sábado, novembro 29, 2008

Pelo SNS

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Apetece-me voltar a 3 de Fevereiro.
Dia em que escrevi em www.rostos.pt
na minha coluna AOS DOMINGOS TAMBÉM SE ESCREVE:
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Boa sorte Ana
Conheço bem a recém-empossada Ministra da Saúde do XVII Governo Constitucional, a minha amiga Ana Jorge.
Com o Professor Torrado da Silva e alguns outros pioneiros, fundámos, em Dezembro de 1991, o Serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta. E fizémo-lo crescer, desenvolver-se, tornar-se um dos melhores Serviços de Pediatria do nosso país.
Depois da morte de Torrado da Silva, a Dra. Ana Jorge soube honrar a memória do nosso Mestre, assumindo a direcção do Serviço até à passada 3ª feira, com uma comissão intercalar de serviço (Janeiro de 1997 a Dezembro de 2000) na presidência da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo. E o nosso Serviço manteve a matriz humanista, a qualidade assistencial, a vocação pedagógica, a democraticidade interna, aprendidas e desenvolvidas com e por Torrado da Silva.
É com tristeza que a vejo partir, para talvez não mais voltar. Mas é com renovada esperança que acredito na sua capacidade de reformar o Serviço Nacional de Saúde. Com competência, serenidade, inteligência e persuasão. Afinal, da forma como sempre desenvolveu a sua actividade cívica e profissional, numa carreira de mais de trinta anos de sucesso curricular e de devoção à causa pública.
Boa sorte, Ana.

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Depois do 8 de Março, quando esteve comigo no lançamento de "PROVA DeVIDA - estórias e memórias do meu Barreirense", não voltei a ver a minha amiga Ana Jorge.
Acredito que os dias não lhe têm sido fáceis. Foi preciso um novo estilo de governação. Prosseguir alguns caminhos. Reinventar outros.
Acabo de ler a sua entrevista de hoje ao Expresso. Honesta na assumpção das dificuldades. Genuína na demonstração das "angústias". Convicta na importância do diálogo e do esclarecimento.
Quero acreditar que o Serviço Nacional de Saúde não morrerá. E que nós - Ana Jorge incluída -, devotados servidores da causa pública, seremos melhor recompensados pelas nossas convicções, pela nossa persistência e pela nossa dedicação... exclusiva.
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É Novembro. Chove...


Guns N´Roses
November rain

Comunicação e Imagem

A Comissão Pró Pavilhão do Futebol Clube Barreirense, no âmbito da sua diversificada actividade, dedicará particular atenção à Comunicação e Imagem.

O renovado VOZ DO BARREIRO de 18 de Outubro destinou uma página à divulgação inicial do nosso projecto, tendo-se constituído como o primeiro órgão de comunicação social a ter uma atitude e uma disponibilidade que pretendemos ver estendida a muitos mais.
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Nos anos cinquenta do século passado o JORNAL DO BARREIRO, quase sempre pela pena do saudoso Alfredo Zarcos, foi um veículo fundamental na informação e mobilização dos Barreirenses para a construção do Ginásio-Sede.
Foram textos arrebatados, fervorosos. Com um estilo próprio. De extrema utilidade e enorme eficácia.
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Reconhecemos a importância da Comunicação e Imagem na transmissão da nossa mensagem, na mobilização dos nossos associados e adeptos, na demonstração da justeza e oportunidade dos nossos propósitos.
Sabemos que só assim poderemos chegar a sectores mais diversificados da opinião pública e das forças vivas do Concelho do Barreiro.
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Amanhã, 30 de Novembro, será lançado o Blogue da Comissão Pró Pavilhão do Futebol Clube Barreirense.
Publicaremos o novo Manifesto.
Divulgaremos o Regulamento aprovado na Assembleia-Geral Extraordinária de 30 de Setembro.
Falaremos da primeira reunião com a Câmara Municipal do Barreiro, decorrida no passado dia 11 de Novembro.
Abriremos espaço para comentários e sugestões.
Estimularemos a opinião de diversas personalidades ligadas ao Desporto, à Administração Central e Local, ao Mundo Empresarial.
Contamos consigo.


[DESPORTO À PORTUGUESA, www.rostos.pt]

sexta-feira, novembro 28, 2008

Memória Barreirense (XXVII)



Deixem passar o histórico

Penúltima jornada do Campeonato Nacional de Futebol da II Divisão - Série D. Com quatro pontos de vantagem, o FCB deslocou-se ao Pinhal Novo, procurando assegurar a subida à Divisão de Honra. Grande entusiasmo entre os nossos adeptos, que se deslocaram em número significativo. Tarde de sol e muito vento. Derrota por 3-0. Um piso sintético duro, o vento e o grande empenhamento dos Pinhalnovenses, adiaram a nossa festa, por uma semana. Assim pensei na altura. E bem! Como a generalidade dos Barreirenses presentes…
Seis dias depois, na tarde de sábado de 28 de Maio de 2005, o ‘Manuel de Mello’ viveu o último grande momento de triunfo e exaltação da sua longa e rica história. Mais de 5.000 adeptos rumaram ao nosso estádio e quase lotaram as suas bancadas. Grande ambiente. Confiança ilimitada. Como não se via há muitos anos.
Vitória tranquila, embora tangencial. Com o apito final, a explosão de alegria. Nas bancadas e no relvado, para onde convergiram algumas centenas de foliões. E no balneário Barreirense, onde me dirigi com o Ricardo e com Francisco Cabrita. Vimos muita alegria e algumas lágrimas estampadas naqueles rostos. Não faltaram o champanhe e os banhos da praxe. Cumprimentámos efusivamente Manuel Lopes, Paulo Pardana e Daúto Faquirá, o treinador responsável pelo sucesso.
A festa continuou cá fora, nas principais artérias da cidade. Na Avenida Alfredo da Silva, o trânsito foi parcialmente interrompido, algumas viaturas balançaram sob o efeito de braços mais atrevidos, as bandeiras agitaram-se e os slogans dos nossos adeptos ecoaram vibrantes e triunfais de gargantas já enrouquecidas. Tudo isto presenciei e partilhei com a alegria, a emoção e as lágrimas que nunca consigo conter nestes momentos.
“Deixem passar o histórico…” titulou A Bola no dia seguinte.
E o Jornal do Barreiro de 3 de Junho de 2005, pela mão de Nelson Pereira destacou: “Do sonho à realidade”.

