segunda-feira, julho 19, 2010

Barreiro: velho ou novo?


[foto extraída do blog BARREIRO VELHO]
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Haverá certamente outras coisas (mais?) importantes para discutir e decidir na cidade.
A crise industrial, a crise demográfica, ... A crise!

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Não fui surpreendido pelo conteúdo do texto inserido numa placa identificativa do cidadão que, altivo e solitário, se ergue da renascida praça.
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Fazendo um paralelo linguístico com a nossa participação no South Africa 2010, apetece dizer:
- cumpriram-se os mínimos.

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Mas o cidadão Alfredo da Silva e o Barreiro mereciam mais. Digo eu.
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PS: reli hoje o texto "Agradeço, mas não esqueço" que publiquei em ROSTOS em 15 de Junho de 2008, inserido na série "AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE". Disponível em
http://rostos.pt/inicio2.asp?mostra=2&cronica=220087
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domingo, julho 18, 2010

Sim, acontece a todos

Hesitação


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O Expresso também já aderiu. Ao acordo ortográfico.
Confesso que ainda resisto. Mas será por pouco tempo.
Actual sem c? Lá chegarei.
A Primavera com p minúsculo? Será sempre uma estação linda.
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Ainda hoje, na Pública, a propósito do iMAC, Rui Tavares escreveu moderno e o Miguel Esteves Cardoso à moda antiga.
Que importa isso? Talvez não muito.
Que me interessa mais? O talento de ambos.
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Volto ao Expresso. E a Inês Pedrosa.
A Inês - que "escreve de acordo com a antiga ortografia" - não aprecia o Facebook.
"O nome da coisa (...) começa logo por me irritar". Escreveu.
Não gosta do conceito. Do facilitismo. Desconfia.
Mas podia ter sido mais consistente no argumento.
Estou particularmente à vontade nesta crítica que lhe faço.
Até porque também (ainda???) a ele não aderi.
Pela minha parte, alguns Amigos e uns quantos amigos terão de continuar à espera. Que não me levem a mal.
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Um pouco mais de MEC


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"Faz mal quem se antecipa tanto que lhe escapa a felicidade de saber o que lhe está a acontecer."
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sábado, julho 17, 2010

Bilhete Postal (II)



Somos de facto Amigos há muito, muito tempo.
Ouvimos isto tantas vezes...
Apeteceu-me recordá-lo. Hoje.
Abraço

Bilhete postal


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Sei que és um grande Amigo.
Que gostas de me "ver bem". Feliz.
E que fazes um curioso exercício quando me lês. Aqui.
Julgas percepcionar os meus "estados de alma".
Engraçado!
Umas vezes acertas. Outras... não.
Abraço
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quinta-feira, julho 15, 2010

quarta-feira, julho 14, 2010

No bom caminho


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José Silva, Miguel Graça e Pedro Pinto - jovens basquetebolistas que representam o FC Barreirense - integram os trabalhos da Selecção Nacional de Basquetebol que por estes dias prepara a sua participação no Campeonato da Europa da modalidade.
E David Gomes, João "Betinho" Gomes e Miguel Minhava - que fizeram a sua formação basquetebolística no clube e o representaram no escalão senior - estão igualmente presentes.
Integram a Selecção Nacional de sub-20 quatro atletas do FC Barreirense: Eugénio Silva, João Guerreiro, Miguel Queiroz e Tiago Raimundo. E na Selecção de sub-18 estão outros tantos: Daniel Coelho, Daniel Margarido, João Álvaro e Henrique Sicó.
É uma realidade incontornável, que me sabe bem, me envaidece enquanto associado e que julgo merecedora de adequada divulgação.
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segunda-feira, julho 12, 2010

Eu, tu e nós


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"A partir de hoje, Miguel Esteves Cardoso vai passar a escrever só no PÚBLICO, todas as semanas no P2, no ípsilon, no Cidades, no Fugas, no público.pt ou na Pública e todos os dias aqui, no primeiro caderno"
(PÚBLICO, 12 de Julho de 2010)
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Pois é.
Uns pensarão que será Miguel Esteves Cardoso (MEC) a mais.
Outros talvez não.
A avaliar pelos textos de hoje – primeiro caderno e P2 – é caso para dizer: que venha o MEC!

