terça-feira, março 31, 2009

A surpresa


















March 21st-27th 2009.
Página 26.
A surpresa...
Anúncio de 1/4 página.
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UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
APPLICATIONS FOR THE RECTOR POSITION

...

Professors and researchers from any higher education and/or research institution, with a minimum rank of Full professor or equivalent and five years experience, can apply for this position.

...

Email:
candidatura.reitor@unl.pt / Telephone: +351 213 715 658

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Curioso...

PS: ainda está a tempo.
O prazo de candidatura expira a 15 de Abril.
a

O que é National é bom



THE NATIONAL - FAKE EMPIRE

segunda-feira, março 30, 2009

Boa Poesia. Má Política


a
Em Setembro de 2008, no texto ESTAÇÂO DA LIBERDADE que então publiquei no ROSTOS
referi-me ao magnífico livro de José Eduardo Agualusa - ESTAÇÃO DAS CHUVAS - que acabara de ler.
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Escrevi então que “ESTAÇÃO DAS CHUVAS é um texto doce e terno, mas também violento e brutal; radioso e optimista, mas também implacável e pessimista. Um retrato riquíssimo das relações humanas – as sérias e fraternas, as espúrias e traiçoeiras, as intolerantes e odiosas”.
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A figura de Viriato da Cruz surgira envolta em algum encanto e mistério, que me alertou e seduziu.
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Na última edição da revista LER, José Eduardo Agualusa ocupa “O lugar do Morto” [entenda-se Viriato da Cruz] e oferece-nos um interessante exercício "ficcional".
a
Em “Viriato da Cruz e o poder da poesia” pode ler-se:

"Se não estivesse morto (morri em Pequim a 13 de Junho de 1973) festejaria no próximo dia 25 de Março 81 anos. Há quem ache que Angola poderia ser hoje um país muito diferente se eu não tivesse morrido tão jovem, mesmo às portas da Revolução de Abril em Portugal, e das grandes mudanças que a mesma implicou para o meu país. Sinto-me lisonjeado com tais opiniões, mas acho-as exageradas.
(…) Não me parece provável que em 1974 tivesse conseguido unir os diferentes movimentos nacionalistas angolanos. Não eu, um dos primeiros militantes do MPLA que se atreveu a contestar a liderança de Agostinho Neto e ousou romper com o partido (…)
Resumindo: vivo não teria ajudado a evitar nem a guerra civil, nem o desastrado pesadelo totalitário que em poucos anos, sob o olhar perplexo do camarada Neto, arruinou Angola (…)
A poesia deveria servir, no nosso entender, para preparar o terreno para a insurreição nacionalista (…) Acontece que, infelizmente os poemas que então produzimos estavam longe da excelência. Faltou-nos labor literário. Talvez com boa poesia pudéssemos ter obtido melhores resultados na política. Não deixei de acreditar no poder da poesia. Nem sequer na necessidade de levar a poesia ao poder (…)
Não sei quanto tempo vai levar (o que no estado em que me encontro é indiferente) mas sei que mais tarde ou mais cedo a boa poesia acabará por se impor e triunfar."
a
a
Poema de Viriato da Cruz
a
Serão de Menino
a
Na noite morna, escura de breu,
enquanto na vasta sanzala do céu,
de volta das estrelas, quais fogaréus,
os anjos escutam parábolas de santos...

na noite de breu,
ao quente da voz
de suas avós,
meninos se encantam
de contos bantos...

"Era uma vez uma corça
dona de cabra sem macho...
..........................................
... Matreiro, o cágado lento
tuc... tuc... foi entrando
para o conselho animal...
("- Não tarde que ele chegou!")
Abriu a boca e falou -
deu a sentença final:
"- Não tenham medo da força!
Se o leão o alheio retém
- luta ao Mal! Vitória ao Bem!
tire-se ao leão - dê-se à corça."

Mas quando lá fora
o vento irado nas frestas chora
e ramos xuxualha de altas mulembas
e portas bambas batem em massembas
os meninos se apertam de olhos abertos:

- Eué
- É casumbi...

E a gente grande -
bem perto dali
feijão descascando para o quitende -
a gente grande com gosto ri...