Dois anos depois, a 11 de Abril de 2007, Daúto Faquirá foi o convidado de honra da cerimónia comemorativa do 96º aniversário. No final da sessão, voltei a cumprimentá-lo, na companhia de Francisco Cabrita. Evocámos, naturalmente, aquela tarde inolvidável de Maio de 2005.
Creio que os resultados obtidos no FCB, na sequência das suas anteriores experiências enquanto treinador de futebol e confirmado na época passada no primo-divisionário Estrela da Amadora, foram o corolário mais natural do trabalho de um profissional muito competente, sério e culto. Antevejo uma carreira de sucesso para Daúto Faquirá. Que assim seja!
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Ovos moles

A fase regular da Liga Profissional de Basquetebol aproximava-se do final. A esperança de apuramento para os playoff continuava intacta, mas para a concretização de tão importante objectivo, era fundamental vencer em Aveiro, frente a um adversário difícil, ainda que mergulhado numa profunda crise financeira.
Resolvi organizar, com a colaboração do Renato Covas, uma excursão à bonita cidade da ria. Preparei a divulgação da viagem, através de uma notícia que publiquei no site oficial www.fcbarreirense.pt e que, como sempre, enderecei a um vasto grupo de adeptos do Barreirense Basket, através de correio electrónico: a
Caro(a) Amigo(a):
É já no próximo sábado, 11 de Fevereiro, que a equipa sénior de basquetebol do FC Barreirense se desloca a Aveiro para defrontar o Aveiro Basket, em partida decisiva para o nosso apuramento para o playoff de atribuição do título de campeão 2005/2006 da Liga TMN. Conscientes da importância transcendente deste jogo, a Secção de Basquetebol organiza uma excursão à Cidade do Vouga, para que a nossa jovem equipa tenha o apoio e o calor humano dos nossos Adeptos.
Há quase um ano, aquando da eliminatória para a Taça de Portugal que nos apurou para a Final a 8, obtivemos uma importante vitória em Aveiro, numa noite fria de terça-feira (!). Ainda assim, a nossa equipa foi acompanhada por uma dúzia de adeptos que, com o seu contributo galvanizaram a equipa para a vitória, nomeadamente nos momentos finais da decisão da eliminatória. Desta vez, num dia de sábado, no conforto de um excelente autocarro, ao preço acessível de dez euros, após uma empolgante exibição frente ao Benfica e com perspectivas de apuramento para o playoff perfeitamente ao nosso alcance, julgamos criadas as condições para que esta iniciativa seja coroada de êxito.
Noutros tempos, algo distantes, mas ainda na memória de muitos, a realização de iniciativas equivalentes à que agora propomos, foi fundamental para o sucesso desportivo do Clube, para o reforço da identidade do Barreirense Basket e para a fraterna comunhão dos Adeptos.
A sua inscrição é importante! Colabora connosco na divulgação da excursão a Aveiro! Traz um(a) Amigo(a) também!
Toda a Esperança é legítima. Força Barreirense!
Paulo Calhau
(Director da Secção de Basquetebol do FC Barreirense)


Tivemos também a ideia de produzir um texto que os basquetebolistas e o restante grupo de trabalho imediatamente acederam assinar, em que se apelou à presença de um número maciço de adeptos, numa jornada tão importante para as nossas aspirações, e que foi igualmente publicado em
http://www.fcbarreirense.pt/ e lido no Campo D. Manuel de Mello, no intervalo do jogo de futebol que precedeu a jornada de Aveiro.

Carta Aberta aos Adeptos do Barreirense
Agora que a fase regular da Liga Profissional de Basquetebol se aproxima do final, estamos todos unidos e muito empenhados em alcançar um dos oito primeiros lugares da classificação para podermos ir aos playoff.
Na vitória sobre o Benfica, que felizmente passou na TV, sentimos grande apoio dos Adeptos Barreirenses e pensamos que assim deverá continuar até ao fim do campeonato, para atingirmos os nossos objectivos.
Por isso gostaríamos que de vos ver em força em todos os jogos a realizar em casa e fora, para que todos juntos possamos lutar e conseguir as vitórias de que necessitamos.
O próximo jogo será em Aveiro e sabemos que há um grupo que está a organizar uma excursão para ver a partida, apoiar-nos e, assim esperamos, comemorar a vitória pela qual lutaremos arduamente.
Juntem-se a nós neste momento tão importante e decisivo.
Força Barreirense!
A Equipa Sénior de Basquetebol do FC Barreirense
(17 assinaturas)

Apesar do esforço de mobilização, fomos apenas escassos doze os que comparecemos na manhã de sábado de 11 de Fevereiro de 2006, junto ao Ginásio-Sede. Levámos bandeiras, cachecóis e… muita esperança.
A viagem para Aveiro iniciou-se com boa disposição, ambiente alegre e descontraído. O almoço na Tasca do Confrade foi, como ali é regra, delicioso. Junto ao Pavilhão do Beira-Mar, nova ‘casa’ do Aveiro Basket, incumpridor das responsabilidades financeiras de utilização do bem mais agradável Pavilhão do Galitos, esperava-nos o amigo José Guerreiro com a sua esposa. Antigo atleta do FCB, a residir há muito em Oiã, manteve sempre, apesar da distância, um acompanhamento regular da vida do seu clube. E, fadista emérito, colaborou graciosamente nas duas Noites de Fado Barreirense, que organizei em 2005 e 2006.
O desafio decorreu de forma muito negativa. Uma lesão, com escassos três minutos de jogo, do internacional tunisino Slimene Radhouene – bom praticante que em Julho revi no Torneio Internacional Cidade de Elvas, preparatório da participação de Portugal no Campeonato da Europa – retirou-nos capacidade. E perdemos…
O regresso foi triste. Os objectivos desportivos não tinham sido alcançados. Logo à entrada da auto-estrada A25 a nossa camioneta avariou. E regressámos ao Barreiro, no veículo que transportava a equipa, que para o efeito nos recolheu, já a noite caíra. Por portas travessas reviveu-se um pouco da experiência passada quando, uma parte da lotação da camioneta de transporte da equipa se destinava a associados do FCB, o que para além do convívio e da familiaridade do contexto, propiciava alguma receita suplementar à Secção de Basquetebol. Outros tempos…
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[Excerto do Capítulo III - Viagens na minha terra
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

quinta-feira, novembro 27, 2008

Reflexão e acção


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Confesso que não sei para que servem os gabinetes de estudo dos partidos políticos. E, embora, vendo-os do lado de fora, interrogo-me acerca da sua verdadeira utilidade.
Quando na oposição, parece ser uma preocupação de cada um deles potenciar a reflexão interna das políticas globais e sectoriais que virão (viriam) a aplicar em caso de triunfo eleitoral e de assumpção de responsabilidades governativas.
Mas, logo que chegados ao poder, as políticas implementadas parecem resultar mais da individualidade ministerial escolhida para cada área do que do “trabalho de casa” entretanto efectuado.
Os exemplos das políticas de saúde e de educação dos diversos ministros socialistas e social-democratas parecem-me paradigmáticos deste meu registo.

