quarta-feira, janeiro 28, 2009

Os Senadores

Escrevem nos jornais.
Contraditam nas rádios e televisões.
Representam os chamados grandes do futebol português.
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A BOLA designa-os Senadores.
Pretensamente sérios nos argumentos. São muitas vezes diletantes. Às vezes patéticos.

O respeitável Dr. Rui Moreira defendeu dias a não comparência do seu FC Porto nas meias-finais da Taça da Liga. Exagerou.
Lembrei-me da citação de João Marcelino que me acompanha na banda direita deste blogue. Certeira. Inquestionável.


Rui Moreira não está só nas suas diatribes e desvarios.
Miguel Sousa Tavares, José António Lima, Leonor Pinhão e um punhado de outros experts transportam-nos semanalmente a um mundo com demasiada intriga e insinuação.

Sei que lhes é solicitado um estilo agressivo e polémico.
Sei que reconhecem exageros, na forma e no conteúdo.
Sei que...
Mas tenho opinião: não gosto!

Vampiros em New York



Vampire Weekend - o novo indie rock de New York.

Memória Barreirense (conclusão)



A Autarquia e Nós

O Artigo 46º da nova Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, aprovado na Assembleia da República a 7 de Dezembro de 2006 e publicado em Diário da República de 16 de Janeiro de 2007 (1ª série, Nº 11, págs. 356-363), veio recolocar na ordem do dia a problemática do apoio das autarquias ao desporto profissional. Pode aí ler-se no ponto 2 que “Os clubes desportivos participantes em competições desportivas de natureza profissional não podem beneficiar, nesse âmbito, de apoios ou comparticipações financeiras por parte do Estado, das Regiões Autónomas e das autarquias locais, sob qualquer forma, salvo no tocante à construção ou melhoramento de infra-estruturas ou equipamentos desportivos com vista à realização de competições desportivas de interesse público, como tal reconhecidas pelo membro do Governo responsável pela área do desporto”.
Num país em que o triângulo clubes - autarquias - construção civil, tem sido demasiadas vezes associado a processos e interesses pouco legítimos e ainda menos transparentes, impunha-se clarificar e legislar. O que recentemente se concretizou e, como tal, se aplaude.
Creio que não será por via desta alteração legislativa que o FCB verá comprometida a prossecução da sua actividade. Porque, em defesa de uma política desportiva moderna, e de forma estritamente legal, será com toda a certeza possível que a Câmara Municipal do Barreiro continue a apoiar o clube. É verdade que desde a época de 2000/2001, quando passou a integrar a Liga de Clubes de Basquetebol e a disputar a sua Liga Profissional, o FCB tem sido contemplado com apoios financeiros e logísticos da autarquia, mediante a celebração de um Contrato-Programa de vigência anual, orientado para a promoção da modalidade no Concelho do Barreiro. Esse apoio tem vindo a diminuir nos últimos anos e, no biénio 2004-2006, correspondeu aproximadamente aos custos de funcionamento da nossa magnífica escola de formação, compatibilizando-se de forma estratégica e consequente a democratização da prática da modalidade a algumas centenas de jovens, com a concretização de elevados níveis competitivos traduzidos na conquista de 7 títulos nacionais.
Esta Lei que “define as bases das políticas de desenvolvimento da actividade física e do desporto” (Artigo 1º), especifica no seu Artigo 5º que “o Estado, as Regiões Autónomas e as autarquias locais promovem o desenvolvimento da actividade física e do desporto em colaboração com as instituições de ensino, as associações desportivas e as demais entidades, públicas ou privadas, que actuam nestas áreas”. E no Artigo 6º, ponto 1, atribui-lhes a responsabilidade de “promoção e generalização da actividade física, enquanto instrumento essencial para a melhoria da condição física, da qualidade de vida e da saúde dos cidadãos”, para o que (ponto 2, alínea a) deverão ser adoptados programas que visem “criar espaços públicos aptos para a actividade física”. Ainda no âmbito das políticas públicas (Capítulo III), o Artigo 7º afirma no ponto 1 que “incumbe à Administração Pública na área do desporto apoiar a prática desportiva regular e de alto rendimento, através da disponibilização de meios técnicos, humanos e financeiros, incentivar as actividades de formação dos agentes desportivos e exercer funções de fiscalização” e o Artigo 8º aborda os termos da política de infra-estruturas e equipamentos desportivos. Quer isto dizer que as autarquias têm responsabilidades bem definidas na área do desporto e que não se podem eximir de as cumprir.
No interessantíssimo estudo “As melhores cidades portuguesas para viver” efectuado pelo Expresso e publicado na edição de 6 de Janeiro de 2007, o Barreiro ocupa um penoso 39º e penúltimo lugar entre as 40 cidades avaliadas. Curiosamente, de um total de vinte itens considerados para valorização, a pontuação obtida no capítulo “equipamentos desportivos” (55 pontos para um limite de 100), colocou a nossa cidade no 20º lugar, em igualdade pontual com mais oito cidades, mas longe dos 70 pontos de Braga e Porto, as duas primeiras classificadas nesse parâmetro. Ou seja, apesar das carências e lacunas que persistem, nomeadamente em termos de espaços para treino, formação e desporto de lazer, há um conjunto de equipamentos que têm alguma qualidade e uma taxa de ocupação muito apreciável.
O apoio ao desporto escolar, realidade ainda tão frágil em Portugal, como se documenta no relatório “Desporto Escolar: Um Retrato”, estudo coordenado por Luís Capucha e apresentado publicamente em 17 de Janeiro de 2007, é uma competência que a nossa autarquia saberá certamente prosseguir. Mas é igualmente necessário que todas, ou pelo menos as principais forças políticas, assumam uma posição clara e coerente a propósito dos objectivos e limites do apoio aos clubes desportivos do Barreiro. Pulverizar um bolo financeiro cada vez mais pequeno por uma miríade de clubes de dimensão, capacidade e eficácia muito distintas, pode ser a cada momento uma forma politicamente correcta de actuar. Mas a política, séria e responsável, impõe escolhas e opções, corajosas e nem sempre fáceis. Escolhas e opções que deverão decorrer de uma análise adequada dos projectos apresentados e de uma avaliação criteriosa da sua exequibilidade. E, nos casos seleccionados, com controlo e fiscalização exigentes da sua aplicação e concretização. Deverá ser assim. Será que foi sempre assim?
Pelo seu curriculum vitae o FCB tem feito jus aos apoios reivindicados e obtidos da autarquia. Os dirigentes e os associados aspiram naturalmente a mais e melhores contributos, sabendo obviamente reconhecer as dificuldades financeiras presentes e o mérito de alguns outros projectos desportivos. Com mais ou menos slogan – Barreiro Cidade Desportiva, Barreiro Cidade da Participação – impõe-se a celebração de Contratos-Programa justos, racionais e exigentes, entre a autarquia e o FCB, com observância absoluta dos requisitos contemplados na Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto (Artigo 47º).
O FCB é, sem margem para dúvidas, o clube mais representativo do Concelho e, nessa conformidade, assume uma legítima vontade de que os eleitos autárquicos correspondam de forma clara e consequente a direitos e deveres, consignados na Constituição da República. É esta argumentação que o clube deve esgrimir. É esta responsabilidade que a Câmara Municipal do Barreiro tem de assumir. Pelo Desporto e pelo Barreiro!


Esperança para Vencer

Iniciei o primeiro capítulo deste livro citando Romain Rolland: “Pensamento que não age ou é aborto ou traição”. E que também utilizara aquando da publicação dos artigos “Barreirense: que futuro?” (Jornal do Barreiro, edições de 1 de Dezembro de 2006 a 2 de Fevereiro de 2007). A frase, conscientemente escolhida e assumida após breve hesitação inicial, parecia-me ao mesmo tempo suicida e assassina.
Suicida, porque ao decidir escrever uma reflexão que o Jornal do Barreiro amavelmente publicou ao longo de dez semanas, e que aqui reproduzi de forma quase absoluta, tive a consciência de que alguns prontamente se apressariam a ver nesse trabalho a tradução de uma ambição presidencial, o embrião de uma programa eleitoral. E que outros o poderiam interpretar como uma vontade de protagonismo pessoal, uma manifestação desmedida de vaidade. A uns e outros, tenho que confessar o quanto estão enganados. Recordo a última reunião de Direcção em que participei (Abril de 2006) quando perante Manuel Lopes e restantes companheiros assumi, com manifesta desilusão e emoção, a incapacidade pessoal e profissional, de prosseguir a minha participação nos Órgãos Sociais, não podendo integrar a lista que então se preparava para o acto eleitoral próximo. Completados 50 anos de filiação, tenho a consciência do quanto devo ao FCB, por todos os momentos de emoção e alegria que me propiciou, pelo conhecimento de tanta e tão boa gente, pela aprendizagem da importância do associativismo na minha vida individual e colectiva. Por isso prometi nessa noite continuar a ajudar o meu clube de sempre, dentro de possibilidades e limites que são e serão sempre por mim determinados, e não por terceiros.
Assassina, porque muitos dos que se entretêm a criticar e denegrir, de forma leviana e quase permanente, aqueles que corajosamente e de forma desinteressada se entregam ao clube – enquanto dirigentes, seccionistas, etc. –, deveriam inflectir a sua acção negativista, derrotista e persecutória, feita de ignorância e/ou má-fé.
Hoje, como no futuro, todos os contributos são e serão necessários para a viabilidade, sustentabilidade, engrandecimento e perenidade do FCB. Foi numa perspectiva sincera e genuinamente empreendedora que, ao longo desse texto, exprimi um conjunto vasto de reflexões, opiniões, ideias, propostas, lamentos e ilusões. E que apenas a mim comprometem. Como então prometi, tentei “de forma despretensiosa mas construtiva, aprofundar a dúzia de aspectos supracitados e formular algumas propostas concretas, num contributo que desejo responsável e estimulante, eventualmente merecedor da atenção, crítica e colaboração de um número alargado de Barreirenses”. Não conheço a dimensão real do impacte que as minhas palavras tiveram nos associados e dirigentes Barreirenses, nos responsáveis políticos e autárquicos locais, nos empresários, nos intelectuais e demais leitores que semanalmente lêem o Jornal do Barreiro. Foram vários os amigos que, desde o início, me incentivaram a prosseguir e, mesmo discordando das minhas opiniões, se congratularam por esta iniciativa. Muito gostaria que, depois de mim, outros viessem a terreiro analisar, refazer e aprofundar estas e outras ideias que ao longo de dez semanas fui transmitindo, pelo recurso à palavra escrita, que procurei simples, reflectida, adequada.
Victor Hugo escreveu que “os homens honestos procuram tornar-se úteis, enquanto os intriguistas tentam apenas ser necessários”. Será através do contributo mais activo e alargado dos seus Associados, do talento, criatividade, empenhamento e bom senso dos seus Dirigentes, e da capacidade de diálogo e colaboração solidária, harmoniosa, transparente e moderna, com a Câmara Municipal do Barreiro e com os Agentes Económicos da Cidade, que o FCB poderá ultrapassar as graves dificuldades e constrangimentos actuais. E prosseguir um percurso desportivo de mérito na formação e na alta competição, um desempenho de relevo na sociedade Barreirense, um estatuto de Utilidade Pública tão legitimamente adquirido. Caso contrário, não estarão criadas, em minha opinião, as condições mínimas para a prossecução de objectivos desportivos competitivos semelhantes aos actuais, e o FCB será obrigado a recuar para patamares bem menos ambiciosos, de alcance e consequências ainda muito pouco discutidas e consciencializadas pela imensa maioria dos Barreirenses.
Duas breves notas finais.
Primeira: um agradecimento. Aos Barreirenses. Os que fundaram este clube a 11 de Abril de 1911. E a todos os que contribuíram e contribuirão para o seu crescimento e afirmação no panorama desportivo nacional.
Segunda: um apelo. Que os Órgãos Sociais estimulem, com a premência que o contexto me sugere, uma reflexão séria, profunda e participada acerca do presente e do devir do FCB. Um FCB com Projecto. Um FCB com Futuro!