Este mês casei-me com o PÚBLICO que, como disse o meu amigo José Cardoso, fez de mim uma mulher honesta.
Sou muito feliz com o PÚBLICO, meu marido em caixa alta. É bom pertencer ao PÚBLICO e fazer o que ele me diz e ele deixar-me fazer o que eu quero.
Foi longo e picante o namoro. Mas até a mais eufórica das noivas sabe que, a certa altura, começa o casamento em si. Devagarinho, vão-se revelando, de parte a parte, hábitos irritantes e manias. Mas também inesperadas graças e doçuras. Havendo amor, fazem-se pequenos pactos, trocam-se aceitações e abdica-se de importâncias.
Tenho a sorte de saber, graças à Maria João, como cresce um bom casamento. Nos primeiros três anos a ordem dos pronomes é eu, tu, nós. No deslumbramento do tu, o eu começa a ser menos eu, mas o nós quase não existe: só eu e tu e "que giro ou que mau tu seres isto e eu ser aquilo!" Passados três anos, já há um nós. É um nós para além da soma do eu e do tu. É um casal de que gostamos e de que dependemos. Embora o eu ainda tenha medo. E fica: eu, nós, tu.
É duro o tu ficar em último mas logo se arranja companhia quando o nós passa para primeiro e fica: nós, eu, tu. Depois, para aí no nono ano, troca de lugar com o eu e fica: nós, tu, eu. É esta a fase de casamento em que estou. Não sei o que vem a seguir mas suspeito que não ficarão na mesma linha e que será, por cima, nós e, por baixo, tu e eu. Deus me livre que seja assim com o PÚBLICO. Mas caso com ele à mesma.
Miguel Esteves Cardoso
(O meu novo casamento, PÚBLICO de 12 de Julho de 2010)

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Uma delícia!
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domingo, julho 11, 2010

Música, Poesia e algo mais

Espanha


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E a Espanha venceu!
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Venceu a Qualidade.
Venceu a Disciplina.
Venceu a Personalidade.
Venceu a Estratégia.
Venceu a Táctica.
Venceu a Ambição.
Venceu o Colectivo.
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Aprendamos com isso...
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sábado, julho 10, 2010

Aceito, com muita honra


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Defrontei-me há alguns meses atrás com a espinhosa e ingrata tarefa de constituir a Comissão de Honra das Comemorações do Centenário do meu Futebol Clube Barreirense.
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Hoje, pela manhã, fui surpreendido pelo convite do Dr. Júlio Freire - digníssimo Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro - para integar a Comissão de Honra das Comemorações dos 450 anos da Misericórida da minha cidade natal.
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Que fiz eu para merecer tal distinção?
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Vou responder afirmativamente a tão honrosa deferência.
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Uma noite inesquecível

Noite de sexta-feira.
Estoril.
Casino.
Auditório "DU ARTE LOUNGE".
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Dee Dee Bridgewater (voz).
Edsel Gomez (piano).
Kenny Davis (contrabaixo).
Lewis Nash (bateria).
Craig Handy (sax tenor, clarinete e flauta).
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Se elenco o Dee Dee Bridgewater Quintet é porque desde logo me apetece dizer que não foi apenas a voz magnífica de Lady Dee que uma plateia alegre e vibrante desfrutou na noite de ontem.
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Foi uma verdadeira explosão de sons, de palavras, de afectos, de seduções, de partilhas que percorreu o auditório. E lhe deu cor, brilho, felicidade, amor.
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Conhecia mal Dee Dee Bridgewater.
Claro que me surprendeu muito. E bem. Pela voz, pela presença em palco, pela interacção com os quatro excelentes músicos, pela relação de empatia e fraternidade que estabeleceu com o (seu) público.
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"Um animal de palco". Dizia alguém a meu lado. Com todo o acerto e oportunidade.
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Como antevira a produção do espectáculo, Dee Dee propôs-nos uma "recriação moderna de algum do repertório mais fascinante da sua homenageada [Billie Holliday], como Mother’s Son-in-Law, Fine and Mellow, Don’t Explain, God Bless the Child ou Strange Fruit".
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Uma voz poderosa.
Músicos fantásticos.
Público embevecido pelo talento e arte do Dee Dee Bridgewater Quintet.
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Uma noite de sonho. Uma noite inesquecível.
Que venham muitas outras.
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quarta-feira, julho 07, 2010

Viva a Liberdade!