António José Seguro e Pedro Passos Coelho são apontados como candidatos à sucessão de José Sócrates e de Manuela Ferreira Leite. Hipóteses que as tendências pré-eleitorais ou os resultados pós-eleitorais poderão vir a tornar mais ou menos plausíveis.
Será que estas duas personalidades –­ curiosamente ex-lideres das organizações de juventude dos respectivos partidos ­– estão neste momento a amadurecer conceitos, a estudar dossiers e a planear estratégias governativas futuras?
Ou ­– talvez pré-candidatos à liderança do PS e do PSD – estão mais preocupados com a delimitação de espaços de influência, em incursões nos aparelhos partidários, em apostas na "rota da carne assada", em avanços ou recuos mais ou menos "tacticistas" na abordagem pública dos factos políticos que se vão sucedendo?

Portugal precisa de líderes políticos carismáticos – com um estilo de comunicação directo e claro – mas não pode dispensar, ou melhor dito, exige que se apresentem à opinião pública e ao eleitorado com uma perspectiva reflectida, séria, fundamentada, criativa e responsável do país que ambicionam dirigir.
Serão António José Seguro e Pedro Passos Coelho as personagens mais bem colocadas para a repetidamente prometida e sucessivamente adiada renovação da política em Portugal?
Talvez não falte muito para o sabermos.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Memória Barreirense (XXVI)



Águas Santas

De 25 a 27 de Maio de 2001 estive em Águas Santas, arredores do Porto, para presenciar a Final Four de Juniores A (sub-20). Cheguei àquela localidade ao cair da noite de sexta-feira, cerca de meia hora antes do nosso primeiro jogo, contra o FC Porto (de Paulo Cunha e outros promissores executantes). Acontece que em Águas Santas existem três pavilhões desportivos, designados por Águas Santas I, II e III. E aí surgiu a primeira contrariedade. Só acertámos à terceira, e com muita dificuldade. Resultado: cheguei atrasado, já o segundo período se iniciara.
Curiosamente, tive outras experiências em que foi difícil obter por parte da população, informação simples e objectiva acerca da localização dos pavilhões locais. Recordo-me de um episódio curioso: na primeira vez que fui a Oliveira de Azeméis, interpelei um transeunte que, algo confuso e pouco preciso, me disse que o Pavilhão Dr. Salvador Machado, que tardávamos em localizar, ficava próximo da “casa das crianças”. Casa das crianças? Viemos então a descobrir que se queria referir a uma… escola secundária!
Em Águas Santas perdemos os três jogos (FC Porto, Benfica e Sangalhos) por escassas diferenças pontuais. Uma lesão no ombro esquerdo, limitou significativamente a prestação de Pedro Silva, um atleta preponderante na equipa dirigida por António Paulo Ferreira, treinador que nos quatro anos seguintes veio a sagrar-se, por outras tantas vezes, campeão nacional (sub-16, sub-18 e sub 20) e é presentemente o responsável principal da equipa sénior.
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Capitão não chora?

Na última década têm-se sucedido a um ritmo fabuloso as participações dos escalões de formação do FCB (sub-14, sub-16, sub-18 e sub-20) nas fases finais dos Campeonatos Nacionais de Basquetebol. Assisti a todas elas, à excepção das Final Four de sub-16 realizadas em Belmonte (2001/2002: campeões) e Macedo de Cavaleiros (2005/2006: vice-campeões).
Década de ouro do basquetebol Barreirense, em que as nossas equipas têm marcado presença assídua nas fases derradeiras e alcançaram até agora um número impressionante de títulos nacionais – quinze!
De 4 a 6 de Junho de 2004, FC Porto, Esgueira, Seixal e FCB lutaram em Oliveira de Frades pela conquista do título nacional de Juniores B (sub-18). Como sempre, muitos adeptos, treinadores, dirigentes, clínicos e demais colaboradores, acompanharam o FCB. E emprestaram voz e cor a um ambiente alegre, mas por vezes despropositadamente tenso e conflitual.
Melhor apetrechada, a nossa equipa totalizou três vitórias em outros tantos despiques, e sagrou-se campeã nacional. No final da derradeira partida, em que o FCB averbou uma vitória indiscutível sobre o FC Porto (89-77), abracei, emocionado, o capitão Luís Chucha que, contagiado pelos meus sentimentos, verteu também algumas lágrimas de alegria. O seu filho, Gonçalo Chucha, fora um dos grandes obreiros de uma vitória difícil mas merecida, perante três adversários muito dignos e qualificados. Em 28 de Setembro de 2006, no Fórum BasketPT, lembrei aquele episódio:

Para ti, Luís
Naquele início de tarde de domingo primaveril, quase Verão, abraçámo-nos e algumas lágrimas correram dos nossos olhos.
Acabáramos de ganhar mais um título nacional de sub-18.
Disseste, mais tarde, que nunca choras.
E, num momento de grande dor e tristeza da tua vida, pude constatá-lo, não sem alguma emoção.
Recordar este e outros momentos em que fomos Solidários, Fraternos e Amigos, faz-me abraçar a Vida com mais energia, conforto e alegria.
Abraço Capitão.