Eternamente Barreirense!
Barreiro, 11 de Janeiro de 2008

[Conclusão do Capítulo VIII - Amanhã
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Parece mentira


... mas é verdade!

"o melhor livro escrito em castelhano desde Quixote" (Pablo Neruda).

Vou iniciar hoje a sua leitura.
Atrasado... mas ainda a tempo.

Memória Barreirense (XLVII)



Comunicar

Quando em 21 de Julho de 2004 tomei posse como Vogal da Direcção e Director da Secção de Basquetebol do FCB, iniciei desde logo, em colaboração com alguns companheiros, com realce para José Almeida Fernandes, um processo de reflexão acerca da área de comunicação e imagem, tendo como objectivos, entre outros, a criação de uma revista e de um site oficial do basquetebol.
Em Novembro de 2004, nasceu a revista Barreirense Basket, com João Betinho Gomes em fotografia de capa no número inaugural. Assumindo-se como um “projecto editorial inovador, plural e exigente” Barreirense Basket constituiu, apesar do amadorismo mais genuíno dos seus redactores, uma realização muito interessante. Com uma distribuição pouco eficaz para além da nossa família basquetebolística, e com uma estrutura de captação de publicidade esforçada mas limitada, Barreirense Basket atingiu, ainda assim, um público numeroso e mereceu a atenção e admiração de outros importantes agentes da modalidade. E, muito importante, constituiu um produto financeiramente rentável, confirmando as nossas expectativas iniciais.
Em Fevereiro de 2005, após alguns meses de concepção, preparação e experimentação, chegou o momento de inaugurar o site oficial do Barreirense Basket, http://www.fcbarreirense.pt/. No texto inaugural escrevi: “É com natural ansiedade e expectativa que aguardamos pela sua aceitação e divulgação. Tal como a revista, também o nosso site é, e será sempre, uma obra inacabada, imperfeita, sedenta do contributo de tudo quantos apreciam e se revêem neste projecto. Poderemos a partir de agora comunicar de forma mais rápida, acessível e ampla”. Apesar das suas manifestas lacunas, fragilidades e limitações, http://www.fcbarreirense.pt/ foi, e continua a ser, um veículo muito importante de divulgação da agenda desportiva e das diversas actividades desenvolvidas pela Secção de Basquetebol.
É oportuno recordar que o site oficial e a revista surgiram contextualizadas e enquadradas num protocolo de autonomia desportiva, administrativa e financeira, que fora alguns meses antes acordado entre o Presidente Manuel Lopes e um grupo de Barreirenses interessados e empenhados na continuidade de um projecto de basquetebol para o clube, alicerçado na sua magnífica escola de formação e recrutamento, mas ancorado numa equipa sénior competindo no mais elevado escalão, a Liga Profissional.
Foi o princípio de uma longa e dura caminhada, parcialmente (transitoriamente?) interrompida, uma vez que, por razões que não serão agora chamadas à colação, a Barreirense Basket não teve continuidade no presente mandato da Secção de Basquetebol. Será importante que estes dois projectos possam ser repensados e reformulados editorialmente, apoiados de forma mais estruturada e eficaz, nas áreas da angariação de publicidade e de distribuição e venda da revista. Deverão ser projectos criativos, com conteúdos de qualidade, esteticamente modernos e apelativos. E poderão constituir-se, se bem administrados, como um interessante contributo para a sustentabilidade financeira da Secção.
O site que acompanha o futebol do clube, tem desenvolvido uma actividade meritória e, embora susceptível de ser melhorado no seu conteúdo nas áreas de reportagem e opinião, tem cumprido a sua função comunicacional, embora quase exclusivamente restrita à componente noticiosa.
É fundamental que o FCB disponha de canais de comunicação que preservem a sua mística, divulguem as actividades das modalidades, e se constituam como espaços de reflexão, opinião e polémica. Como é de toda a pertinência questionar as vantagens e desvantagens decorrentes da actual existência de três sites autónomos – Basquetebol, Futebol e Xadrez.

Ao longo dos dois anos em que integrei os Órgãos Sociais do FCB, fui sujeito activo num esforço de compreensão, aproximação e respeito entre os responsáveis das modalidades, nomeadamente daquelas que pelo seu passado e presente, orçamentos e ambições desportivas, viveram em etapas diversas da história do clube, longínqua ou recente, momentos de fricção e tensão. De forma frontal e responsável, com diálogo e tolerância, deram-se passos importantes no sentido de pacificar o clube e reforçar a sua identidade. Um site único, num clube eclético e plural, concentrando recursos e rentabilizando sinergias será, em teoria, a solução financeiramente mais vantajosa, desportivamente mais abrangente e conceptualmente mais unificadora e impulsionadora da Marca Barreirense. Na vertente comunicacional em suporte de papel, a criação de uma publicação única, representativa de todas as modalidades será também, em tese, a solução mais desejável. Mas, de momento, não parecem suficientemente maduras as condições necessárias para um esforço conjunto do futebol e do basquetebol na área da comunicação, pelo que as águas correm (ainda) em leitos distintos e pouco convergentes.
Por outro lado, há que implementar de forma mais permanente e incisiva, e aproveitar com maior intencionalidade e agressividade, todas as potencialidades do correio electrónico, recorrendo regularmente ao contacto com os associados, através de newsletters para divulgação personalizada da agenda desportiva semanal, comunicados da Direcção, convocatória de Assembleias-Gerais, etc. Esta é uma vertente que a Secção de Basquetebol tem explorado com elevada rentabilidade.
O clube deverá ainda prosseguir o esforço encetado em 2004 de fornecer, com qualidade e regularidade, conteúdos informativos aos órgãos de comunicação que nos têm acompanhado de forma mais próxima, os semanários Jornal do Barreiro, Voz do Barreiro, Margem Sul e Notícias do Barreiro, os espaços online Rostos e Diário do Barreiro, a rádio Popular FM.
Em jeito de conclusão: informar, esclarecer, mobilizar e fidelizar os nossos associados e adeptos exigirá um reforço substancial de investimento e intervenção na área de comunicação. Da percepção deste desafio e da sua adequada concretização dependerá em larga medida o futuro e o sucesso do FCB.

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Com os Agentes Económicos e Culturais

Parece-me claro e inequívoco que o FCB representa, no presente tal como no passado, uma das instituições que melhor difunde o nome da Cidade do Barreiro pela Área Metropolitana de Lisboa e pelo todo nacional.
Em crise demográfica, com um tecido empresarial muito fragilizado, e um número restrito de personalidades de primeiro plano na vida política, científica e cultural aqui residente, o Barreiro precisa urgentemente de um impulso desenvolvimentista.