Com gosto ri, porque ela diz
que o casumbi males só faz
a quem não tem amor, aos mais
seres busca, em negra noite,
essa outra voz de casumbi
essa outra voz - Felicidade...
a
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domingo, março 29, 2009

Gran(de) Torino


a
Está lá tudo:
a
Vida e morte.
Racismo.
Orgulho e Tradição.
Teimosia.
Religião e Fé.
Família.
Amizade.
Amor e Ódio.
Honra.
Coragem.
a
Grande filme.
Grande Clint.
a

sexta-feira, março 27, 2009

F. C. Barreirense 1927



Equipa do Futebol Clube Barreirense.
Corria o ano de 1927.
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(foto extraída de www.futpt.blogspot.com)
a

O Sol e a Sombra



Não passou pelos calabouços da PIDE.
Nem terá sido perseguido por essa “coisa” detestável.
Talvez “apenas” vigiado.

Mas aprendeu a lutar cedo pela Democracia.
A dar-lhe todo o valor. A dignificá-la.
Na vida política e empresarial.

Fundou o Expresso em 1973.
Um semanário de referência. Ontem como hoje.
Um paradigma de qualidade e independência.

É hoje um investidor importante na Impresa.
Um destacado grupo de comunicação social.
Detentor de participações em numerosos títulos.

O Expresso patrocina o Prémio Pessoa.
Prestigiado. Respeitado.
Com um júri de eleição.

Não creio que ele alguma vez se lembrasse.
De?
Ser candidato em ca(u)sa própria.

Não seria o Homem que é.
Distinto. Inteligente.
Francisco Pinto Balsemão.

a

Colheita de 2008

.
Encomendado há 2 meses. Na FNAC.
Finalmente. A chegada. Hoje.
David Byrne & Brian Eno. Grande dupla.
"Everything that happens will happen today". Grande disco.

Que me vai acontecer ainda hoje? Não sei.
Para já uma audição. E a partilha de três pérolas. Convosco.
Espero que gostem...


Strange Overtones


Everything That Happens


Home

quinta-feira, março 26, 2009

Por dentro e por fora


.
É a casa-mãe da Democracia.
Plural e representativa. Desde a Revolução de Abril.

Agora renovada.
Pintada. Informatizada. À prova de fogo e de bala.

Já atingiu a idade adulta.
Mas nem sempre se comporta como tal.
a
Quere-se respeitada.
Mas não se faz respeitar.

Tem poderes alargados.
Mas exerce-os contraditoriamente.

Tem deputados a mais.
Fazia-se o mesmo com menos oitenta.

Que deveriam ser mais independentes.
Mais qualificados. Melhor remunerados.


O restyling do Parlamento era uma necessidade.
A sua reforma é uma prioridade. Uma inevitabilidade.
a

quarta-feira, março 25, 2009

OK (computer)



RADIOHEAD - Karma Police

Estou disponível


a
A notícia chegou-me ontem.
Problemas disciplinares no Barreirense Basket.
Entre um dirigente e um atleta.
a
Um atleta com história.
Um atleta com rosto.
Um atleta com nome: António Pires.
a
Conheço alguns pormenores do litígio.
Não conheço todos.
Certamente.
a
Li hoje palavras desagradáveis, infelizes e despropositadas.
Num fórum de discussão da modalidade.
Serão justas para o António Pires?
Serão prestigiantes para o seu autor?
Serão dignificantes para o Barreirense?
Não creio!
a
Por isso… sugiro:

- Respeito
- Bom senso
- Elevação
- Diálogo
- Moderação.
a
Estou disponível para ajudar.
Se vier a ser útil e necessário.
E se tal me for solicitado.
aa

terça-feira, março 24, 2009

IN... IN... IN...


a
Marcelo Rebelo de Sousa, na última participação dominical na RTP1, usou a expressão INGOVERNABILIDADE, como que antecipando um risco muito óbvio, de horizonte não muito distante - o período pós-legislativas de Outubro.
a
Mário Soares, no Diário de Notícias de hoje, escreveu que a INCOMUNICABILIDADE entre os principais partidos políticos portugueses - leia-se PS e PSD - dificulta e ameaça a solução dos problemas nacionais.
Referia-se, em concreto, ao impasse na eleição, no Parlamento da República, do sucessor de Nascimento Rodrigues na Provedoria da Justiça.
a
A mim, simples cidadão deste nosso Portugal periférico, desigual e dependente, apetece-me acrescentar outro termo: INADMISSIBILIDADE.
Pergunto: como é admissível a classe política nacional continuar a revelar, nesta conjuntura mundial tão complexa e preocupante e com os crónicos défices estruturais que nos assolam - que a crise presente apenas reproduz e acentua - perspectivas e comportamentos tão recorrentemente mesquinhos e inverosímeis?
a
Não se pode mudar este cenário?
a

segunda-feira, março 23, 2009

Senadores da treta


a
A BOLA designa-os Senadores.

