.
E as contas ficaram mais complicadas.
Domingo - no Rostos e aqui - voltarei ao Portugal-Albânia.

Indisfarçadamente só


A um ano de eleições - europeias, legislativas e autárquicas - assisto a um distanciamento mal disfarçado de alguns dos "barões" do PPD/PSD em relação à leader que sucedeu a Luís Filipe Menezes.
As suas declarações na imprensa - escrita e audiovisual - revelam desilusão, mal-estar, inquietude.
O PSD é um partido de poder. Sôfrego pelo poder. Irmão gémeo do PS - nesse particular.
Não é óbvio nem seguro que a crise internacional agora revelada venha a favorecer os desígnios eleitorais dos "social-democratas". Como algumas análises mais apressadas poderiam sugerir. O que fará acentuar a impaciência e o medo da derrota.

Memória Barreirense (VIII)



Reflexão e participação

Foi nos últimos anos que tive uma participação pública mais activa em defesa dos interesses do FCB. Sem vontade de protagonismos individuais. Mas também sem falsa modéstia, que é por vezes, como alguém já definiu, uma forma superior de vaidade.
A experiência directiva de 2004-2006, a intervenção mais frequente nas Assembleias-Gerais, a publicação de textos de opinião no Jornal do Barreiro e em Rostos, são exemplos da minha disponibilidade para participar na reflexão e na busca de soluções para um conjunto questões que me preocupam. Para as quais julgo importante a participação de todos, em particular dos que representam a massa crítica mais destacada do universo associativo Barreirense.
O basquetebol dito profissional vive mergulhado numa crise claríssima, que alguns pretendem negligenciar e escamotear. A disputa em 2006 no interior da Liga de Clubes de Basquetebol, prosseguida e agravada em 2007 com o abandono do Benfica e do Queluz e com a expansão da conflitualidade às relações da Liga com a Federação Portuguesa de Basquetebol, são exemplos da necessidade imperiosa de reflectir sobre o desporto em geral e o basquetebol em particular.
Reflexão que se deseja consistente, frontal e séria, mas que por vezes tem de ser dura, sem parcimónia e sem tibiezas. Como fiz no Verão de 2006, no Fórum BasketPT:

Vitórias morais
A derrota da proposta apresentada pelo Barreirense há cerca de 24 horas na reunião da LCB [onde se preconizou a redução do número de atletas estrangeiros por equipa] não foi surpreendente para todos aqueles que acompanham a modalidade com alguma proximidade.
A redução do número de atletas não-nacionais permitidos em cada uma das dez equipas que vão participar na edição da Liga TMN 2006/2007 era, à partida, uma bonita ilusão, e como tal, de fracasso (pré)anunciado. Bloqueios, obstáculos e omissões de índole diversa, e com fundamentos e objectivos mais ou menos transparentes, foram sucessivamente retardando e inviabilizando a discussão e a sufragação da proposta do Barreirense, que de resto nem chegou a ir a votos na supracitada reunião de ontem na bonita e simpática cidade do Liz.
Mentira, Hipocrisia e Irresponsabilidade perpassam neste momento, e de forma muito evidente, pela LCB, incapaz de compreender e assumir a realidade, de a enfrentar com realismo e coragem, de empreender a reforma do basquetebol dito profissional em Portugal. Fechada em torno de interesses e cumplicidades de maior ou menor nitidez, mas de total inaceitabilidade, a LCB parece caminhar, se o status quo prevalecer e se perpetuar, para o definhamento e agonia. Sem apostarem de forma estruturada e substantiva na fundamental Área da Formação, a maior parte dos clubes que ano após ano vêm integrando o quadro competitivo da LCB, recorrem obviamente de forma totalmente facilitista e imediatista, à importação de atletas estrangeiros para formatação dos ‘cinco iniciais’.
Esta é, também, a realidade da maior parte dos países da nossa dimensão basquetebolística (Bélgica, Inglaterra, Áustria, etc.) onde as suas competições profissionais também se alimentam de imensos atletas estrangeiros, fundamentalmente oriundos dos EUA. Daí vem resultando, de forma muito clara, e com claras e nefastas consequências, uma redução da participação dos atletas nacionais e uma maior dificuldade de afirmação de novos talentos. Paralelamente, e restringindo-me ao caso português, em que isso é por demais óbvio, a nível da Selecção Nacional sénior e da Selecção Nacional sub-20, os constrangimentos à sua qualidade e enriquecimento são avassaladores.
Parece assim poder concluir-se pela incompatibilidade evidente, nos moldes actuais, entre os interesses do basquetebol nacional e os interesses da maior parte dos clubes que integram a LCB, cujas estratégias de curto prazo e busca de êxito fácil parecem sobrepor-se aos supremos interesses da modalidade. O Barreirense tem plena consciência desta realidade e contradição, mas manter-se-á fiel a uma avaliação diferente da que neste momento prevalece na LCB. Como principal Clube Formador (clube português com maior número de praticantes de minibasket masculino, dez atletas nas Selecções Nacionais de sub-16, sub-18 e sub-20, Campeão Nacional 2005/2006 de sub-14, sub-18 e sub-20 e Vice-Campeão Nacional de sub-16) o Barreirense prosseguirá a sua Obra. Continuará a formar sucessivas gerações de basquetebolistas e a propiciar aos mais competentes um lugar na sua equipa sénior, e onde a contribuição de um número restrito de atletas não-nacionais deverá adicionar envergadura e experiência, para uma maior competitividade, factor decisivo para o crescimento e desenvolvimento dos nossos jovens praticantes.
Não há vitórias morais?
Essa agora...