Como já afirmei anteriormente, será fulcral para o nosso futuro que os grandes projectos em curso (Polis e Fórum Barreiro), em fase embrionária (Masterplan) ou ainda sem decisão governamental completamente clarificada (terceira travessia do Tejo), protagonizem e potenciem um revigoramento da actividade económica do Concelho, que o liberte da inércia e crise vigentes e o devolva à importância de outros tempos.
Apesar das dificuldades económico-financeiras do Barreiro, o FCB tem conseguido alguns apoios e patrocínios publicitários, que embora escassos para as necessidades do clube, têm-se revestido de particular relevo para a sua sustentabilidade financeira. E é da mais elementar justiça referir que, para esse efeito, muito tem contribuído a vontade, influência, tenacidade e persistência de Manuel Lopes. Mas, para além da boa vontade e dos conhecimentos particulares do nosso Presidente e restantes membros dos seus Órgãos Sociais, que têm sido os grandes obreiros dos patrocínios mais significantes, importa que o clube desenvolva um esforço acrescido nesta área. É imperioso reafirmar e demonstrar perante os agentes económicos – locais, regionais e os de dimensão nacional – que a Marca Barreirense é jovem, mediática e vencedora. É necessário esclarecer e persuadir os empresários que pretendemos formular e concretizar parcerias sérias e credíveis, com visibilidade e retorno para ambas as partes.
O Basquetebol é, em minha opinião, a modalidade que nos próximos anos estará em melhores condições de exercer, neste particular, um papel mais dinâmico e consequente. Mas essa dinâmica só poderá ser efectiva se o clube tiver condições para continuar a participar na Liga Profissional. A experiência da temporada passada, com transmissões televisivas regulares da Liga USO, em sinal aberto ou por cabo, presenciadas por um número crescente de espectadores, poderá abrir novas perspectivas na angariação de apoios publicitários de dimensão mais relevante.
Por outro lado, tenho a convicção de que o Fórum Barreiro, com conclusão prevista para final de 2008, estará bem posicionado para ser um dos principais patrocinadores. Creio e desejo que a inteligência e o empenho da sua Administração permitirão entender que o FCB, enquanto grande referência da Cidade e da Região, constituirá, numa relação benefício-custo muito vantajosa, um magnífico veículo difusor desse importantíssimo pólo de dinamização comercial da Barreiro. Também a Quimiparque parece bem capacitada para prosseguir formas importantes de apoio e patrocínio iniciadas há alguns anos. Naturalmente que deverá continuar a desenvolver-se um grande esforço de captação dos pequenos apoios e patrocínios publicitários para ‘sponsorização’ das diversas equipas dos escalões de formação, que têm marcado uma presença permanente nos campeonatos nacionais e, no caso do basquetebol, participações muito regulares e vitoriosas em fases finais, particularmente na última década. Os projectos na área comunicacional, que atrás abordei, poderão também constituir-se como excelentes veículos promocionais para empresas de micro, pequena e média dimensão.
De forma justa, legítima e já tradicional, o Barreiro tem sido considerado uma cidade com um movimento associativo desportivo, recreativo e cultural de dimensão muito apreciável, quantitativa e qualitativamente. Mas, tal como noutras vertentes, também aqui o momento é de crise. Crise que nos percorre desde há já vários anos. Crise, traduzida na evidente dificuldade em perpetuar e renovar os recursos e as estruturas materiais e humanas das mais de 150 associações desportivas, recreativas e culturais que existem no Barreiro, e que curiosamente parece afectar com maior profundidade as mais antigas. Crise, em que a realidade de uma parte muito substancial dessas instituições revela uma progressiva diminuição da sua massa associativa, níveis decrescentes de participação cívica, Órgãos Sociais de constituição muito custosa, programas de acção cada vez mais limitados.
O FCB, para além da sua intervenção na área desportiva, primum movens da sua fundação e do seu percurso, pode e deve ter uma contribuição mais activa e substantiva na vida cultural. Recordo a propósito as duas Noites de Fado Barreirense (Junho de 2005 e Abril de 2006), a Noite de Jazz Barreirense (Maio de 2006) e a exposição comemorativa do cinquentenário do Ginásio-Sede do Barreirense (Maio/Junho de 2006). Foram quatro realizações que revelaram da parte da Direcção que tive a honra de integrar no biénio 2004-2006, uma determinação clara, embora incipiente, de mergulhar o clube no tecido social da cidade, inverter uma lógica ou uma motivação exclusivamente desportiva que me parece redutora da dimensão e riqueza humana da massa associativa do clube. O espaço da antiga Biblioteca, no 2º andar do Ginásio-Sede, poderia constituir-se, após inevitáveis obras de reabilitação, como um local privilegiado para colóquios, debates e conferências, sessões cinéfilas e de poesia, exposições de pintura e fotografia. O FCB tem massa crítica para intervir na área cultural. O Barreiro tem artistas e intelectuais de mérito. Então... aproximemos, ainda e cada vez mais, o Barreiro e os Barreirenses, ao clube da sua cidade – o FCB.

[Excerto do Capítulo VIII - Amanhã
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

domingo, janeiro 25, 2009

Através dessas coisas



A Whiter Shade Of Pale. Procol Harum. 1967

Mais um sonho adiado

Tinhamos tudo para ganhar.

Tinhamos ilusão de vitória.

Não fomos capazes.

Não repetimos a História.

Ficámos tristes.
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sábado, janeiro 24, 2009

Memória Barreirense (XLVI)


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Promessa para cumprir
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Concordei com a venda do terreno do Campo D. Manuel de Mello. Tornei pública a minha posição nas Assembleias-Gerais que precederam essa decisão. Persuadi alguns associados a apoiarem o Presidente Manuel Lopes. Defendi a Direcção das suspeições que alguns quiseram atribuir-lhe.
O ‘Manuel de Mello’ foi vendido. O FCB arrecadou uma verba substancial. Saldou as dívidas ao Fisco e à Segurança Social. Regularizou o pagamento de outras dívidas. Safou-se! E, como escreveu Sofia de Mello Breyner: “corpo renascido...”.
Mas o desafio apenas começara. Foi uma decisão inadiável, fundamentada, mas afectivamente difícil. Ainda assim, muitos se interrogaram, e alguns disso se fizeram eco: “foram-se os anéis, mas ficarão os dedos?”
Coube à Direcção, desde então, a responsabilidade de demonstrar que a decisão de 2005 fora correcta. E cumprir a promessa então formulada: o FCB construirá os espaços desportivos necessários e adequados ao seu Projecto Desportivo, assente na formação cívica e desportiva de jovens atletas, mas com ambições competitivas realistas e consistentes. Quais são essas necessidades? Depende.
Em teoria, a nossa imagem, projecção e independência serão mais substantivas se dispusermos de património próprio: Estádio para o futebol (10.000 lugares), Arena/Pavilhão Multiusos (4.000 lugares, para o basquetebol, espectáculos, exposições, etc.), campos para treino e competição das equipas dos escalões de formação. No concreto, sabemos que um desejo-sonho dessa dimensão é incomportável para a realidade económico-financeira do FCB. A construção de estruturas desportivas é muito onerosa e a sua manutenção, aspecto nem sempre devidamente considerado, um encargo relevante. Por isso, deverá haver realismo e rigor. E acreditar que o Estádio Alfredo da Silva e o Complexo Desportivo anexo possam vir a ser municipalizados num prazo não muito distante. E esperar que o Masterplan – ou qualquer outro plano de utilização do território da Quimiparque – seja implementado, erguendo-se o Pavilhão Multiusos projectado para esse projecto estruturante da renovação urbana, económica, cultural e social do Barreiro. Essa seria, em minha opinião, a solução qualitativa, geográfica e financeiramente ideal. Mas essas hipóteses poderão revelar-se uma improbabilidade. Seria então necessário continuar a disputar a Liga Profissional de Basquetebol no Pavilhão Luís de Carvalho (adequado mas algo periférico) e partir para a construção de um Complexo na Verderena. Com um Estádio com lotação inicial para cerca de 2.500 espectadores, funcional e confortável, integrado de forma harmoniosa no Polis, e um Pavilhão para treino e competição de algumas das equipas de formação e da equipa sénior do basquetebol. As equipas de futebol treinariam e competiriam em espaços com relva sintética, em terrenos a adquirir no perímetro geográfico do Barreiro, mas eventualmente mais periféricos. O Ginásio-Sede permaneceria local de prática do Basquetebol, Ginástica, Kickboxing e Xadrez. E a Piscina Municipal actual, ou a aprovada recentemente em reunião da Câmara Municipal, a estrutura destinada à Natação. Para o desporto de recreio, convívio e lazer, a construção de um Polidesportivo (coberto, mas não necessariamente fechado) e de um Health Club seriam duas estruturas fundamentais para o crescimento e afirmação do FCB. Se a epopeia da construção do Ginásio-Sede, completada há 50 anos, foi exemplar e paradigmática da capacidade empreendedora dos Barreirenses, a demolição do histórico ‘Manuel de Mello’ será um momento de tristeza. Mas também de Esperança. Um virar de página…
O Barreirense não está num marasmo ou moribundo! O Barreirense está vivo e tem futuro!
Bem sei que os tempos são outros. Mas há que (re)criar a Raiz e a Utopia. Acredito que conseguiremos erguer as estruturas de que carecemos. Vamos aproveitar a comparticipação estatal prevista na lei. Vamos dialogar e persuadir a Autarquia. Vamos atrair o tecido produtivo do Concelho, para a parceria e o mecenato. Vamos mobilizar os Associados para novas formas de colaboração. Mãos à Obra, Barreirenses!
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Conquistar a Juventude