Pululam pelos jornais.
Pelas rádios - públicas e privadas.
Pelas televisões - privadas e públicas.

Defendem os seus "grandes" clubes.
Com paixão - sempre.
Com razão - às vezes.

São profissionais de mérito.
Reconhecidos como tal.
Médicos, juristas, economistas, cineastas.

Pagos para uma prestação semanal.
E bem pagos.
Ao que parece.

Gostam de futebol.
Ainda bem.
Mas são "futeboleiros".

Maltratam o futebol.
E sabem-no bem.
Tanto pior.
a

domingo, março 22, 2009

Cuidar bem



Nina Simone - My Baby Just Cares For Me

A Menina de Ouro (II)


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Em 27 de Julho de 2008, a propósito dos acontecimentos verificados no Bairro da Quinta da Fonte (Loures), escrevi o texto "Racismo e anti-racismo" em http://www.rostos.pt/.
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Retomo-o agora, numa semana em que Margarida Moreira - "a senhora DREN" (Visão de 19 de Março de 2009) - mancha, desfigura e maltrata, uma vez mais (e cito Henrique Raposo), toda e qualquer "doutrina multiculturalista".
a
Racismo e anti-racismo
a
“Certas formas de anti-racismo são racistas”
Luís Campos e Cunha (Público, 25 de Julho de 2008)
a
Os rom (plural: roma), vulgarmente conhecidos como ciganos, são originários do norte da Índia – regiões do Punjab e do Rajastão – e tiveram os primeiros movimentos migratórios no século X.
Têm uma presença secular na Europa. Em 1427, no decurso da chamada “primeira grande diáspora” efectivou-se uma das chegadas de ciganos melhor documentadas, conservada na obra Temoignageun bourgeois de Paris”. Em 12 de Agosto desse ano chegaram a Paris, onde causaram grande fascínio pelo seu aspecto “miserável e estranho”, e o povo acudiu em massa para vê-los adivinhar o futuro. Viviam da magia e dos pequenos roubos até que o bispo expulsou-os em Setembro desse mesmo ano e partiram em direcção a Pontoise. Segundo Helena Sánchez Ortega (La diferencia Inquietante, ed. Siglo XXI, Madrid, 1997) essa crónica exemplifica o quadro de tipificação negativa dos ciganos que se manterá até os nossos dias.
Em Portugal “esta presença, alimentada por movimentos migratórios intensos a partir da Estremadura espanhola, sobretudo entre os séculos XIV e XVI, ficou marcada desde cedo por uma discriminação severa, consagrada na ordem jurídica interna – castigos, degredo, expulsão, condenação à morte, interdição de residência – em sucessivas disposições (que culminam processos explícitos de iniquidade social), e que cedo extravasou para uma representação colectiva (que resume um processo oculto de exclusão) que se poderia definir como defensiva, relativamente a este povo de origem indo-asiática. Os exemplos de discriminação jurídica abundam desses tempos imemoriais até aos nossos dias, como no caso dos regulamentos policiais, não obstante terem sido declarados inconstitucionais (“A etnia cigana em Portugal”, Paulo Machado, revista JANUS 2001).
O século XX foi um tempo de perseguição e extermínio, com políticas de assimilação e restrições da liberdade cultural nos países comunistas do leste europeu e de genocídio perpetrado pelos nazis – só em Auschwitz/Birkenau morreram mais de vinte mil ciganos (adaptado de Wikipedia – História do povo cigano).