Ficção

Tive uma participação efémera no Fórum BasketPT, fórum que ganhou maior expressão, dinamismo e participação após a extinção do Fórum LCB, ocorrida em 2006. Procurei ter uma postura responsável, mesmo que a coberto de um nickname protector.
A propósito da necessária e, em minha opinião, inevitável redução do número de atletas estrangeiros permitidos na competição profissional, lembrei-me de, por uma vez, entrar por caminhos da ficção e do humor, que apenas episodicamente utilizo na expressão escrita das minhas ideias e convicções. Recordo com satisfação, a peça que aí escrevi em 6 de Abril de 2007, onde ironizei acerca de um (falso) volte-face da política desportiva da Secção de Basquetebol do FCB:

Quis um oportuno e feliz acaso que duas ocorrências, recentíssimas, tenham bafejado a Secção de Basquetebol do Barreirense. Com efeito, soubemos de fonte acima de qualquer suspeita, que uma empresa portuguesa ligada à área das novas tecnologias de informação e lazer, em processo de afirmação nacional e em vias de se internacionalizar, resolveu investir no Barreirense Basket, procurando uma adequada sinergia com o projecto “jovem, dinâmico e ambicioso” que vem caracterizando o nosso histórico Clube. Por outro lado, um indefectível adepto Barreirense, há pouco contemplado com um primeiro prémio de um dos jogos de fortuna da Santa Casa, resolveu atribuir uma pequena percentagem do referido prémio (mas para nós muito significativa) à Secção de Basquetebol do Barreirense.
Segundo fomos informados, em reunião da Junta de Salvação Nacional (JSN) expressamente convocada para o efeito, foi amplamente debatida a nova conjuntura financeira da Secção, tendo sido decidido, por unanimidade e em ambiente de grande fervor clubista, reposicionar a sua estratégia desportiva, no sentido de, pela primeira vez, no histórico da sua participação na prova maior da LCB, apostar de forma clara e inequívoca no apetrechamento humano da equipa profissional. Assim, e repete-se, sem qualquer voto contra, foi decidido anular a contratação dos dois atletas norte-americanos recentemente concretizada e, avançar para um sério e criterioso reforço da equipa, com a aquisição de cinco atletas do país do Tio Sam, com créditos firmados e alguma experiência de Ligas Europeias.
Um dos elementos da JSN, mostrou-se inicialmente renitente na aceitação deste volte-face estratégico da Secção, tendo chamado a atenção para o facto de talvez ser mais prioritária, entre outras, a aquisição de um piso para o recinto do Ginásio-Sede e o reapetrechamento do seu Departamento Médico, nomeadamente pela compra de um moderno ressuscitador. Todavia, os restantes elementos da JSN, foram extremamente inteligentes e persuasivos, no sentido de convencer aquele elemento ‘juntista’ de que estavam finalmente criadas todas as condições para o Barreirense poder, finalmente (!), lutar pelo título nacional da Liga TMN, que este ano, se apresenta mais forte e competitiva que em anos transactos.
Desta forma, todos os elementos da JSN vão poder concentrar todas as suas energias na área desportiva da Secção, sendo a partir de agora despiciendos todos os esforços no sentido de angariação de receitas provenientes de dinâmicas diversas (revista Barreirense Basket, site oficial do Barreirense Basket, sorteios, espectáculos, lugares cativos, donativos individuais, pequenas parcerias, etc.) e que terão sido vitais para a sustentabilidade financeira da Secção, nomeadamente desde o processo de autonomização (administrativa, financeira e desportiva) encetada há dois anos.
É da mais elementar justiça, reafirmar que a Secção vai continuar a apoiar a sua Formação, canalizando (como nos últimos dois anos) a totalidade dos recursos provenientes da celebração do Contrato-Programa com a Câmara Municipal do Barreiro, para esse fulcral sector de actividade do Barreirense Basket.
A delegação do Barreirense que vai participar na próxima sexta-feira na reunião geral dos Clubes da LPB, foi instruída e mandatada para, de forma clara, corajosa e despojada de preconceitos, apresentar esta nova realidade do Barreirense perante os seus pares, solicitando a revogação das propostas que vinha apresentando no órgão máximo da Liga no sentido de reformar o panorama do basquetebol português e de cujo conteúdo foi dado amplo destaque por toda a comunicação social.
A confirmar-se a implementação desta nova situação, que nas últimas vinte e quatro horas foi tema de destaque, felicidade e regozijo por toda a tertúlia basquetebolística do Barreiro, importa que os ‘foristas’ Barreirenses (alguns dos quais integram, ao que julgamos saber, a JSN) que vêm pugnando por uma concepção outra da modalidade em Portugal e, por essa via, têm sido incompreendidos e maltratados por adeptos de outros clubes, dêem um sinal inequívoco de arrependimento e mea culpa.
Viva o Barreirense!