Abril de 2004: cerca de quinhentos adeptos do FCB visitam Queluz, para o quinto e decisivo jogo dos quartos-de-final do playoff de atribuição do título de campeão da Liga TMN. Frente à poderosa equipa local – que veio a sagrar-se campeã – a nossa jovem e talentosa equipa foi derrotada no último segundo da partida. Incredulidade e tristeza invadiram os rostos Barreirenses.
Maio de 2005: cerca de seis mil espectadores lotaram o ‘Manuel de Mello’, no jogo decisivo para a subida do FCB à Divisão de Honra. Reviveram-se momentos de magia e fervor clubista. No final, consumada a vitória, uma onda de emoção e alegria extravasou os muros do velho recinto e estendeu-se, eufórica e demoradamente, pelas principais artérias da Cidade.
Novembro de 2006: situado na cauda da tabela classificativa, o FCB recebe o Messinense, em jogo da 8ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol da II Divisão - Zona D. Pouco mais de duas centenas espectadores, em bonita tarde outonal, conferem um aspecto desolador ao recinto e transmitem pouco calor humano, a uma equipa à procura de vitórias e de… tranquilidade.
É assim. No FCB, como na generalidade dos clubes portugueses. Resultados sequencialmente positivos atraem mais e mais adeptos, e esta convergência e simbiose conduz a mais vitórias. No oposto, com a sucessão de derrotas, cresce o desânimo e a frustração, o distanciamento instala-se e progride.
A prossecução de uma política orçamental rigorosa, sustentável e realista, não se saldará pela obtenção previsível, nos próximos anos, de resultados brilhantes pelas equipas de alta competição do Barreirense. Então, neste contexto, tradicional e cultural, há que perceber que dificilmente se conseguirá alcançar um significativo incremento do número de associados através da obtenção de níveis muito elevados de competitividade desportiva, que manifestamente não estão ao nosso alcance, sobretudo no futebol.
Há que relembrar, por outro lado, o real e preocupante problema demográfico do Barreiro. Comparados os censos de 1991 e de 2001, conclui-se que se verificou uma perda populacional global do Concelho do Barreiro e que a nossa população está envelhecida, com uma percentagem de jovens com idade inferior a 14 anos menor que a da generalidade dos outros Concelhos do Distrito de Setúbal. Quando me recordo que o Plano Director Municipal de 1993 apontava para uma previsão de cerca de 200.000 habitantes e que a população actual é inferior a 80.000…
São óbvias as consequências desta evolução demográfica que, a confirmar-se nos próximos anos, constituirá grave handicap para o rejuvenescimento da massa associativa do FCB, para o recrutamento de um número significativo de atletas e para a probabilidade de formação de talentos. Vamos estar certamente muito dependentes da evolução de alguns projectos decisivos para que o Barreiro ultrapasse o marasmo e a decadência actuais. Refiro-me, em concreto, à construção da Ponte (ferro-rodoviária!) Chelas-Barreiro, ao desenvolvimento e implementação do Masterplan, à conclusão do Polis, ao sucesso do Fórum Barreiro.
Pessimismo? Não!
Realismo? Sim!
Então, que fazer? Esboço duas propostas.
Primeira proposta: fortalecer a inserção do Barreirense na juventude. O FCB está algo envelhecido na sua estrutura etária. Os associados com idade inferior a 18 anos apenas representam 29% do total. Como atrair mais jovens ao associativismo Barreirense?
- incrementando a qualidade e a quantidade das estruturas desportivas de treino, competição e lazer
- divulgando as modalidades nas escolas, do ensino básico ao politécnico, seduzindo a prática desportiva no clube pela presença de atletas mais mediáticos em acções de promoção, difundindo a agenda desportiva semanal, realizando concursos, torneios e outras iniciativas
- promovendo organizações lúdicas e desportivas diversificadas, alternativas e atractivas
- aproveitando o Café e a Esplanada do Ginásio-Sede para atrair uma massa imensa de jovens, que em tempos não muito distantes, deram fulgor e alegria às noites daqueles espaços.
Segunda proposta: promover a captação de outros estratos populacionais. Algumas das medidas a seguir propostas foram já tentadas por diversos executivos, mas os seus fracos resultados não deverão constituir factor de desânimo nem de desistência. Como captar novos associados?
- promovendo parcerias com agentes económicos muito diversificados e concretizando um Cartão do Sócio, com descontos atribuídos na aquisição de bens e serviços
- concretizando a construção de um Health Club (‘franchisado’?) que seja, pela sua qualidade e modernidade, uma forma credível e consequente de atracção de novos sectores da população do Concelho
- repetindo formas tradicionais de angariação de novos associados, pela filiação de todos os nossos praticantes e estendendo essa proposta aos seus familiares e amigos
- identificando ex-sócios, cujo processo de refiliação deverá ser incentivado
- promovendo a reaproximação de ex-atletas, ex-treinadores e ex-dirigentes ao clube, aproveitando a comemoração de datas significantes dos seus percursos competitivos, …
Uma outra questão parece-me merecedora de uma breve avaliação e comentário: as massas associativas reagem invariavelmente mal e com desconfiança a qualquer proposta de aumento do valor da quotização. Ainda há relativamente pouco tempo, em Assembleia-Geral do Belenenses, as escassas dezenas de associados presentes reprovaram a proposta de incremento de €1 mensal. E isto acontece num clube histórico do desporto nacional, eclético, que participa ao mais alto nível em quatro modalidades. A verdade é que a maioria dos sócios dos clubes desportivos têm uma objectiva inapetência para conhecer, compreender e aceitar, os desafios imensos que consócios dedicados e militantes assumem, quando se disponibilizam para integrar cargos de responsabilidade directiva. Com culpas repartidas: por deficiente informação e escassa pedagogia dos Órgãos Sociais; por incapacidade de assumpção de deveres e responsabilidades por parte dos associados. No FCB, a cena é recorrentemente dejá vu. A cada subida do valor da quota segue-se o decréscimo do nosso número de associados. De forma simplista, mas não demagógica, relembro que o valor da quota mensal (adulto: €3) apenas representa o preço de um maço de tabaco ou de um bilhete (de segunda-feira!) numa sala de cinema. Mas a realidade tem mostrado uma perturbadora incapacidade de obter resultados positivos neste esforço de incremento da nossa massa associativa.
Concluindo, o caminho poderá ser então o de (re)criar novas formas de atracção dos cidadãos Barreirenses, pela renovação e rejuvenescimento da imagem do clube, pela construção de novos e diversificados espaços para a prática desportiva, pelas contrapartidas financeiras inerentes à condição de associado na aquisição de bens e serviços muito diversos e significantes para o seu dia a dia. É um trajecto difícil, mas não impossível. Os desafio e os obstáculos são muitos. As receitas e as soluções contingentes…
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[Excerto do Capítulo VIII - Amanhã
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

Esperança - dia dois

O susto de ontem.
A confiança para hoje.
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Parte 2 de um sonho.
Força Barreirense!

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Vamos a eles

Está quase a começar.
Eu acredito.
Na vitória.
Como dizem nuestros hermanos "a por ellos".

terça-feira, janeiro 20, 2009

Um dia especial



"Vou fazer uma pausa no estudo para ver a História acontecer".
Recebi este SMS às 16:56 de hoje.

Bruce Springsteen poderia lá ter estado. Com Aretha Franklin. Em Washington.

Por uma América diferente. Para um Mundo diferente.

Memória Barreirense (XLV)


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Modernizar e Democratizar
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É urgente e inadiável modernizar e democratizar o FCB!
Os Estatutos representam o ordenamento jurídico que condiciona e legitima toda a sua actividade. Devem adequar-se ao edifício jurídico geral do país e assumir-se como agente catalizador de uma mudança que tenho vindo a propor. Em 2006 desenvolvi a opinião de que é necessária e premente uma revisão estatutária para o FCB (“Por uma revisão dos Estatutos do FCB”, Jornal do Barreiro de 15 de Setembro). Limitar-me-ei agora a relembrar, a este respeito, as três principais ideias que então formulei, e que mantenho como válidas.
Ao ecletismo do FCB, traduzido na prática actual de seis modalidades, deverá corresponder uma adequada representação orgânica nos seus Órgãos Sociais. O Futebol e o Basquetebol são, inegavelmente, as modalidades mais representativas, mas o Xadrez, a Ginástica, o Kickboxing e a Natação são muito importantes no projecto desportivo do clube e têm prosseguido um percurso de afirmação, difícil mas permanente. Todas elas devem estar devidamente representadas e incorporadas a nível directivo, o que presentemente não se verifica. Parece-me assim correcta e consequente, a proposta de ampliação do número actual de Vice-Presidências da Direcção.
Em segundo lugar, defendo a criação, a exemplo do que já hoje acontece noutros clubes portugueses, de um órgão de reflexão e aconselhamento – o Conselho Barreirense – em substituição do estatutariamente consignado mas na prática inexistente Conselho Geral. Seria um órgão a eleger em Assembleia-Geral e porventura sem poder deliberativo, vocacionado e orientado para apoiar a Direcção na definição das grandes opções estratégicas do clube, e que deveria constituir-se como um grupo alargado de associados, globalmente representativo da sua pluralidade geracional, educacional, motivacional.
Por último, como então escrevi, “importa gratificar de forma mais vincada, e sem complexos, aqueles que fiéis à sua opção e sentimento, permanecem nossos consócios década após década”. A fórmula um sócio - um voto parece-me arcaica, injusta e desajustada. Importa corrigir, com coragem e com equilíbrio, esta fragilidade e incoerência do nosso regulamento eleitoral. Proponho então que o número de votos de cada sócio seja definido em função da sua longevidade associativa.
Estas três propostas de alteração estatutária que aqui recoloco, pretendem constituir um pontapé de saída (uma bola ao ar, um lance de peão e4, …), um contributo e um desafio que lanço para análise e discussão, a propósito de uma problemática que, repito, considero da máxima importância para o nosso futuro.
Para além da revisão estatutária sugerida, e que deverá suscitar o interesse, a participação e o contributo de um número significativo de associados, considero que os caminhos da modernização do FCB apenas serão trilhados com outra capacidade, eficácia e consistência, se o clube ousar promover e concretizar uma verdadeira e indispensável reforma administrativa. O aparente antagonismo entre uma estrutura administrativa profissional (Secretaria Central, Secções de Futebol e de Basquetebol, Departamento de Marketing, …) e um corpo de Directores e Seccionistas amador, não deve deixar margem para qualquer dúvida: quem define a gestão desportiva, financeira e administrativa do clube e determina as normas orientadoras para a sua implementação é a Direcção, emanada do sufrágio directo e universal dos associados, em Assembleia-Geral eleitoral.
O quadro administrativo do nosso clube tem de ser reformulado, melhorado, renovado. Em quantidade e em qualidade. É necessária mais competência, mais criatividade, mais polivalência. O recurso às novas tecnologias de informação, ainda num grau inacreditavelmente incipiente, tem de ser incrementado. É inaceitável que aspectos e factos tão simples, mas paralelamente tão importantes da vida do clube, como a divulgação da agenda desportiva semanal e a convocatória de Assembleias-Gerais, não sejam efectuados por newsletter a um número significativo dos nossos associados que em percentagem já certamente interessante têm acesso à Internet e prática regular da sua utilização.
Em sociedades modernas e abertas – que pretendemos incessantemente melhorar e aperfeiçoar – a circulação da informação, a transparência das políticas, o debate das ideias, são factores determinantes de Liberdade, de Democracia e de Progresso. A aproximação e o diálogo entre dirigentes e dirigidos, entre eleitos e eleitores, são condições indispensáveis para que no Barreirense todos sejamos protagonistas da construção e da transformação diária e permanente do clube que escolhemos e abraçámos. Quanto maior for esta consciência e esta comunhão, maior será a possibilidade dos Barreirenses, de todos os Barreirenses, entenderem as dificuldades presentes e os grandes desafios que se perspectivam.
O FCB necessita de uma redefinição estratégica e programática, de uma reformulação da política desportiva e de uma contenção orçamental, dolorosa mas inevitável. Quase me apetece falar em refundação do Barreirense. Exagero?
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Um clube com Projecto