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O regresso a casa, depois de mais uma maratona hospitalar, trouxe-me uma excelente notícia que, curiosamente, surgiu apenas 24 horas depois do meu post anterior "Rumo à Liberdade".
Guilhermo Farinas pode ter comprometido a sua sobrevivência mas viu uma heróica greve de fome - que ousou cumprir com rara determinação - condicionar as autoridades do seu país e resultar na libertação próxima de 52 presos políticos cubanos.
Pela Liberdade. Sempre!
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terça-feira, julho 06, 2010

Rumo à Liberdade


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Carlos Dominguez [Miguel Pinto] aterrou em Abril de 1976 no Aeroporto de Belas - Luanda, procedente de Havana.
Jovem médico, militante da União de Jovens Comunistas de Cuba, acreditava no Socialismo e na Revolução. E, ao abrigo da cooperação entre as autoridades do seu país e a nova nação africana, fora enviado para exercer a sua actividade de cirurgião.
A paixão por uma angolana "suspeita" fê-lo cair em desgraça entre a nomenclatura comunista.
No regresso a Cuba suportou a despromoção profissional e o desterro para uma área montanhosa e periférica no extremo oriental da ilha e depois a prisão e a tortura – física e psicológica.
Cercado por uma terrível intriga de espionagem envolvendo a CIA e os serviços secretos cubanos, uma ardilosa e bem conseguida "regeneração política" e a sua inegável competência profissional valeram-lhe o regresso a Havana e a ascensão à direcção do Serviço de Cirurgia e à docência num Hospital Universitário.
A rotura com o regime permanecia incólume. E, na mesma dimensão, a vontade de fugir e de conquistar a Liberdade.
Finalmente, a fuga – para Espanha. Definitiva. Abençoada.
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Miguel Pinto reside em Portugal desde 1992. É cirurgião no Hospital Fernando da Fonseca e docente universitário na Faculdade de Medicina de Lisboa.
"O ANO EM QUE DEVIA MORRER" (Sopa de Letras 2008) e "A FRONTEIRA MAIS LONGÍNQUA" (Sopa de Letras, 2010) são dois excelentes livros. Um exorcismo de mágoas do passado. Uma prosa admiravelmente fluida.
Já fizera referência neste blog ao primeiro, em 2008. Aconselho hoje a leitura de ambos.
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segunda-feira, julho 05, 2010

Erasmus


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Na noite de 6ª feira conversara com uma boa amiga - conhecedora directa dessa realidade - acerca das potencialidades e dos méritos do projecto Erasmus.
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Curiosamente, o tema foi abordado numa excelente entrevista do Prof. Doutor Pedro Pita Barros (jovem catedrático de Economia da Universidade Nova de Lisboa) a Teresa de Sousa, publicada na edição de hoje do PÚBLICO.
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Retive a importância que atribue à geração Erasmus. Uma pleiade de jovens com outra visão, percepção e vivência do espaço e do projecto europeu. Que poderão contribuir, quando chegarem mais expressivamente ao poder político - em Portugal e nos outros Estados comunitários - para uma transformação da forma de pensar e de executar o ideal europeu.
Acredito plenamente nisso.
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De Lady Day a Lady Dee


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Não me é nada habitual. Assistir a um concerto de alguém cuja discografia conheço mal.
Seguro do bom gosto de quem me convidou, estarei na noite de sexta no Estoril Jazz 2010 para ouvir Dee Dee Bridgewater, uma ilustre Jazz singer norte-americana que completou recentemente 60 anos.
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Em Março, numa entrevista ao GUARDIAN, respondeu a Laura Barnett:
- Does jazz deserve a wider audience?
- Yes. It suffers from being marketed incorrectly: people think it's intellectual, like classical music, and inaccessible unless you've had some training. The recession is changing that, though: jazz clubs are thriving in the US because it's cheaper for young people to go to them than to go to concerts.
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Lady Dee estará no Estoril para um tributo à música de Billie Holliday, num concerto subordinado ao título To Billie With Love: A Celebration of Lady Day.
Promete.
Depois conto-vos como foi.
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domingo, julho 04, 2010