[Fim do Capítulo I - Nascer e Crescer

Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

quarta-feira, outubro 15, 2008

Não, obrigado

Não aprecio o anonimato.
Não gosto de nicknames.
Aprecio aqueles que olham nos olhos.
Gosto dos que falam de frente.
Aprecio aqueles que se assumem.
Gosto dos que são frontais.
É mais bonito!
É mais sério!

Não, não é!

Melissa [nome fictício] tem actualmente cinco anos.
Padece de uma doença renal complexa.
O agregado familiar é pobre.

A mãe - analfabeta - foi forçada, ainda pequenita, a abandonar a escola. Para cuidar dos irmãos que foram nascendo.

Apesar das dificuldades (económicas, sociais e de instrução) tem sido uma mãe exemplar - na dedicação, no cumprimento de consultas, exames e terapêuticas, na confiança depositada na equipa de saúde.
Os internamentos seriados e as cirurgias recorrentes não abalam a sua determinação, a sua garra, a sua esperança.
O que falta em capacidade de compreensão da dimensão e especificidade de alguns dos problemas sobra em competência materna. Maravilhoso!

Mas hoje percebi que a situação da Melissa se agravou. A insuficiência renal está galopante. O futuro não sorri como ela merecia. Como vou explicar isso amanhã?
Não! O dinheiro não é o mais importante!

A voar, a voar...

O Governo vai atribuir mais uns "tostões" aos funcionários públicos. Acima da inflacção prevista - diz Ele.
Olhando para o umbigo, melhor seria aceder ao escalão a que tenho direito e à progressão na carreira que venho porfiando.

terça-feira, outubro 14, 2008

Insustentável

A notícia abalou-me.
Kundera colaboracionista?
Em que acreditar?
Em quem acreditar?
Apetece renomear este blogue.
Um pesadelo.