O FCB deve ser um clube com projecto desportivo. Um projecto claro, sensato e coerente. Um projecto pensado, discutido e assumido. O FCB deve permanecer um Clube Eclético, Formador, Sério e Realista.
Clube Eclético: o Futebol e o Basquetebol têm sido as modalidades mais importantes e representativas. O número de praticantes, os títulos regionais e nacionais alcançados, a internacionalização de um número significativo de atletas, em representação das nossas cores, ou após transferência para outros clubes, são o testemunho desta evidência.
Apesar de afastado do principal escalão desde a década de 70, o Futebol ocupa ainda hoje o 23º lugar no ranking nacional. A conquista da Taça Ribeiro dos Reis (1968) e a participação na Taça das Cidades com Feira (1970) foram alguns dos momentos altos que tive a emoção de presenciar. As tardes de domingo no ‘Manuel de Mello’, com alegres e coloridas romarias populares aquando das visitas do Benfica, Sporting, FC Porto, Belenenses e Vitória de Setúbal, estarão ainda presentes na memória de muitos de nós.
No Basquetebol, a conquista de 2 Campeonatos Nacionais da I Divisão e de 6 Taças de Portugal foram proezas inesquecíveis. A visita do Real Madrid ao Barreiro (1958) foi um momento relevante da vida desportiva da então vila operária. Somos presentemente o primeiro clube nacional nos escalões de formação; 27 títulos nacionais, 16 dos quais obtidos nos últimos dez anos, são demonstração inequívoca desse estatuto.
O Xadrez conseguiu afirmar-se no panorama nacional nas duas últimas décadas, com bons resultados individuais e colectivos. O Kickboxing, porventura mais discreto e com menor visibilidade, tem também obtido algumas boas prestações. A Ginástica, modalidade de tão grande tradição no clube, embora sem o fulgor de outros tempos, prossegue o seu caminho. A Natação, limitada pelo espaço exíguo e recorrentemente problemático da Piscina Municipal, vem cumprindo uma função pedagógica e de lazer.
Importa que estas seis modalidades continuem a sua actividade, preservando a matriz eclética do FCB. Creio que seria interessante equacionar a prática de uma outra modalidade colectiva no nosso clube. O Voleibol, que teve alguma evidência na cidade há cerca de três décadas, ou o Andebol, modalidade sem expressão no histórico do desporto local, poderiam assumir-se como novas experiências, de forma paulatina, em articulação com o desporto escolar, e restrita numa primeira fase à prática nos escalões mais jovens.
Clube Formador: o FCB tem-se assumido no panorama desportivo nacional como um paradigma da formação de atletas, condição que nos identifica e nos distingue de muitos outros clubes, e que sustenta a prossecução da nossa actividade a nível sénior.
Apesar das manifestas insuficiências das estruturas e equipamentos desportivos disponíveis, as Secções de Futebol e de Basquetebol têm conseguido implementar a prática destas modalidades, de forma qualificada, a número muito significativo de jovens. Relembro que até Setembro último, o clube apenas dispunha de um relvado, entretanto desactivado, e que a prática de futebol nos escalões de formação, com a excepção da equipa júnior se desenrolava no pelado da Verderena, com iluminação e balneários obsoletos. Ainda assim, o Barreirense tem sido presença quase constante nos Campeonatos Nacionais de iniciados, juvenis e juniores, num esforço assinalável de atletas, pais, treinadores e dirigentes, que importa registar e enaltecer.
Ainda que melhor, a situação do Basquetebol está muito longe de corresponder às necessidades. O Ginásio-Sede tem uma área claramente exígua para o número de atletas que diariamente aí treina. Já acusava a voragem e erosão dos anos, com um piso degradado e perigoso para a integridade física dos atletas, situação finalmente ultrapassada em Outubro de 2007, com a implantação de um novo e magnífico piso. Algumas escolas secundárias têm protocolado com o clube a disponibilização dos seus pavilhões, uma alternativa útil, mas claramente de recurso. E a participação desde o ano 2000 na competição profissional só foi possível pela adaptação in extremis do Pavilhão Municipal Luís de Carvalho às exigências mínimas da Liga de Clubes de Basquetebol.
É neste contexto físico, qualitativa e quantitativamente muito deficitário, que o futebol e o basquetebol têm prosseguido a sua missão desportiva e educativa, com resultados desportivos muito para além dessa triste realidade. Autêntico milagre, dirão os mais atentos… com toda a razão!
Apesar destas dificuldades estruturais, das limitações orçamentais, dos problemas demográficos do Concelho, da crescente e nefasta atracção, no caso do futebol, dos centros de formação do Sporting (Alcochete) e do Benfica (Seixal), há que continuar e aprofundar uma política desportiva assente na formação de atletas e no aproveitamento dos mais talentosos para as equipas sénior. As nossas equipas de formação deverão continuar a ser alimentadas pela juventude do Barreiro e Concelhos limítrofes, com o recurso excepcional e equilibrado a atletas de outras proveniências, desde que acrescentem qualidade e competitividade. É que também somos um clube ambicioso e ganhador, e assim queremos continuar a ser.
A constituição das equipas de alta competição, com contextos e exigências manifestamente diferentes, deverá assentar nos atletas mais destacados oriundos da formação do clube. O recrutamento de outros atletas, mais experientes e quase sempre mais onerosos, continuará a ser uma necessidade óbvia e inquestionável, mas que deverá ser gerida com ponderação e inteligência. A promoção dos treinadores Barreirenses, a definição e implementação de modelos de jogo, a formação de dirigentes, seccionistas e colaboradores das secções (nas áreas da comunicação, estatística, etc.) deverão ser também aspectos programáticos de uma política desportiva que decorre em muitos aspectos da actual, mas que importa analisar e actualizar.
Clube Sério: notícias recentes [a propósito do caso Apito Dourado], mesmo se oriundas de gente aparentemente pouco credível e sem escrúpulos, mas com um grau de conhecimento de factos e situações que poderá vir a revelar-se de transcendente importância, mais não fizeram do que acrescentar um novo capítulo a uma novela triste e sórdida do futebol português. Múltiplos protagonistas do chamado desporto-rei – dirigentes, árbitros, empresários, políticos – têm enlameado os terrenos que pisam, desvirtuado a verdade desportiva e contribuído para a desacreditação do desporto em geral e do futebol em particular, inexplicavelmente (?) escudados e protegidos em alguns sectores dos meios jornalístico, político e judicial, numa teia de interesses e cumplicidades que importa investigar e condenar. Nesta torrente de suspeição, crescentemente avassaladora, pretende-se por vezes incorporar no mesmo saco, de forma apressada, leviana e injusta, a generalidade dos dirigentes e dos outros agentes desportivos. O FCB tem sido ao longo dos tempos um clube de enorme seriedade, onde os ilícitos internos terão sido excepcionais e a colaboração ou cumplicidade com esquemas menos transparentes, algo de completamente estranho à sua História. Assim tem sido, e assim será! Somos um exemplo de cultura cívica e desportiva. Esta(re)mos na vanguarda da luta pela verdade desportiva.
Clube Realista: o FCB deverá ser um clube responsável!
Orçamentos rigorosos e sustentáveis, com ponderação justa da atribuição às modalidades das receitas gerais do clube, um esforço de auto-financiamento das Secções, o controle rigoroso das receitas e despesas pelo Conselho Consultivo e de Contas, deverão constituir algumas das linhas orientadoras dos Órgãos Sociais. Imune a momentos financeiros conjuntural e excepcionalmente mais favoráveis, imune a caprichos pessoais ou de grupo, imune a derivas desportivas irresponsáveis e fugazes, os seus dirigentes deverão prosseguir uma política de coerência, estabilidade e contenção. Coerência, estabilidade e contenção, ao serviço de um Clube com Projecto, serão as vias mais consequentes de renovação e fortalecimento do FCB.

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[Excerto do Capítulo VIII - Amanhã
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Regionalizar?

Há quase um ano, em 17 de Fevereiro de 2008, publiquei em www.rostos.pt "Descentralizar ou Regionalizar?" relativo a uma problemática que volta a estar este ano na agenda política nacional.

“Não receeis que a descentralização seja a desagregação.”
Alexandre Herculano, “Carta aos eleitores do Círculo de Sintra”, 1858, Opúsculos

(citado por Luís Valente de Oliveira, “A Regionalização”, Edições Asa, 1996)

1976: a Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril, aprovou e decretou a Constituição da República Portuguesa, decorrente da Revolução de 25 de Abril de 1974, que “restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais” (Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa, Atlântica Editora – Coimbra, 1976).
A releitura da centena de páginas do texto, que adquiri em Maio de 1976 – que muitos anos passados amareleceram mas não empalideceram – recordou-me que o Capítulo IV do Título VIII da Parte III consagrou, nos seus artigos 256º a 263º, a Instituição das Regiões Administrativas no Continente.
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1996: Luís Valente de Oliveira (LVO), Doutor em Engenharia pela Universidade do Porto, com uma pós-graduação em Planeamento do Desenvolvimento Regional no Institute of Social Studies de Haia e o grau de Master of Science em Planeamento de Transportes no Imperial College da Universidade de Londres, e à época Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, deu à estampa o livro Regionalização. Além de prestigiado universitário, LVO fora Presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte, Ministro da Educação e Investigação Científica (Governo Mota Pinto, 1978/1979) e Ministro do Planeamento e da Administração do Território (Governos Cavaco Silva, 1985/1995).