Conheci o Pedro [nome fictício] na Consulta de Nefrologia Pediátrica do Hospital Garcia de Orta em Agosto de 1994. Tinha então 15 anos. Baleado numa rixa entre ciganos ficara paraplégico e a sua bexiga neurogénica era suficientemente preocupante quanto ao futuro da função renal. Acompanhei-o clinicamente até 2002, muito para além do limite etário da minha consulta. Construímos uma amizade. No final de cada consulta reservávamos alguns minutos para falar da vida – das nossas vidas. Explicou-me as discriminações de género entre os ciganos, o papel subalterno e dependente da cigana, os problemas e as consequências do nomadismo, o acesso limitado à escola, a violência intra e inter-étnica. O Pedro foi um lutador – é um lutador. Revoltado e inconformado com o seu destino físico. Mas empenhado e comprometido na busca de um futuro mais feliz. Fez um curso técnico. Tem uma profissão e um emprego. Sempre me disse que os jovens ciganos são pouco estimulados a frequentar os diversos patamares do ensino obrigatório e, no caso das raparigas, estas são mesmo demovidas de o fazerem.
Como se pode constatar no sítio http://www.cet.iscte.pt/
do Centro de Estudos Territoriais do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), coordenado por Vítor Matias Ferreira e Alexandra Castro, a juventude de etnia cigana é, entre todas as minorias residentes em Portugal, a que tem menor taxa de frequência escolar. Ainda assim, os números são hoje bem mais animadores que há algumas décadas e vêm revelando uma evolução progressivamente positiva. Poderão ter contribuído para este facto a tendência para um maior sedentarismo dos ciganos resultante da implementação do Plano Especial de Realojamento (PER) – sobretudo nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto – e a imposição decorrente do acesso ao Rendimento Social de Inserção (RSI) que, como anunciava a edição de ontem do Expresso, contempla 60 a 70% dos ciganos – o que corresponde a cerca de 10% do total dos beneficiários do RSI.
Contam-se pelos dedos de duas mãos os ciganos com formação académica de nível superior.
Acredito que o incremento significativo desse número, e a conclusão do ensino secundário por muitos outros, seguida de cursos técnicos profissionalizantes, possam vir a ter um papel importante a nível das comunidades ciganas. Pelo conhecimento, pela modernidade e pela tolerância que previsivelmente introduzirão nos círculos iletrados, clássicos e agressivos de onde são originários. Poderão constituir-se como factores de mudança e de inclusão – em colaboração com Governos, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, Autarquias, Igrejas, Associações.
A gravidade dos acontecimentos de Cervães, Francelos e Vila Verde (anos de 1996 e 1997) e mais recentemente no Bairro da Quinta da Fonte (Loures) testemunha os antagonismos sociais que os ciganos suscitam, ainda hoje, em muitas comunidades e o longo e difícil caminho que importa percorrer.
O Estado – Administração Central e Local – não se pode eximir do cumprimento das suas responsabilidades e da assumpção plena da sua autoridade. Como escreveu Fernando Madrinha “a lógica desculpabilizadora e paternalista que tem feito escola entre nós é perniciosa pelos efeitos inibidores que acaba por ter nos governos e nas forças de segurança.
O que se exige destes é que garantam a segurança dos cidadãos e façam cumprir a lei onde e por quem quer que ela seja infringida. E que não usem de especial dureza, nem de especial complacência porque os transgressores são brancos, pretos, ciganos ou de qualquer outra etnia (“Aos tiros no bairro”, Expresso de 19 de Julho de 2008).
Por outro lado, a etnia cigana terá de, finalmente, entender que além dos direitos constitucionais – que tantas vezes invoca de forma violenta –, tem deveres inalienáveis por cumprir. Ou seja, deve respeitar e exercer regras civilizacionais básicas do Estado de Direito Democrático – respeito integral das leis, pagamento de impostos, cumprimento de rendas ou prestações de habitação, escolarização dos jovens, etc. E, já agora, abdicar da chaga em que se deixou vincular e ajudou a fazer crescer – o tráfico de droga e de armas.