Irresponsáveis à solta


A notícia não me surpreendeu em absoluto. Mas inquietou-me. Uma vez mais.
O jornal A BOLA publicou nas páginas interiores da sua edição de domingo último, um texto em que voltou à carga sobre a gravíssima crise financeira do Boavista Futebol Clube ­- agremiação desportiva centenária -­ e a sua S.A.D. para o futebol.
A ruinosa e ao que parece pouco transparente gestão financeira da família Loureiro, se por um lado alcandorou o Boavista a um patamar elevado do futebol português ­ culminada na obtenção do título nacional máximo na época 2000/2001 conduziu por outro à situação actual de penúria e (quase?) bancarrota.
A política desregrada de contratações e os encargos decorrentes da construção do novo Estádio do Bessa ter-se-ão constituído como os principais factores precipitantes da declaração pública de um crise de há muito prenunciada.
O Boavista foi, claramente, um clube em que o passo foi enorme para a dimensão da perna. Que está hoje mergulhado num mar de dívidas e numa imensidão de compromissos não saldados. O que lhe retira credibilidade e, quiçá, futuro.
Esta não é, como todos sabemos, uma realidade exclusiva do clube nortenho. Mas antes, e infelizmente, um exemplo entre muitos outros. Que já conduziu a valentes trambolhões. E que poderá resultar em muitos mais.
Existe neste momento um grupo alargado de clubes desportivos com a corda ao pescoço. Situação que o actual contexto financeiro ­ nacional e internacional ­ não parece ajudar em nada. Até porque a dimensão da crise se julga brutal, e a desejável recuperação de horizonte temporal incerto.
O que é “estranho” no artigo de A BOLA não é a referência à crise do Boavista, mas a forma como os actuais administradores da Boavista Futebol S.A.D. disponibilizaram 1.500 euros à claque Panteras Negras, para a apoio da equipa sénior em duas deslocações ao Algarve ­ Olhão e Portimão. O que acontece num momento de grande dramatismo para vários funcionários do clube, que têm vários meses de salários por vencer e outras remunerações por receber. Trabalhadores que vivem o presente com extremas dificuldades, beneficiando de apoios caridosos de familiares e amigos. E que denunciaram esta e outras incongruências e afrontas sob a capa de um inevitável anonimato.
Escandaloso ­- pensarão uns. Imoral -­ dirão outros. Todos têm razão.
É, de facto, escandaloso e imoral. E elucidativo da falta de qualificação de muitos dirigentes desportivos, mais interessados na sua auto-promoção individual e ­ suspeita-se ­ na obtenção de vantagens materiais de proveniência mais ou menos nebulosa. Parecem um bando de loucos e de irresponsáveis. À solta. Até quando?
[DESPORTO À PORTUGUESA, www.rostos.pt]

Memória Barreirense (VII)



Na bancada

Há quem assista aos espectáculos desportivos de forma tranquila, com grande contenção, sem paixão. Não sou assim. Nunca fui assim. Bem pelo contrário! Sempre vibrante nos palcos desportivos. No apoio à minha equipa. E, por vezes, no assobio e na vaia do adversário. Confesso que me excedi algumas vezes. E dirigi insultos e impropérios a atletas, treinadores e dirigentes de equipas adversárias. Mas sobretudo contra árbitros que, sobejas vezes, me pareceram tendenciosos e injustos.
Em Dezembro de 2001, presenciei dois jogos da Liga ACB [Liga Profissional de Espanha, considerada unanimemente a mais competitiva da Europa]: Cáceres-Estudiantes de Madrid e Caja San Fernando-Tau Vitoria. Assisti a grandes jogos, da mais forte liga europeia de basquetebol, em pavilhões de grande qualidade, com assistências enormes: 3.000 espectadores em Cáceres e 7.100 em Sevilha. O público manifestou-se extraordinário no apoio às suas cores, mas muito frenético e invulgarmente pressionante em relação às equipas de arbitragem. “Hijo de p…”, e algumas outras, foram expressões que ouvi repetidamente dirigidas aos ‘sopradores’. Sangue latino, pensei…
Em Agosto último estive em França, onde assisti ao Torneio de Paris de Basquetebol, com a participação da Selecções de Portugal, França, Rússia e República Checa. No Pavilhão Pierre de Coubertin, encontrei um público gaulês conhecedor da modalidade, muito apaixonado pela sua Selecção, mas disciplinado e com invulgar desportivismo. As fantasias das suas estrelas nacionais, Tony Parker, Boris Diaw e outras, mereceram um fervoroso aplauso, mas o reconhecimento do talento adversário foi também expresso amiúde para a arte de Andrey Kirilenko, Jiri Welsh e outros intérpretes do espectáculo.
Um ano antes, assistira em Madrid a um torneio preparatório do Campeonato do Mundo que se realizou no Japão e que culminou na vitória da Espanha. Perante 11.000 espectadores, vi Selecções da maior qualidade: Espanha, Argentina, Lituânia e Polónia. E atletas de eleição: Pau Gasol, Manu Ginobili e tantos outros. Mas a atitude dos espectadores espanhóis foi diferente dos gauleses: mais quente para os seus seleccionados, mais fria para com os adversários.
A passagem pelo dirigismo desportivo obrigou-me a outra contenção, a outra postura. Para transmitir um bom exemplo aos diversos grupos de trabalho. E para que o clube jamais fosse penalizado por qualquer atitude mais indisciplinada ou irreflectida. Regressado ao estatuto anterior de ‘desportista de bancada’, voltei a sentir-me mais liberto de constrangimentos verbais, que agora, embora de forma mais comedida, continuo a soltar, de quando em vez.