Em Abril de 1996 li Regionalização com interesse e atenção – “uma reflexão política” e não “um estudo académico” como o autor prudentemente escreveu logo nas primeiras linhas da Introdução. Fiquei ainda mais sensibilizado para a importância da Regionalização Administrativa, solução defendida por LVO com clareza mas sem dogmatismos estéreis e pueris. Para LVO “nunca esteve em causa fazer no Continente uma regionalização política, conferindo às estruturas regionais poder legislativo ou mesmo somente regulamentador, se bem que limitado no seu campo de aplicação ao espaço regional”. E acrescentava que “o que se tem em mente é, simplesmente, a criação no Continente, de regiões administrativas, com o objectivo de ajustar o melhor possível as soluções aos problemas que se põem, de promover o desenvolvimento das diversas parcelas do território continental e de estimular um maior envolvimento dos Cidadãos na formulação daquelas soluções e na condução das acções que fazem com que aquele desenvolvimento seja mais rápido e consistente”. Convicto mas cauteloso, LVO não entendia a Regionalização como uma “moda” ou uma “panaceia”. Preconizava-a fundamentalmente como “instrumento do desenvolvimento”. Que deveria ser feita de forma “gradativa” e singular (sem imitação de qualquer outra experiência ou modelo externos). E realizada pelos melhores protagonistas. Confesso que me senti particularmente atraído pela visão e concepção de LVO. Posso mesmo dizer, que ele me conquistou para a “sua” causa.
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1997: a Revisão Constitucional concretizada nesse ano determinou que a formação de Regiões Administrativas só pudesse ser feita através de aprovação em Referendo. O Governo de António Guterres tentou estabelecer oito regiões administrativas eleitas em Portugal Continental – Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Interior, Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo, Região de Lisboa e Setúbal, Alentejo e Algarve. Este mapa de oito regiões foi depois oficializado pelo Decreto-Lei 18/98 e resultou inicialmente de um acordo entre o PS e o PCP, realizado em Julho de 1997. Na tentativa de viabilizar a Regionalização, foi estabelecido um compromisso entre as duas divisões propostas: o PCP aceitou uma única região Entre Douro e Minho e o PS desistiu da divisão Alto/Baixo Alentejo. Permaneci por essa altura fiel a uma vontade afirmativa de apoio ao processo em curso. Mas com uma objecção concreta, de natureza não conceptual: julgava mais adequada uma formatação de cinco Regiões – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve), correspondente às cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
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1998: amadureci entretanto a reflexão. Ponderei os prós e contras da minha anterior pulsão regionalista. E entendi que não estavam criadas condições para contribuir com o meu voto para a concretização da Regionalização Administrativa de Portugal. Mudara de opinião. Conscientemente.
A 8 de Novembro, apenas cerca de 48% dos Portugueses inscritos nos cadernos eleitorais compareceu no Referendo Nacional. A derrota estrondosa do “Sim” com apenas cerca de 35% dos votos expressos testemunhou claramente o receio da mudança proposta.
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2007: em 7 de Setembro, no âmbito da Reunião Extraordinária do Comité das Regiões (CR) que decorreu no Algarve, Nunes Correia, Ministro do Ambiente, admitiu que “o Governo assume levar a Regionalização a novo referendo na próxima legislatura”. Observou que no actual mandato o Governo está a “preparar todo o processo”, que passa por “consolidar o mapa das regiões (cinco regiões plano) e reestruturar os serviços da Administração Pública”, salientando que será sempre “necessário reunir consenso político alargado”. Nunes Correia admitiu que a Regionalização “é um processo essencial para o reforço da competitividade e da própria democracia” e que na próxima legislatura, se o Governo se mantiver, “vai ter lugar em Portugal o processo da Regionalização”.

Michel Delebarre, responsável máximo do CR, disse no referido fórum que “estamos perante a globalização e o desafio da concorrência, e só os países regionalizados terão condições para competir”. E acrescentou que nos dias de hoje a Regionalização “é incontornável” e que “todos os países que ainda não o fizeram terão de o fazer nos próximos anos”.
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2008: é possível que Michel Delabarre, Nunes Correia e José Sócrates tenham razão. E que passada uma década, as condições objectivas sejam agora diferentes, os protagonistas e defensores da Regionalização mais responsáveis e credíveis, e os Portugueses se mostrem mais disponíveis para a mudança.
É necessário que a Regionalização seja analisada e discutida. E referendada. Então, o Povo dirá de sua justiça, uma vez mais…
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domingo, janeiro 18, 2009

Perder e ganhar


a
Ganha-se e perde-se. Na vida.
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É bom ganhar.
Faz-nos bem.
É sempre útil saber porque se ganhou.
E como se ganhou.
a
Uns ganham muitas vezes.
Outros, nem por isso.
Uns são temperados e modestos na vitória.
Outros, desplicentes e arrogantes.
a
É importante não ganhar sempre.
Ajuda-nos a reflectir. A crescer. A aprender.
a
É inevitável perder. De quando em vez.
É então saudável perceber como se perdeu.
E porque se perdeu.
a
Uns perdem muitas vezes.
Outros, apenas às vezes.
Uns aceitam melhor a derrota.
Outros toleram-na com dificuldade. Ou não a admitem.
a
Não se ganha muitas vezes por acaso.
Quando se faz bem, a vitória é mais provável.
Quando se quer muito ganhar, a vitória fica mais próxima.
Ou seja, o mérito e a vontade são decisivos. Quase sempre.
a
Julgamos às vezes que somos os melhores.
Hipervalorizamos as nossas competências.
Excedemo-nos num optimismo infundado.
Iludimo-nos numa apreciação desfocada.
a
Nem sempre é essa a realidade. E acontece perder.
Pela ilusão. Pelo erro de cálculo. Pela confiança excessiva.
Subestimamos o adversário. Os seus atributos.
As suas armas. A sua determinação.
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Ontem, no Barreiro, perdemos.
Os Barreirenses.
Parabéns... ao Guimarães Basket.
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sábado, janeiro 17, 2009

Touros, como eu



Que temos em comum?
Sermos Touros: eu de 13, o Byrne de 14 e o Eno de 15.
Mas, mais importante: gostarmos muito de música.
Eles com enorme talento e, no caso de Eno, genialidade.
Eu, com dedicada e atenta procura de sons diferentes e alternativos. Há muitos anos…

Everything That Happens Will Happen Today, Álbum 2008 de David Byrne & Brian Eno, foi o 9º classificado para Nuno Galopim e os seus Discos Voadores (Radar FM, 97.8).
Enquanto não o recebo de Inglaterra, aqui fica um excerto que partilho convosco.

A palavra


.
Entrou no léxico da vida política portuguesa.
De forma recorrente, cansativa, obsessiva.
Para tudo querer dizer.
E nada significar. Ou quase nada…
São políticos. De influência nacional, regional e local.
São jornalistas. Mais ou menos independentes.
São comentadores. Mais ou menos comprometidos.
Já começa a cansar.
Quando todos surgem a reivindicá-la.
Porque poucos parecem justificá-la.
Se apenas alguns verdadeiramente a merecem.
.

Memória Barreirense (XLIV)


a
Uma esperança que não finda
Uma fé que tudo vence!
Um valor mais alto ainda
Um só nome: Barreirense!

Jorge Soares
a
2 de Fevereiro de 2007

Completei nessa data a publicação no Jornal do Barreiro de uma série de textos subordinados ao tema “Barreirense: que futuro?”. A reflexão que apresentei ao longo de dez semanas decorreu do impulso inicial de escrever um artigo de opinião. Rapidamente me apercebi de que havia ‘pano para mangas’ e que se justificaria algum desenvolvimento complementar dos diversos aspectos abordados na prosa inaugural. E assim redigi a sequência de artigos que o prestigiado periódico teve a amabilidade e deferência de publicar. Não pretendi fazer um trabalho exaustivo acerca do tema, mas apenas levantar algumas questões e, eventualmente, suscitar polémica. Procurei ser claro e simples, exigente e construtivo, na forma e no conteúdo.
A vontade de pensar o Barreirense e o propósito de desafiar os Barreirenses para uma reflexão séria, profunda e participada, não pareceram particularmente estimulantes. Não assinalei qualquer posterior contributo, publicado naquele órgão de comunicação, ou em qualquer outro. Chegaram-me apenas alguns comentários, genericamente favoráveis e encorajadores. Mas nada mais…
Ainda assim, considero a minha intervenção positiva e apropriada. Por isso resolvi incorporá-la neste livro. O seu conteúdo está aqui reproduzido praticamente na íntegra. Corrigi apenas alguns pormenores ou imprecisões, que o tempo entretanto decorrido impôs.
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A questão

Será o FCB um clube com futuro? A pergunta, aqui e agora formulada com descarada crueza e frontalidade, poderá ser entendida por alguns como despropositada e provocatória, mas oportuna e estimulante por outros.
Com uma história de mais de 96 anos, o percurso do FCB tem sido, de forma consequente e inquestionável, a afirmação de uma “Instituição de Utilidade Pública” que conquistou por direito próprio um lugar destacado no desporto português. Desde a sua fundação, embora financeiramente pobre e estruturalmente frágil, o FCB foi sempre um clube com uma forte mística e ambição. O futebol e o basquetebol – as duas modalidades mais representativas e significantes para o universo dos associados e adeptos Barreirenses – tiveram ao longo da sua história, como seria expectável numa instituição quase centenária, momentos de maior vigor e excelência que alternaram com períodos de menor fulgor e destaque. No presente, a nível sénior, o basquetebol prossegue, ainda que com manifesta dificuldade, o seu percurso no patamar competitivo mais elevado. Mas o futebol disputa o 4º escalão nacional, não se vislumbrando a possibilidade de nos próximos anos estabilizar em níveis claramente superiores.
Num tempo em que Portugal continua a defrontar-se, ainda que com sinais positivos de recuperação, com dificuldades financeiras e orçamentais e a recuperação económica tarda em consolidar-se, a generalidade dos clubes desportivos acusa evidentes sinais de fragilidade e dependência. Alguns pereceram, outros têm a morte anunciada, muitos revelam uma viabilidade manifestamente comprometida. Década após década, governo após governo, tem-se assistido à incapacidade de definição de uma política desportiva nacional consistente, alicerçada no crescimento racional das infra-estruturas e na promoção efectiva do desporto escolar, do ensino básico ao universitário. As autarquias têm desempenhado um papel importante, e vêem constituindo um suporte decisivo para a actividade de muitos clubes, umas vezes de forma coerente e sustentada, outras vezes concretizada com demagogia e ‘cinzentismo’. A nova Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, publicada em Diário da República no início de 2007, condicionará uma maior exigência e transparência no apoio autárquico à prática desportiva, nomeadamente na sua vertente profissional. Por outro lado, os responsáveis desportivos, quantas vezes diletantes e arrivistas, verão progressivamente aumentada a sua co-responsabilização na condução financeira e fiscal dos clubes que representam e dirigem.
É neste contexto de dificuldades e constrangimentos económico-financeiros e de um novo enquadramento legal, que importa reflectir acerca do futuro do FCB. Tenho, desde há algum tempo, a convicção, reforçada e amadurecida pela minha passagem pelos seus Órgãos Sociais, de que é urgente e inadiável uma análise profunda e rigorosa, séria e participada. O nosso clube tem massa crítica capaz de assumir tão importante desafio, associados dedicados e competentes para assegurar o seu devir próximo. O FCB do século XXI deverá ser:
- conceptualmente criativo
- desportivamente ambicioso
- estruturalmente realista
- administrativamente moderno
- política e financeiramente independente.
Alguns conceitos programáticos deverão servir de fundamento para uma acção consequente. Assim, importa em minha opinião:
- analisar e reforçar a matriz e identidade do clube
- promover uma revisão estatutária
- definir uma nova política desportiva
- modernizar a organização administrativa
- projectar a estrutura e dimensão das instalações desportivas
- fomentar o crescimento da massa adepta e associativa
- renovar as áreas de comunicação, imagem e merchandising
- melhorar os índices de democraticidade e participação
- incrementar a inserção na juventude Barreirense
- reformular o contrato-programa com a autarquia
- atrair e conquistar o tecido empresarial
- aprofundar a ligação aos agentes culturais.
Tentarei nas páginas seguintes, de forma despretensiosa mas construtiva, aprofundar a dúzia de aspectos supracitados e formular algumas propostas concretas, num contributo que desejo responsável e estimulante, eventualmente merecedor da atenção, crítica e colaboração de um número alargado de Barreirenses.
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Uma Matriz, uma Identidade