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Ontem, no Expresso, Henrique Raposo escreveu: "O racismo, meus caros, não é monopólio do homem branco. O cigano também é racista... Mas, atenção, os ciganos têm direito a este racismo. Os ciganos têm direito a ver à margem da sociedade... Ao nível pré-político, cada um faz o que quer. Porém, ao nível político, o Estado português não pode legitimar esta segregação cultural. Um Estado de Direito não pode aceitar e financiar a formação de guetos. As pessoas não são bichos para ficarem presas em contentores pedagógicos..."
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Não se espera que Margarida Moreira mude.
Mas deseja-se que muitos portugueses - brancos, negros, mestiços, amarelos, ciganos, ou quaisquer outros - sejam capazes de reflectir sobre Democracia, Educação, Igualdade, Discriminação, Racismo.
Para que sejam (sejamos) capazes de incorporar e desenvolver novos conceitos e outras práticas de convivência e de aprendizagem mútua.
a

A Menina de Ouro (I)



Eduarda Maio, jornalista da Antena 1, foi autora da biografia autorizada do primeiro-ministro O Menino de Ouro do PS.

Deu voz a este infeliz e indecoroso spot publicitário.

Serviço público de rádio?
Claro que não!

Poder totalitário?
Ainda não...

Desnecessário e lamentável?
É óbvio que sim!

sábado, março 21, 2009

Dar voz às minhas mãos


a
Para Ti
a
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
a
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
a
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
a
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
a

quarta-feira, março 18, 2009

É uma tragédia, pois é!


“A tragédia da sida não pode ser resolvida só com dinheiro,
nem pode ser resolvida com a distribuição de preservativos,
que pode até aumentar o problema.”
Bento XVI
aa
As suas palavras já não surpreendem. Pelo menos a mim.
Mas incomodam-me. Continuam a incomodar.
Desta vez foram expressas nos céus de África.
A caminho dos Camarões.
No continente onde ocorreram três quartos das mortes.
Por SIDA. Em 2007.
Não as aceito. E muito menos as compreendo.
Como cidadão. E como médico.
a

terça-feira, março 17, 2009

Noites Dominicanas



Juan Luís Guerra. Bachata rosa

segunda-feira, março 16, 2009

Campeão

Paulo Pinto deixou-nos há 7 anos.
A 3 de Março de 2002.
Foi um domingo trágico para o Desporto.
Apetece-me evocá-lo hoje.
Recorro a palavras que escrevi no livro
PROVA DeVIDA:

"Saímos da Portela pelas sete horas de sábado, 2 de Março de 2002. Eu e o Ricardo fomos os únicos acompanhantes da equipa sénior de basquetebol do FCB que, pelo segundo ano consecutivo, disputava a Liga Profissional, depois de uma época de estreia em que alcançara o 10º lugar, entre catorze participantes.
À chegada a Angra do Heroísmo, estacionámos a viatura de aluguer junto ao Centro de Turismo, para recolhermos preciosas informações acerca da Ilha Terceira. À saída do edifício cruzámo-nos com a companheira de Ian Stanback, nosso atleta e que já representara a equipa da Lusitânia, o adversário dessa noite. Cumprimentou-nos, como sempre de forma sorridente e jovial, na companhia do seu pai, também ele açoriano. Angra do Heroísmo revelou-se uma cidade bonita e hospitaleira, com um centro histórico agradável e bem preservado, mas sem o cosmopolitismo e os sinais de pujança e modernidade que presenciara na Ilha da Madeira. A visita à Praia da Vitória (repetida na manhã seguinte) e ao Algar do Carvão, reserva natural geológica, foram momentos bem agradáveis, entrecortados e recheados por uma gastronomia surpreendentemente deliciosa.
No domingo, apesar da derrota (100-90) da véspera, partimos à procura de novas emoções, mas ao início da tarde, vista e revista a pequena ilha, resolvemos ocupar algum do tempo sobejante no Estádio Municipal João Paulo II, onde a Lusitânia recebia o Benfica-B, em jogo do Campeonato Nacional de Futebol da II Divisão. Foi uma primeira parte de futebol tão lento, entediante e mal jogado que, ao intervalo, resolvemos abandonar o recinto de jogo.
No regresso ao carro, foi o grande choque! A Antena 1 da RDP noticiava a dramática paragem cardio-respiratória de Paulo Pinto, ocorrida minutos antes no jogo Aveiro Basket-Benfica, com transmissão televisiva pela SportTV. Receei o pior. O que infelizmente veio a confirmar-se pouco depois. O valoroso atleta internacional faleceu e como bem se interrogou no dia seguinte Vítor Ventura nas páginas do Record do dia seguinte: “Como é possível Deus permitir esta injustiça?”.
Paulo Pinto foi um atleta exemplar. Com enormes atributos técnicos e de um invulgar desportivismo. E um estudante de eleição, que o levou à conclusão do Curso de Medicina. Facto que eu, seu companheiro da profissão, soubera valorizar de forma muito particular. Compatibilizar a prática desportiva de alta competição com a frequência e conclusão de uma licenciatura em Medicina, só está ao alcance de alguns cidadãos dotados de invejável inteligência e perseverança".

a
Até sempre, Paulo Pinto!
a

domingo, março 15, 2009

É bom ser assim

Regresso a ele.
Recorrentemente.
A "culpa" não é minha. É sua.
Porque escreve bem.
Como em "As próximas eleições".
Hoje. No PÚBLICO.
É lúcido.
É sério.
É inteligente.
Sem emenda...
Ainda bem!

a