O vilão

O fenómeno da corrupção desportiva existe há muito tempo. Em Portugal e por toda a parte. Antigo e globalizado, ele representa uma perversidade ignóbil. Distorce a verdade desportiva. Persegue e mina grande número de modalidades, com o futebol à cabeça. Envolve vultuosos interesses financeiros, empresariais e políticos. Ocorre maioritariamente nos contextos competitivos mais altos, mas não lhes é exclusivo.
A teia de interesses e cumplicidades instalada terá provavelmente atingido em Portugal uma dimensão tal que apenas alguns conhecerão na sua plenitude. Mas muitos calam, e pelo silêncio, comprometem o necessário desmascaramento da corrupção e a adequada punição dos seus responsáveis e promotores.
O combate à corrupção é um processo difícil. Mas imprescindível. É preciso muita coragem e determinação para enfrentar o Polvo. Uns, como Rui Santos (Estádio de Choque, A Esfera dos Livros, 2007) ficam-se pelo disparo de alguma pólvora seca. Marinho Neves, mais corajoso e consequente, lançou algumas pedradas, certeiras e violentas, no charco em que se movimenta boa parte do desporto em Portugal, nomeadamente o futebol. A leitura de Golpe de Estádio (Terramar, 3ª edição, 2007) foi uma agradável surpresa, que partilhei com os leitores de Rostos, em 7 de Fevereiro de 2007:

Dez anos depois
Abril de 1996: a editora Terramar dá à estampa a primeira edição de Golpe de Estádio, autoria do jornalista Marinho Neves. Não recordo com a devida nitidez o impacto que a obra teve à época, mas é do domínio público que o jornalista pagou, de forma diversa, a coragem da investigação então publicada.
Janeiro de 2007: agora que o país volta a acreditar no desenrolar eficaz e consequente do processo Apito Dourado [provável julgamento e eventual condenação dos mais destacados obreiros da corrupção desportiva no futebol português] surge mais uma edição, com um texto que reproduz na íntegra a publicação inaugural. A esse propósito, Marinho Neves, explica na página inaugural, e em jeito de explicação, que “se escrevesse este livro em 2006 e não em 1996, creio que não mudaria uma vírgula, porque tudo está exactamente na mesma”.
O que está então imutável no futebol português?
A fazer fé na investigação do autor, coisa grande e muito séria. A corrupção activa e passiva de árbitros, por valores monetários que me surpreenderam pela sua grandeza. A manipulação de resultados, decisiva para a obtenção de títulos, fugas à despromoção/subidas de escalão. A chantagem, envolvendo os mais diversos agentes da modalidade. O tráfico de influências, na arbitragem, no dirigismo associativo e federativo, nos jornais. A lavagem de dinheiro, pelo mundo da droga, do jogo, da prostituição e do tráfico de mulheres.
A ‘organização’ que Marinho Neves pretende desmascarar tem cor e tem rostos. Tem estratégia, cumplicidades, dependências. E, já agora, resultados.
Na contracapa pode ler-se que “é certo que neste livro, tudo é ficção... mas ao mesmo tempo, tudo é verdade”. João Seminário, Tony Balboa, Zé Chapeiro, Albano Pinto, Carlos Fortes, José Vigário, Quim Pereira e alguns outros, são personagens que nos sugerem e recordam, com extrema facilidade e invulgar nitidez, alguns dos protagonistas mais tenebrosos do mundo bafiento e mafioso do nosso futebol.
Golpe de Estádio lê-se de um só fôlego. Não é um exemplo de escrita talentosa. Mas é um contributo sério e indispensável. Para a limpeza das ervas daninhas. Para a erradicação dos corruptos. Para a reposição da verdade desportiva. Para a dignificação do Futebol.
Obrigado, Marinho Neves!
Coragem, Maria José Morgado!

Em 1 de Novembro último, assisti no cinema Londres – onde em 1971 presenciara o sublime Laranja Mecânica de Stanley Kubric – à estreia de Corrupção, baseado no livro Eu, Carolina da ex-companheira de Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do FC Porto.
Não lera o livro, embora já conhecesse os seus contornos, uma vez que muitas das suas mensagens principais haviam sido, à data do seu lançamento, amplamente divulgadas pela generalidade da imprensa. E constatei enorme similitude com muitas das alusões efectuadas, mais de dez anos antes, por Marinho Neves. A mesma trama de interesses, idênticos protagonistas. Curioso…

[Extracto do Capítulo I - Nascer e Crescer
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)