Quando em 11 de Abril de 1911, numa minúscula e sombria casa situada na Avenida Almirante Reis, um grupo de Barreirenses presidido por Francisco Augusto Nunes Vasconcelos fundou o Foot-Ball Club Barreirense, poucos terão sido os que anteciparam estar no limiar de um clube que, nas bonitas e generosas palavras de José Rosa Figueiredo “se dilatou para além das ambições dos seus modestos pioneiros e a quem os mais optimistas jamais augurariam uma tão longa existência e tão recheada de feitos que muito a enobreceriam e à terra que lhe foi berço”.
Com uma história quase centenária, protagonizada por muitos milhares de cidadãos, o FCB foi na sua matriz fundadora, e assim tem permanecido, um clube popular, democrático e independente.
Os casapianos, ferroviários, comerciantes, industriais, estudantes e intelectuais que estiveram na sua génese, foram o prenúncio de uma colectividade pluri e inter-classista, mas genuinamente popular. Ao longo de mais de 96 anos, o FCB tem sabido manter esse vínculo tão verdadeiro, claro e estratégico com o Povo do Barreiro, crescendo gemelarmente com ele, abraçando-o nos momentos de vitória, e com ele sofrendo as vicissitudes e as desilusões das derrotas e dos insucessos. Demos voz, alegria e identidade ao Barreiro e aos Barreirenses. Somos parte da sua História. O Barreiro orgulha-se de nós!
Temos sido o paradigma de um clube democrático. Com respeito pelos Estatutos, Direcções sufragadas e legitimadas pelo voto dos sócios, Assembleias-Gerais livres e participadas. Mesmo nos momentos de impasse e vazio directivo, as Comissões Administrativas, conjunturalmente constituídas e intrinsecamente provisórias, foram sempre atentamente escrutinadas pelos associados.
Temos sido um clube independente. Percorremos o Estado Novo sem qualquer identificação com o regime ditatorial. E, quando alguns dos seus prosélitos integraram os Órgãos Sociais do FCB, fizeram-no ao serviço do clube, acima das suas legítimas mas criticáveis convicções políticas e doutrinárias. Após o 25 de Abril, soubemos combater e impedir, com coragem e determinação, a deriva irresponsável e totalitária que tudo e todos quis influenciar e dominar. Numa fomos dependentes do poder económico. A heróica construção do Ginásio-Sede, cujo cinquentenário se celebrou em Maio de 2006, foi um exemplo magnífico do impulso sonhador, da vontade, da mística e da capacidade empreendedora da nossa massa de associados e adeptos, um testemunho inexcedível da comunhão do FCB com o Barreiro. Reconhecemos o extraordinário contributo que alguns associados prestaram ao longo da nossa história e que foi, em momentos de crise e de estrangulamento financeiro, o garante da viabilidade do clube, da sua renovação e perenidade. Mas soubemos identificar os oportunistas que episodicamente quiseram servir-se do FCB e afastámo-los do nosso seio, sem hesitação e sem prejuízos ou danos irreparáveis.
Nunca fomos um clube-satélite. Sabemos que parte da nossa massa adepta e associativa nutre também uma simpatia particular por algum dos ‘grandes’ do desporto português. Mas nunca nos vergámos ao seu peso e influência. Fomos, somos e continuaremos a ser, alfobre de grandes atletas, treinadores e dirigentes que nasceram e cresceram no Barreirense. Alguns, projectaram nesses clubes, o local presumivelmente mais adequado para amadurecer e potenciar as suas capacidades competitivas e melhorar a sua condição económica.
Temos orgulho da nossa obra, do contributo para a formação cívica e desportiva de sucessivas gerações de cidadãos, de todos eles, dos que sempre permaneceram entre nós e daqueles que optaram pela diáspora. Somos, como pretendi demonstrar, um clube popular, democrático e independente. Com história e com obra. Com mística e com ambição.
É verdade que o conhecimento do nosso curriculum vitae é fundamental para se compreender a nossa Matriz e a forma serena, estóica e consequente como fomos forjando a nossa Identidade. O livro 70 Anos de Vida do Futebol Clube Barreirense de José Rosa Figueiredo, os espólios de Alfredo Zarcos (doado por seu filho à Câmara Municipal do Barreiro) e de Carlos Silva Pais (regularmente divulgado nas páginas do Jornal do Barreiro), são alguns exemplos de fontes que considero fundamentais para o aprofundamento desse conhecimento. Mas está ainda por fazer a História do FCB. A narração de todas as suas modalidades, dos seus mais ilustres protagonistas, dos momentos de glória e dos períodos de ocaso. A análise fria, rigorosa e científica, que apenas os académicos estão apetrechados para concretizar. Um tema para Tese de Mestrado, porque não?
Ao aproximar-se de forma célere do seu centenário, o FCB debate-se com dificuldades financeiras, limitações estruturais, dúvidas existenciais e divisões internas, que podem tolher o futuro, próximo e distante, e comprometer o seu crescimento e desenvolvimento. Todos não seremos demais para prosseguir o nosso belo destino colectivo. Sabemos quantos somos [Novembro de 2006]: 5.018 associados. Sabemos também que 1.452 (29%) são menores de 18 anos, que apenas 755 (15%) são mulheres e que escassos 410 (8%) residem fora do Concelho do Barreiro. Mas pergunto:
- quem são os Barreirenses?
- como vêm o FCB?
- o que querem os Barreirenses?
- como projectam o FCB do século XXI?
E interrogo-me ainda:
- quantos são estudantes?
- quantos são trabalhadores no activo e em que actividades profissionais?
- quantos são os aposentados e reformados?
- qual a sua ligação, passada ou presente, ao clube?
- qual o seu grau de instrução?
- qual a sua condição económica?
- quais os seus hobbies predilectos?
- que outra simpatia clubista?
Este estudo do nosso clube, demográfico e sociológico, aqui muito sumariamente esboçado, mas que considero necessário e inadiável, deverá constituir uma ferramenta imprescindível para a definição e a clarificação da nossa Identidade, a forma mais rigorosa e científica de conhecermos o sentir e o pulsar daquilo que é a principal riqueza e património do FCB, a massa associativa.
Paralelamente a este trabalho de campo, defendo ainda a necessidade de constituição de um grupo de reflexão que, devidamente credenciado e mandatado em Assembleia-Geral, proceda à análise e discussão da situação presente do Barreirense e à projecção dos caminhos do futuro. O desafio está lançado…

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[Excerto do Capítulo VIII - Amanhã
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Um catalão "português"



Nesta Viagem a Itaca reencontro Lluis Llach, trinta anos mais velho que o extraordinário cantautor nacionalista catalão que tive o privilégio de conhecer numa noite de Verão, em Espanha.
Do Camping onde estava instalado até à vila onde actuou (e cujo nome não recordo) percorri cerca de oito km a pé na companhia do Jorge Esteves para presenciar uma actuação fantástica, ao luar de uma quente noite de Agosto. Estávamos em 1976 (ou 77?).
No final da primeira parte dirigi-me ao palco. Solicitei-lhe que interpretasse Abril 74, que compusera em nome e honra da nossa Revolução dos Cravos. Falou-me com simpatia. Mas foi enigmático na resposta.
A surpresa veio depois. No reinício do espectáculo, falou da presença de portugueses na assistência (saudada pelos presentes) e satisfez o meu pedido. Foi fabuloso aquele momento.

Memória Barreirense (XLIII)


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De outros ‘futebóis’

O internacional uruguaio Henrique Raul Câmpora, natural de Montevideu, foi o futebolista estrangeiro de melhor qualidade que vi representar o FCB. Chegou a Portugal a 8 de Maio de 1970 proveniente do Sport Recife (Brasil). No dia seguinte, Carlos Ramildes, de A Bola, publicou uma entrevista em que o atleta afirmou “gosto de meter a brasa” [jogar no duro]. Câmpora foi de facto um jogador duro, às vezes irascível, mas quase sempre leal. Aliou essa dureza a uma combatividade invejável e a uma execução técnica acima da média. Foi um grande médio-ofensivo. Lembro-me da sua chegada ao topo norte do ‘Manuel de Mello’, no dia 10 de Maio de 1970, para presenciar um FCB-Oriental (1-1), a contar para a Taça Ribeiro dos Reis. Prosseguiu mais tarde, com assinalável êxito, a sua carreira ao serviço do Vitória de Setúbal. Vim a travar uma relação de amizade com Câmpora. Fomos colegas de equipa num Torneio de Verão de Voleibol (!) organizado pelo FCB. Radicou-se no Barreiro, com actividade profissional na área da construção civil.
Na época de estreia de Câmpora no FCB, chegou ao Barreiro um jovem brasileiro de 20 anos, natural do Rio de Janeiro, Manuel Resende de Matos, Nelinho. Foi um caso atípico e enigmático. Treinado primeiro pelo seu compatriota Edsel Fernandes (que foi meu professor de Educação Física no Liceu Nacional de Setúbal - Secção do Barreiro) e depois por Artur Quaresma, que lhe sucedeu após inevitável ‘chicotada psicológica’. Vi-o marcar 6 (!) golos num jogo de reservas. Por uma lesão antiga ou por má adaptação, o facto é que Nelinho regressou ainda nessa temporada ao Brasil. E em 1974 foi titular do Brasil no X Campeonato Mundial de Futebol realizado na República Federal da Alemanha, ganho pelo país anfitrião e onde o Brasil, já sem Pelé, Gerson e Tostão, não repetiu a proeza de 1970, terminando em modesto 4º lugar.
Também originário da Terra de Vera Cruz, o avançado Jarciel representou o FCB de 1988 a 1991. Proveniente do Paulistanos do Brasil, chegou a Portugal com apenas 22 anos. Creio que tinha talento suficiente para uma carreira de sucesso, mas uma lesão no joelho direito cuja recuperação pós-cirúrgica não foi total, limitou-lhe a progressão para que parecia vocacionado e atirou-o para divisões inferiores, numa carreira curta e discreta, sem títulos e sem glória.
Recordo-me ainda, embora vagamente, do talentoso Azumir, avançado brasileiro que em 1964 vi erguer na qualidade de capitão a Taça de Campeão Nacional da II Divisão, numa final disputada em Leiria, em que o FCB venceu o Tirsense por 3-1.
Dois outros estrangeiros de inegável qualidade, e que nunca vi jogar, foram curiosamente atletas do FCB no ano do meu nascimento. Refiro-me a Oñoro e a Fabian. Angel Dias Oñoro, avançado espanhol nascido em Sevilha, veio para o Barreiro na época de 1955/1956, proveniente do Hércules de Alicante. Foi mais tarde treinador do clube, temporada de 1964/1965, quando ficou ligado a mais uma subida à I Divisão. Josef Fabian, avançado húngaro, jogou no Torino de Itália e no Sporting, de onde chegou para representar o FCB no biénio 1955-1957.
As condições financeiras do FCB ao longo da sua história foram sempre muito limitadas, pelo que não se estranha o facto de o clube apenas episodicamente ter conseguido adquirir futebolistas estrangeiros de qualidade mais relevante. As nossas equipas foram sendo quase sempre estruturadas a partir de atletas provenientes da formação e, reforçadas maioritariamente por outros portugueses, naturais do continente ou oriundos das então designadas províncias ultramarinas. A partir da década de 80, a aquisição de futebolistas brasileiros foi mais habitual, mas invariavelmente a baixo custo e de qualidade sofrível.
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Diáspora