O Gonçalo Chucha veio a abandonar o FCB em Setembro de 2006 para ingressar no Galitos FC, equipa que disputou pela primeira vez, com assinalável êxito, a Proliga – o mais importante campeonato organizado pela Federação Portuguesa de Basquetebol. Sei que não foi uma decisão fácil. Depois de tantos anos ao serviço das nossas cores, com cinco títulos nacionais, o Gonçalo Chucha tinha legítimas esperanças de seguir um percurso mas afirmativo. Mas entendeu sair…
Seu amigo, da mãe Paula, e do pai Luís, com quem reforcei fraternos e solidários laços de companheirismo e amizade nos dois anos em que fui Director do FCB e um dos responsáveis pela Secção de Basquetebol, decidi transmitir a minha tristeza pelo seu abandono. No Fórum BasketPT escrevi, em 27 de Setembro de 2006:

Para o Gonçalo e Família
Há sempre o momento da partida

Reflectido...
(quase sempre bem)
Doloroso...

(às vezes)
Sofrido...
(com ou sem lágrimas)
Obrigado Gonçalo!
Barreirense 4ever!

A resposta da família Chucha, no mesmo local, foi pronta e emotiva:

“As pessoas grandes não querem chorar, e fazem mal, porque as lágrimas gelam dentro delas, e o coração fica duro.” (Maurice Druon, em O Menino do Dedo Verde).
Sempre apreciei a expressão “olhos marejados”. É, para mim, de uma beleza plástica incrível. Os olhos, as “janelas da alma”. E o mar, com seu ir e vir das ondas. Olhos marejados são assim. Lágrimas que pensam em deixar o conforto dos olhos, mas que se retraem como quem diz: “Ainda não é a hora” ou “Ainda não posso me despir”. A lágrima revela tudo. Insólita por natureza, carrega consigo dor, tristeza, alegria, emoção. A lágrima marejada contém-se em si mesma. Ela é suficiente para cobrir toda a superfície ocular. Faz os olhos brilharem, reflectindo a transparência da alma.
Os médicos aprendem a ser heróis sem coração. Heróis porque lutam contra a engenhosidade ardilosa da doença que busca refúgio nos recônditos da complexidade do corpo humano, procurando dificultar o trabalho de sua descoberta. É um jogo de caça, no qual o bem luta para triunfar enquanto o mal, uma vez instalado, dá-se por vitorioso desde o início, nada tendo a perder. Entretanto, por actuarem numa batalha tão desigual, muitas vezes patrocinada pela desestrutura, os médicos, esses heróis aprendem a dominar as suas emoções. Afinal, são tantos dias, dias após dias, horas e mais horas, enfrentando as adversidades, testemunhando a amargura velada ou silenciosa dos seus pacientes, acompanhando o desespero e, por vezes, o destempero de familiares – que transitam com as suas faces avermelhadas e os seus óculos escuros, e não em decorrência do esplendor do sol – que tudo aquilo se torna rotineiro. Cena do quotidiano, e as lágrimas secam. Não obstante, os céus, em sintonia, harmonia e deferência, também derramam as suas lágrimas, através da chuva que, misturada às lágrimas, anuncia a purificação, a renovação e a mensagem de que a vida segue.
Tu choras meu amigo, tu aprendes todos os dias a ser herói mas com coração, choras de alegria pelo nosso Barreirense, e eu é verdade… também choro, mas raramente choro sozinho, hoje após ler a tua prosa aqui em casa chorámos os três.
Um abraço Doutor

Ouvi, por diversas vezes, ex-atletas lamentarem-se pelo facto de, após desempenhos e contributos duradouros e significantes ao serviço do FCB, não terem os mesmos sido alvo de reconhecimento pelos dirigentes do clube.
Jorge Ramos foi um atleta que, por impossibilidade de conciliar a sua actividade profissional com a exigente disponibilidade requerida pelo basquetebol da Liga TMN, optou por abandonar o clube. Representou o FCB desde tenra idade com o máximo empenho, zelo e competência. Foram para si estas palavras que escrevi na secção “Bolas Soltas” da revista Barreirense Basket, nº 3, Janeiro de 2005:

Jorge Ramos, base-extremo de 27 anos e 1,85m, é um basquetebolista formado nas escolas do Barreirense, clube onde se formou como praticante e desenvolveu toda a sua carreira desportiva até à época transacta.
Tem sido um dos jogadores mais valiosos na magnífica prestação que o Galitos vem desempenhando no CNB2 (Zona Sul / A), traduzida no 1º lugar que esta equipa ocupa na classificação.
Barreirense Basket saúda o valoroso atleta e deseja-lhe um ano de 2005 repleto de sucesso pessoal e desportivo.

No ano seguinte, antes de se iniciar a temporada de 2005/2006, António Carrilho solicitou a libertação do seu vínculo ao FCB, para abraçar uma nova experiência desportiva, em representação do Basket Clube de Almada. Desejo a que eu, Francisco Cabrita e Rosário Pina, Directores da Secção de Basquetebol, acedemos sem qualquer contrapartida, embora lamentando a opção de saída.
Fora um atleta valoroso ao serviço do nosso clube. Entendi da maior justiça, com maior formalismo mas igual sinceridade que para o Jorge Ramos, dedicar-lhe as seguintes palavras, endereçadas por carta datada de 18 de Novembro de 2005:

Caro António Carrilho:
Foi com mágoa que, em Setembro último, tomámos conhecimento da sua intenção de abraçar o projecto de outro clube, na época 2005/2006.
Ao longo de todos estes anos, o António Carrilho serviu o Basquetebol do FC Barreirense com todo o Desportivismo, Dedicação, Competência, Fervor Clubista. O António Carrilho foi exemplo, pela sua Atitude e Inteligência, para colegas de equipa e atletas de escalões inferiores. O seu contributo para a obtenção de um número invejável de vitórias e títulos regionais e nacionais, bem como a representação das Selecções Nacionais, são marcas valiosas e inesquecíveis do seu percurso desportivo.
Sei que a sua decisão foi elaborada com toda a ponderação, procurando acautelar fundamentalmente a sua participação mais efectiva na competição, facto que poderá traduzir-se, estou certo, numa maior progressão e consolidação das suas imensas e reconhecidas qualidades.
Cessa, espero que transitoriamente, o seu vínculo competitivo com o nosso Clube, mas tenho a certeza que um dia próximo, o regresso será uma realidade. As portas desta Casa permanecerão sempre abertas para quem, de forma tão exemplar, dignificou as cores vermelha e branca das nossas camisolas.
Em nome de toda a Família Barreirense, desejo-lhe os maiores sucessos desportivos, escolares e pessoais e endereço-lhe os maiores agradecimentos e os melhores cumprimentos, extensivos a seus pais.
Paulo Calhau
(Director da Secção de Basquetebol do Futebol Clube Barreirense)

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[Excerto do Capítulo III - Viagens na minha terra
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

terça-feira, novembro 25, 2008

Também eu sonhei...