Velhos são os trapos


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Curioso.
Várias vezes (me) tenho interrogado:
- como vêm os jovens aqueles que, como eu, já passaram a "fasquia dos 50"?
Seremos velhos aos olhos dos nossos adolescentes?
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Parece que sim.
Uma sondagem do Instituto Social Europeu, ontem citada por Fernando Madrinha no EXPRESSO, revelou que "a maioria dos jovens portugueses considera que a velhice começa aos 51 anos".
Em contraste com esta visão (tão horrível, digo eu) está a juventude do espaço europeu que "situa, em média, o começo da velhice nos 72".
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Fernando Madrinha questiona possíveis razões para tão grande e preocupante discrepância. Com ou sem razões (nacionais) a verdade é que 21 anos de diferença é muito ano.
Dá que pensar! Mas talvez não preocupar...
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E, para alguém que adora Florbela Espanca, e de quem muito gosto,
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Pior Velhice
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Sou velha e triste.
Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!
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A Vida, que ao nascer, enfeita e touca
De alvas rosas a fronte da mulher,
Na minha fronte mística de louca
Martírios só poisou a emurchecer!
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E dizem que sou nova... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!
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Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova... outrora...
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Florbela Espanca
in Livro de Mágoas
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sexta-feira, julho 02, 2010

Foguetes e cabeçudos


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Barreiro em Festa.
Sol e calor em tarde de quarta-feira, 16 de Setembro de 1970. Apesar do horário laboral, 7.000 espectadores concentraram-se no Campo D. Manuel de Mello para assistir à primeira participação do FCB numa competição oficial da UEFA.
O Dínamo de Zagreb, equipa jugoslava com alguma experiência internacional, deslocou-se ao Barreiro para defrontar o neófito FCB, em jogo relativo à 1ª eliminatória da edição 1970/1971 da Taça das Cidades com Feira – hoje denominada Taça UEFA.
Tambores e foguetes, cabeçudos, banda de música e fanfarra dos bombeiros, forneceram um ambiente peculiar, nunca antes vivido naquele espaço.
Em superação e num jogo de boa qualidade, a nossa equipa, treinada pelo brasileiro Edsel Fernandes, galvanizou-se e venceu com dois golos sem resposta, o primeiro por Serafim ainda na primeira parte, o segundo por Câmpora no penúltimo minuto, com uma execução que jamais esquecerei. Um golaço!
Não foi, em minha opinião, a nossa vitória mais transcendente, mas foi, pelo seu circunstancialismo histórico, uma jornada muito bonita que presenciei no lugar cativo do meu pai que não pôde comparecer por motivos profissionais.
A Bola de 17 de Setembro dedicou largo espaço a este jogo, pela pena de Homero Serpa e de Santos Serpa:

Glorioso caloiro entra pela porta grande (2-0)
Era dia de festa no Barreiro. O Barreirense, menino bonito da laboriosa vila, quis que a sua estreia em competições internacionais ficasse inesquecível do seu público, do seu fiel público que nunca o desamparou mesmo quando na 2ª divisão, se esforçava, se batia para voltar ao convívio daqueles que sempre o tiveram como adversário.
(crónica de Homero Serpa)

Quando a partida terminou, a hora era de euforia. O público debruçava-se no parapeito sobre o túnel que levava às cabines para uma última manifestação de apreço à sua equipa.
(reportagem de Santos Serpa)

Duas semanas depois, o avançado uruguaio Câmpora torna a marcar e o FCB podia ter chegado ao intervalo a vencer por 0-2, não fora a invalidação de um golo regular de Serafim, rápido e acutilante ponta de lança.
Na segunda parte, com a complacência do alemão Helmuth Bader, o Dínamo efectuou um exemplar volte-face perante os seus 15.000 fiéis, com seis golos sem resposta.
A violência dos jugoslavos e a habilidade do árbitro foram denunciadas pelo treinador Barreirense, que à reportagem de Justino Lopes (A Bola) declarou que “trouxemos 11 jogadores em vez de 11 pugilistas” para concluir, amargurado e vencido, “hoje, aqui em Zagreb foi um exército a jogar futebol e outro a fazer guerra”.
Terminara com honra, mas sem brilho, a única participação do FCB nas competições europeias.

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[Texto inserido no meu livro PROVA DeVIDA – ESTÓRIAS E MEMÓRIAS DO MEU BARREIRENSE, e publicado na edição de hoje do JORNAL DO BARREIRO, na série RECORDAR E VIVER, alusiva ao Centenário do Futebol Clube Barreirense]

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quinta-feira, julho 01, 2010