A esmagadora maioria dos maiores vultos do basquetebol do FCB dos anos 30 a 60 conheceram um só amor. Berardo Soeiro e os irmãos Albino e José Macedo foram alguns dos muitos que se mantiveram eternamente fiéis ao nosso clube.
Berardo Soeiro “um exemplo raro de dedicação clubista e de longevidade na prática do desporto” (Jornal do Barreiro, de 18 de Outubro de 1951) foi o primeiro grande basquetebolista Barreirense. No Jornal do Barreiro de 24 de Janeiro de 1952, Alfredo Zarcos dedicou-lhe palavras altamente elogiosas aquando do seu abandono como atleta.

Dos numerosos títulos que ilustram a sua longa carreira, dois avultam pela grandiosidade que os distinguem e colocam o atleta num plano raramente atingido: o da longevidade desportiva e o da fidelidade clubista de que Soeiro é autêntico campeão.
Vinte e cinco anos a jogar basquetebol, cingindo sempre ao peito numa leal e generosa dedicação a camisola rubro-branca do seu clube de sempre. (...)
A sua ascensão foi rápida, fulgurante e breve o jovem basquetebolista se cotava como o melhor entre os melhores marcadores nacionais. (...)
E os anos foram rolando épocas sobre épocas passam e Soeiro sempre igual a si mesmo, brilhante e dedicado, jovem e valoroso, mantém-se inalterável afirmando uma classe excepcional que o conduz à internacionalização. (...)
Os anos não perdoam e hoje Soeiro, com quarenta já feitos, apesar de ser ainda uma utilidade dentro da cuidada organização que ao Barreirense merece o basquetebol, sente chegada a hora da retirada.

Vi partir muitos basquetebolistas para outros clubes. Melhores condições financeiras (quase sempre) e projectos desportivos mais ambiciosos (algumas vezes), foram razões fortes e muito respeitáveis que determinaram a saída, às vezes com bilhete de retorno, de alguns dos nossos maiores talentos. Esta foi uma tendência que se consolidou com a evolução da modalidade para padrões de semi-profissionalismo ou mesmo de profissionalismo. Recordo, por ordem alfabética, Álvaro Mota, António Minhava, António Pires, António Tavares, Carlos Freire, Diogo Carreira, Eugénio Silva, Fernando Carreira, Henrique Pina, Hugo Pedrosa, João Betinho Gomes, João Moura, Joaquim Saiote e Miguel Minhava.
Alguns, felizmente poucos, dos atletas que nos representaram e foram inclusivamente campeões nacionais pelo FCB, esquecem-se do seu passado e apresentam por vezes desculpas, no mínimo inconsistentes, para afastamentos e ingratidões, que me parecem criticáveis. Há cerca de dois anos, ouvi um antigo campeão nacional pelo FCB criticar a constituição da nossa equipa sénior por, em sua opinião, ter poucas referências locais; quando mais de metade do nosso plantel era procedente da formação. O Benfica, clube do seu coração, veio pouco depois ao Barreiro (4 de Abril de 2006), em jogo a relativo à 35ª jornada da fase regular da Liga Profissional. Dos sete jogadores utilizados nessa partida, nada menos de cinco eram de proveniência norte-americana, um de origem cabo-verdiana e o sétimo… o ex-FCB Miguel Minhava. Engraçado!
Também nem sempre apreciei o comportamento de alguns dos nossos ex-atletas, quando nos defrontaram. Não se critica a sua legítima aspiração, desportiva e financeira, num mundo tão globalizado e onde os valores materiais ganharam claro ascendente. Mas não confundamos profissionalismo com manifestações, desajustadas e infantis, de arrogância e soberba. Bem sei que não são muitos os desportistas com a estatura e a elevação de um Rui Costa. É algo que, concluo, se aprende melhor nos caminhos nem sempre lineares e fáceis da Vida, do que nos bancos da Universidade…

Bem mais antiga e dominante foi a atracção que os maiores clubes nacionais exerceram sobre os futebolistas do FCB que foram mostrando credenciais desde os escalões de formação, ou em fases ainda iniciais dos seus percursos profissionais.
Bento, Jorge Silva e Neno foram guarda-redes de enorme qualidade. Dos quais presenciei grandes exibições ao serviço do FCB. Prosseguiram carreiras de sucesso e foram internacionais. Adolfo, Frederico e Jorge Ferreira foram defesas de muito valor que acompanhei nos anos 60 e 70 e que o FCB projectou para clubes de outra dimensão, onde também alcançaram a internacionalização. Carlos Manuel – “herói de Estugarda” – e Valter, actual treinador da equipa sénior, foram médios de inegável dimensão, ambos internacionais, exemplares na determinação e empenho com que disputavam cada lance e na eficácia com que transportavam a bola para o ataque. Chalana foi o mais talentoso de todos. Integrou os seniores do FCB aos 16 anos. Um extremo-esquerdo invulgar que me fascinou em treinos admiráveis no ‘Manuel de Mello’ e que o infortúnio das lesões e outras agruras da vida afastaram precocemente dos relvados.
Não vi jogar in loco outro grande avançado do FCB, o meu amigo e ‘magriço’ José Augusto, certamente um dos mais velozes e consequentes extremos-direitos do futebol português. Como não vi, obviamente, outros grandes vultos dos anos 20 a 50. Mas que a História não esquece. Como os guarda-redes Carlos Gomes, Francisco Câmara, Francisco Silva e João Azevedo, os defesas Eduardo Reis Casaca e Raul Pascoal, os médios Álvaro Pina, Francisco Moreira e Ricardo Vale e os avançados Albano, Armando Ferreira, Arsénio, João Silva Faia, João Pireza, Pacheco Nobre, Pedro Pireza e Raul Jorge.
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Não se medem aos palmos

Foram duas individualidades muito peculiares no universo Barreirense. De baixa estatura física.
António Soeiro Caco, nascido em Lisboa a 4 de Abril de 1911, veio com apenas 2 anos, para o Barreiro. Durante algumas décadas, foi roupeiro do FCB e guarda do ‘Manuel de Mello’, residindo num espaço exíguo nos baixos da curva noroeste da sua bancada. Conheci-o pessoalmente. Tantos anos de ‘balneário’ granjearam-lhe enorme simpatia em gerações sucessivas de futebolistas, cujos equipamentos e calçado foi tratando com o máximo desvelo. Gabava-se de, logo à chegada de um novo recruta, lhe adivinhar a sua qualidade, pela forma de se calçar. Creio que não poucas vezes acertou em cheio na sua capacidade premonitória. Foi um Homem simples, competente e responsável. Um grande Barreirense!
Muito pequeno pela sua acondroplasia, o Toino Anão foi uma personagem incontornável da história do FCB e também do Barreiro. Cauteleiro de profissão foi agente de prosperidade financeira para alguns conterrâneos mais sortudos ao jogo. Espalhou simpatia e carisma por toda a vila, depois cidade. Mas algumas crianças não lhe achavam lá muita graça… Grande apaixonado pelo FCB, foi presença regular nos palcos onde as nossas equipas de futebol, e também de basquetebol, se exibiram. O meu tio José Alves, seu particular amigo, aproveitava para com ele gracejar, sempre que se cruzavam. Recordo-me de o ver no Ginásio-Sede, nos grandes momentos de celebração de algumas vitórias históricas do nosso clube. Apesar da sua estatura, havia sempre uns ombros mais fortes e disponíveis ou um parapeito mais a jeito, por onde se projectava e destacava. Foi um ícone Barreirense!

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[Conclusão do Capítulo VII - Lugar no Pódio
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Somos mesmo diferentes


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Sugiro o seguinte exercício: atentar nas declarações dos treinadores ingleses no final de cada jogo da Premier League, que a SPORT TV transmite todas as semanas. Invariavelmente dignas, lúcidas, sensatas e responsáveis.

O Futebol adquiriu na Inglaterra uma dimensão económica e financeira que exige dos seus intervenientes - jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros - padrões elevados de disciplina e fair-play.

Combatido o hooliganismo - de forma redobrada e vitoriosa após a tragédia de Heysel Park - os estádios ingleses apresentam hoje excelentes taxas de lotação, com elevados padrões de segurança, e são o palco de jogos magníficos, com grande emoção e competitividade.

Olhamos para Portugal e vemos o inverso: intervenientes irresponsáveis (para não utilizar uma terminologia mais agressiva, mas não menos verdadeira), estádios despojados de calor humano, jogos qualitativamente nivelados por baixo (ainda que pontuados por alguma competitividade).

Como transformar esta nossa realidade?

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