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Retrato implacável. De Pedro Rosa Mendes. No Público. Hoje.
Num ensaio porventura inesperado. Talvez demasiado cruel. Mas com toda a certeza pleno de verdade. De oportunidade.
"Timor-Leste - A ilha insustentável".
"Este é um retrato implacável de uma realidade que não podemos continuar a fingir que não existe. Estas são algumas das verdades, duras como punhos, sobre um país que sonhou ser diferente - e nos fez também sonhar".
Dói (ler). Esmaga. Revolta.

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Melancolia


Perry Blake (Álbum California, 2002)
Dizem ter influências de Leonard Cohen, David Sylvian, Scott Walker e Nick Drake.
A doçura e a melancolia. Da Irlanda.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Memória Barreirense (XXV)


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Por um se ganha…

No ano da segunda participação do FCB na Liga Profissional de Basquetebol, o Leiria Basket aderira à mais importante prova do basquetebol nacional. Sem um pavilhão local devidamente apetrechado para cumprir os requisitos impostos pela Liga de Clubes de Basquetebol, a equipa sedeada na cidade do Liz optou por realizar os seus jogos na qualidade de visitada na Nazaré. Terra com tradição piscatória e turística. Mas sem qualquer passado ou presente relacionado com o basquetebol.
Foi num pavilhão moderno e funcional, mas desoladoramente despido de público que, na tarde fria de 10 de Novembro de 2001, presenciei o Leiria Basket-FCB, jornada sete da 7ª edição da Liga TMN. Empertigado pela entrada do novo treinador João Moutinho, o Leiria Basket com três atletas ex-FC Porto (Rui Santos, Raul Santos e João Rocha) e um poste norte-americano poderoso na luta das tabelas (Allen Ledbetter), vendeu cara a derrota perante a nossa equipa, claramente melhor apetrechada. Foi nos segundos finais que o FCB obteve a vitória, por margem tangencial, que em basquetebol é sempre dramática para quem perde e vibrantemente comemorada por quem a alcança.
Coincidente com o apito final, vejo Alexey Carvalho estendido e inerte no solo. Pensei na altura que se tivesse lesionado, com gravidade. Como estava na primeira fila da bancada, ao nível do recinto de jogo e sem qualquer limitação de acesso, corri a socorrer o atleta brasileiro. Puro engano! Alexey não estava lesionado. Simplesmente emocionado pela vitória que ajudara a conquistar. Ao percebê-lo, abracei-o e disse: “Foi à Barreirense!”.

O projecto Leiria Basket teve vida efémera. Como antes e depois sucedeu com outros mais: Montijo Basket, Gaia, Santarém Basket e Aveiro Basket. Pouca consistência, planeamento ineficaz, aventureirismo, escassez de recursos humanos e de massa crítica, foram factores determinantes para o insucesso daqueles clubes.
No presente, pode com toda a propriedade falar-se de uma crise no desporto profissional em Portugal. Não uma crise de crescimento, mas pelo contrário de definhamento. De abandonos sucessivos. De que o exemplo mais recente, grave e ridículo, foi a deserção do Benfica – primeiro classificado no ranking nacional da modalidade – da Liga Profissional. E que se junta a outros, também recentes, de clubes com resultados assinaláveis: Portugal Telecom, Seixal, Oliveirense e Queluz.
Em ano de participação, surpreendentemente positiva, no Campeonato da Europa – que acompanhei na primeira fase, disputada em Sevilha de 3 a 5 de Setembro de 2007 –, o futuro próximo do basquetebol profissional português parece, paradoxalmente, muito nebuloso. Exige-se ponderação, realismo, bom-senso e diálogo entre os diversos agentes e responsáveis da modalidade. Ainda não é tarde…
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E… por um se perde

Playoff de apuramento do título de campeão da Liga TMN 2003/2004. Queluz, 4 de Maio de 2004. Quinto e decisivo jogo dos quartos-de-final. Cerca de três centenas de adeptos Barreirenses deslocaram-se ao Pavilhão Henrique Miranda. Na bancada, António Pires, atleta internacional, ex-base da equipa sénior, estudante de medicina, e à época atleta da equipa de sub-18, liderou uma claque ruidosa, alegre e disciplinada. Os cânticos ‘alvi-rubros’ ecoaram pelo recinto – antes, durante e no final do desafio.
José Luís Damas substituíra no início da temporada o histórico Francisco Cabrita, técnico principal ao longo de dez temporadas. João Betinho Gomes cumpria a sua primeira época sénior e Miguel Minhava estava em pleno processo evolutivo e de afirmação na alta competição. Os norte-americanos Tiray Pearson e Ronnie McCollum, revelavam-se excelentes praticantes e profissionais, bem acompanhados pelos utilitários Dusan Macura (sérvio) e Juan Farina (espanhol).
Última posse de bola no desafio. Pertença do Queluz. Escassos sete segundos para jogar. Vantagem de dois pontos para o FCB. Rápida transição do base Armando Costa e triplo mortífero de Francisco Rodrigues. Desespero nas nossas hostes. Consternação, desalento, raiva. Um sonho lindo que se desvaneceu em vorazes segundos. Lágrimas em alguns olhos. Vi, pela primeira vez, Edson Silva chorar.

Um ano depois, fomos nós que chorámos por Edson Silva, secretário técnico do basquetebol do FCB.
De férias, junto às margens do Douro, fui informado do súbito internamento do Edson e da necessidade de realização de um cateterismo cardíaco urgente no Hospital Garcia de Orta. O exame correu bem, Edson regressou ao Hospital de Nossa Senhora do Rosário, na sua terra adoptiva, e teve alta pouco depois. No dia de regresso de férias, junto à área de serviço de Antuã, recebo um SMS de António Libório, então colaborador da Secção e actual responsável máximo do Barreirense Basket, anunciando a morte do nosso amigo e companheiro.
Edson foi justamente lembrado e homenageado na Gala de Apresentação da temporada 2005/2006. E nas Final Four de sub-20 que disputámos e vencemos em 2006 e 2007, respectivamente em Paços de Ferreira e no Barreiro, o Edson esteve presente no momento da consagração, com uma shirt branca com a sua imagem impressa, rodeado em silêncio por todos os membros da equipa.
Na Barreirense Basket de Março de 2006 (Ano II - Nº1) dediquei-lhe o seguinte texto:

Até Sempre, Edson!
O Barreirense ficou mais pobre!
Há aproximadamente seis meses, o 24 de Agosto de 2005 foi para todos nós, Barreirenses em particular, um dia de tristeza e luto, pelo desaparecimento inesperado, doloroso e brutal, de um nossos membros mais devotados, sérios e lutadores.
Edson Silva, antigo atleta e treinador de basquetebol, desempenhava desde há alguns anos a tarefa, estimulante mas exigente, de secretário administrativo da Secção de Basquetebol do FC Barreirense. Responsável por essa importante área do basquetebol profissional do clube, o Edson foi, desde a nossa admissão na Liga de Clubes de Basquetebol em 2000, um elemento fundamental no projecto de afirmação e relançamento da modalidade no clube. A competência, dedicação, simplicidade e honestidade que revelou em todos os momentos, granjearam-lhe enorme simpatia e consideração entre os seus companheiros e amigos Barreirenses, mas também por todos os diversos sectores e entidades da modalidade.
O elevado número de mensagens de condolências chegadas ao FC Barreirense e a presença de muitas centenas de familiares e amigos nas cerimónias fúnebres, desenroladas na Capela da Misericórdia e no Cemitério da Vila Chã, foram o testemunho inequívoco do pesar que a sua morte representou.
O Edson deixou-nos na juventude e pujança dos seus 40 anos, quando se perspectivava o reinício de mais uma época competitiva, onde voltaria a desempenhar as suas relevantes funções com redobrada energia, alegria e desportivismo.
O FC Barreirense renova à família enlutada as mais sentidas condolências, acompanhando-a na dor de ver partir tão repentina e precocemente o nosso companheiro de todos os dias.
Obrigado Edson!
Até sempre, Edson!

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Regresso à Ilha

Regressei à Ilha da Madeira em finais de Setembro de 2002, desta feita para apoiar a equipa de basquetebol. Desde a entrada na Liga Profissional que vinha acompanhando, com o meu filho Ricardo, a quase totalidade dos jogos do FCB pelo continente. Resolvemos viajar à ilha colonizada a partir de 1419 por João Gonçalves Zarco e outros navegadores.
No final da tarde de dia 26 (sexta-feira, antevéspera do jogo com o CAB Madeira), chegámos ao novo e moderno Aeroporto do Funchal, interessante e complexa obra pública de engenharia. Chuva copiosa, quase torrencial, acompanhou-nos no percurso até ao hotel, onde uma acolhedora piscina coberta permitiu um agradável e relaxante banho. Normalizado o clima, partimos no dia seguinte à conquista da Madeira. O regresso a Porto Moniz, ao Machico e a outros locais mais anódinos, mas muito belos, constituiu uma antecâmara agradável para um domingo de sucesso.
Foi, com efeito, uma grande vitória. Num pavilhão simpático, mas modesto, perante escassas dezenas de espectadores, eu e o Ricardo fomos os únicos adeptos que acompanharam a comitiva Barreirense. Sentados na primeira fila da bancada, dispersámos uma bandeira do FCB no espaço contíguo, o que pareceu surpreender alguns adeptos do CAB. Apesar do início menos conseguido, com um primeiro período em que a diferença negativa para as nossas cores se cifrou em nove pontos, o FCB recompôs-se e terá beneficiado de algum excesso de confiança da equipa treinada por Jorge Fernandes que, apetrechada com dois norte-americanos, dois jugoslavos e dois espanhóis, parecia teoricamente mais apta para alcançar a vitória. Foi uma segunda parte demolidora do FCB, com destaque para as prestações de Jorge Ramos, Miguel Minhava, Gerson Monteiro, David Kruse, Darius Dimavicius e Ian Stanback. No final, um justo triunfo (91-97) deu azo a momentos de grande alegria. De forma simpática, José Manuel Tenório, responsável pelo basquetebol sénior, chamou-nos para, com todo o grupo, saudar a vitória e gritar em uníssono “Barreirense!”.
A visita à ilha demonstrara-me, mais uma vez, uma pujança e uma imagem de progresso, que apesar de alicerçada num responsável político com um perfil muito peculiar e uma concepção muito discutível de exercício de poder e de (des)respeito pela democracia, não deixou de me surpreender pela positiva.
Regressámos ao continente na noite de domingo. A concentração de equipas das modalidades mais diversas emprestou ao Aeroporto do Funchal um cunho particular e colorido, com rostos mais ou felizes. Nós, vencedores, viemos radiantes!
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[Excerto do Capítulo III - Viagens na minha terra
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

sábado, novembro 22, 2008

Só faltava mais esta


Parece que anda por aí alguma censura na comunicação social.
Porquê?
Até quando?
A mando de quem?

Um apelo. Um desafio









No exterior de uma renomada loja de material de desporto do recém-inaugurado Fórum Barreiro, pode avistar-se uma interessante e apelativa reprodução de uma das equipas de basquetebol sénior do Barreirense que alcançou uma Taça de Portugal. Em pé, no extremo direito dessa imagem, está o antigo dirigente Chico Zé.
Conheci o Chico Zé pessoalmente, mas de forma muito superficial. E, apesar de à época acompanhar regularmente as prestações das equipas do Barreirense, não estava por dentro da realidade da Secção de Basquetebol, nem dedicava particular interesse ou importância aos méritos e às aptidões dos dirigentes que se sucediam na enorme e difícil responsabilidade de manter bem alto a tradição e a qualidade da modalidade no clube.
Mas habituei-me a ouvir de diversas proveniências a informação de que o Chico Zé foi um grande dirigente, com uma invulgar dedicação e empenhamento. Ouvi por várias vezes o Arqº Carlos Pires afirmar que o Chico Zé não perdia um momento, uma oportunidade, para “vender” a marca Barreirense, somar um parceiro ou patrocinador publicitário, atrair mais um adepto para uma ajuda individual.

Dirigentes com aquela têmpera e convicção não abundam. E, eu, que assumi funções directivas durante “apenas” dois anos, sei bem a exigência e a responsabilidade necessárias, o esforço e o sacrifício solicitados, as alegrias mas também as desilusões acumuladas.
Felizmente que antes e depois de Chico Zé houve sempre um punhado de homens que manteve acesa a chama do basquetebol no Barreirense.
Foi assim que milhares de jovens, ao longo de tantos e tantos anos, usufruíram da possibilidade de praticar uma modalidade histórica do Barreiro, fortaleceram laços de amizade com companheiros, treinadores, seccionistas e outros membros, cresceram como cidadãos e adquiriram indispensáveis e salutares hábitos de conduta, solidariedade, disciplina.
Muitos deles são hoje pais, alguns avós, encarregados de educação, educadores. Reconhecem, porventura, justeza nas minhas palavras.
Na última década, a vertente competitiva do basquetebol no Barreirense adquiriu alguns contornos particulares, com o recrutamento de jovens oriundos de outros concelhos (e mesmo de África). Com manifesta melhoria dos resultados desportivos – quase vinte títulos nacionais alcançados neste período. Esta realidade estimulou a difusão e a atractividade da modalidade pelo tecido escolar do concelho, sem coarctar de forma excessiva a afirmação competitiva dos jovens naturais do Barreiro.

Hoje, o espaço disponível para a aprendizagem, o treino e a competição do basquetebol de formação no Barreirense é claramente limitado e deficitário, claramente desproporcionado às necessidades. Disperso pelo “velho” Ginásio-Sede e por ginásios ou pavilhões escolares com apetrechamentos nem sempre adequados às exigências.
A construção de um Pavilhão Desportivo Polivalente, propriedade do Barreirense, permitirá colmatar estas dificuldades. Será então possível proporcionar condições mais adequadas a um número ainda maior de “Bambis” e jovens do “Minibasket”. E os atletas dos escalões competitivos – “sub-14” a “sub-20” – beneficiarão da possibilidade de disporem de um espaço único para treino e competição e com maior número de horas semanais de exercício da modalidade.
Os pais – de hoje e de ontem – conhecem esta realidade.
É para Eles que hoje me dirijo. Dêem a vossa opinião, manifestem que estão solidários na nossa ambição, juntem-se a nós com ideias, propostas, contributos. E, se for caso disso, contradigam-nos, polemizem, exerçam a saudável e estimulante prática do contraditório. Neste e noutros espaços comunicacionais. Mas não fiquem calados. Por favor…


[DESPORTO À PORTUGUESA, www.rostos.pt]

Foi há quarenta anos

22 de Novembro de 1968.
Lançamento de mais um disco dos Beatles.
"The White Album".
Para alguns o melhor da discografia da band de Liverpool.
Gosto muito. Mas ainda hoje considero "Sgt Peppers..." o melhor de todos.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Escrever com o coração

Passaram dois meses. Desde que a 20 de Setembro, depois da hesitação e da dúvida, decidi responder ao impulso e tomar a decisão - aderir ao "mundo dos blogues".
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A palavra foi quase sempre mais importante e dominadora. A imagem - arrebatadora em alguns blogues - não tem aqui um espaço tão expressivo, mas está inevitavelmente presente, a meu gosto, e com a coerência e a adequação possíveis. E, desde 24 de Outubro, com sons mais ou menos alternativos.
António Sousa Pereira - Director de Rostos - enviou-me uma missiva de encorajamento logo após o lançamento do ETERNO RETORNO. E sugeriu-me uma "escrita com coração".
As suas palavras fizeram-me sentido. Tal como a de outros amigos, que me incentivaram na continuidade deste blogue.
Tenho falado do meu Barreirense. Da política. Do amor. Da música, dos livros e dos quadros de que gosto. De alguns episódios da minha experiência profissional.
Pretendo seduzir mais bloguistas para o ETERNO RETORNO.
Espero os comentários. A polémica. O contraditório.
Obrigado!

quinta-feira, novembro 20, 2008

I´m yours


Jason Mraz

I´m yours

Well, you done done me and you bet I felt it
I tried to be chill, but you're so hot that I melted
I fell right through the cracks, now I´m tryin to get back
before the cool done run out I´ll be givin it my best test
and nothin´s gonna stop me but divine intervention
I reckon it´s again my turn to win some or learn some

I won't hesitate no more,
no more, it cannot wait
I'm yours

Well open up your mind and see like me
Open up your plans and damn you´re free
Look into your heart and you´ll find love love love
Listen to the music of the moment maybe dance and sing
With just one bug family
it's our godforsaken right to be loved loved loved love love

So, I won't hesitate no more,
no more, it cannot wait I'm sure
There's no need to complicate our time is short
This is our fate
I'm yours

I've been spending way too long checking my tongue in the mirror
and bending over backwards just to try to see it clearer
my breath fogged up the glass
so I drew a new face and I laughed
I guess what I'm saying is there ain't no better reason
to rid yourself of vanity and just go with the seasons
It's what we ain't to do
our name is our virtue

I won't hesitate no more, no more
It cannot wait
I'm sure
There's no need to complicate
our time is short
It cannot wait I´m yours
I won't hesitate no more, no more
It cannot wait
I'm yours
There's no need to complicate our time is short
It cannot wait
I´m yours

Well open up your mind and see like me
Open up your plans and damn you´re free
Look into your heart and you'll find love, love, love
Listen to the music of the moment come and dance with me
I like one big family
Its your godforsaken right to be loved loved loved

Well open up your mind and see like me
Open up your plans and damn you're free
Look into your heart and you'll find love, love, love
Listen to the music of the moment come and dance with me
I like happy melody
Its your godforsaken right to be loved loved loved

Listen to the music of the moment come and dance with me
I like peacefully
Its your godforsaken right to be loved loved loved

Memória Barreirense (XXIV)



Angra Património da Humanidade

Saímos da Portela pelas sete horas de sábado, 2 de Março de 2002. Eu e o Ricardo fomos os únicos acompanhantes da equipa sénior de basquetebol do FCB que, pelo segundo ano consecutivo, disputava a Liga Profissional, depois de uma época de estreia em que alcançara o 10º lugar, entre catorze participantes.
À chegada a Angra do Heroísmo, estacionámos a viatura de aluguer junto ao Centro de Turismo, para recolhermos preciosas informações acerca da Ilha Terceira. À saída do edifício cruzámo-nos com a companheira de Ian Stanback, nosso atleta e que já representara a equipa da Lusitânia, o adversário dessa noite. Cumprimentou-nos, como sempre de forma sorridente e jovial, na companhia do seu pai, também ele açoriano. Angra do Heroísmo revelou-se uma cidade bonita e hospitaleira, com um centro histórico agradável e bem preservado, mas sem o cosmopolitismo e os sinais de pujança e modernidade que presenciara na Ilha da Madeira. A visita à Praia da Vitória (repetida na manhã seguinte) e ao Algar do Carvão, reserva natural geológica, foram momentos bem agradáveis, entrecortados e recheados por uma gastronomia surpreendentemente deliciosa.
No domingo, apesar da derrota (100-90) da véspera, partimos à procura de novas emoções, mas ao início da tarde, vista e revista a pequena ilha, resolvemos ocupar algum do tempo sobejante no Estádio Municipal João Paulo II, onde a Lusitânia recebia o Benfica-B, em jogo do Campeonato Nacional de Futebol da II Divisão. Foi uma primeira parte de futebol tão lento, entediante e mal jogado que, ao intervalo, resolvemos abandonar o recinto de jogo.
No regresso ao carro, foi o grande choque! A Antena 1 da RDP noticiava a dramática paragem cardio-respiratória de Paulo Pinto, ocorrida minutos antes no jogo Aveiro Basket-Benfica, com transmissão televisiva pela SportTV. Receei o pior. O que infelizmente veio a confirmar-se pouco depois. O valoroso atleta internacional faleceu e como bem se interrogou no dia seguinte Vítor Ventura nas páginas do Record do dia seguinte: “Como é possível Deus permitir esta injustiça?”.

Paulo Pinto foi um atleta exemplar. Com enormes atributos técnicos e de um invulgar desportivismo. E um estudante de eleição, que o levou à conclusão do Curso de Medicina. Facto que eu, seu companheiro da profissão, soubera valorizar de forma muito particular. Compatibilizar a prática desportiva de alta competição com a frequência e conclusão de uma licenciatura em Medicina, só está ao alcance de alguns cidadãos dotados de invejável inteligência e perseverança.
Foram vários os atletas do FCB, sobretudo praticantes de basquetebol, que ao longo dos anos tiveram percursos académicos de relevo, conciliando, com sacrifício mas muita abnegação, o estudo com a prática da modalidade. A lista seria longa e, prudentemente, não me deterei na enunciação de todos esses exemplos, para não correr o risco de omissões tão involuntárias quão injustas. Vale a pena todavia destacar que, por exemplo, na temporada de 2006/2007, seis estudantes universitários integraram a equipa sénior de basquetebol do FCB. Também um número significativo dos treinadores (actuais ou passados) do basquetebol sénior e dos escalões de formação do nosso clube tem elevada formação académica. Ainda recentemente, António Paulo Ferreira, actual treinador da equipa sénior, concluiu as suas provas públicas de Doutoramento em Ciências do Desporto, pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Tive o prazer de assistir à sua brilhante prestação, que me levou a dedicar-lhe um texto, publicado em Rostos, 3 de Abril de 2007:

Carta a um Amigo
Caro António Paulo Ferreira:
Quando, no início desta década, você me viu no Pavilhão de Águas Santas, para acompanhar o nosso Barreirense numa fase final de Juniores A (sub-20) de basquetebol, perguntou-se – conforme me confidenciou mais tarde – “mas que faz este indivíduo aqui?”.
Creio que o tempo se encarregou de demonstrar-lhe, de forma segura e consistente, a razão da minha presença naqueles três dias, numa prova que não nos correu totalmente de feição (apenas porque não fomos campeões nacionais).
Posteriormente, você habituou-se a ganhar quase sempre, fruto de méritos e circunstâncias indiscutíveis, e foi campeão nacional de Cadetes (sub-14), Juniores B (sub-18) e Juniores A (sub-20). Esta época, pôde, finalmente, assumir novo e estimulante desafio, ao arcar com a grande responsabilidade de liderar tecnicamente a equipa sénior do FC Barreirense. Sem estranheza e com a naturalidade possível, perdeu mais vezes mas, sem resignação e sem álibis, defendeu sempre o seu grupo de trabalho e pôde prosseguir, sem hostilizações e constrangimentos medíocres e estéreis, que outros antes de si tiveram de suportar, um trabalho que, espero, desejo e estou convicto, vai dar outros frutos em anos vindouros.
A manhã de hoje, nasceu chuvosa e fria, tal como há 50 anos, quando foi inaugurado o nosso Ginásio-Sede, palco de tantas tardes e noites de alegria e glória, que ambos temos vivido ao longo de décadas e décadas de ‘Barreirensismo’ fervoroso, adulto e responsável. E, tal como em 20 de Maio de 1956, o sol brilhou aqui e acolá, pela tarde fora. E deu cor à sua brilhante prestação de provas públicas de Doutoramento em Ciências do Desporto, pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, que hoje decorreu na Cruz Quebrada, localidade outrora tão relevante no basquetebol nacional.
Familiares e Amigos, Técnicos, Dirigentes e ex-Dirigentes do FC Barreirense, testemunharam ao longo de três horas, intensas e vibrantes, a excelência da sua Tese de Doutoramento Criticalidade e momentos críticos – aplicações ao jogo de Basquetebol.
A clareza, profundidade e convicção com que efectuou a apresentação do trabalho, foi o pontapé de saída (melhor dizendo: a bola ao ar) protocolar que teve depois, na sequência argumentativa dos membros do júri, presidido pela Prof. Doutora Helena Pereira (Vice-Reitora da Universidade Técnica de Lisboa), momentos de enorme destaque e excelência.
Original e inovadora na concepção, arriscada e temerária na estrutura, rigorosa e coerente na metodologia, de enorme qualidade e utilidade nas conclusões e no potencial de exportação para outros contextos de modalidades colectivas. Estas e outras adjectivações foram proferidas pelo júri, que pela exigência e sentido de responsabilidade que evidenciou, deu reforçado brilho e dignidade à sua prova final. Soube-me bem ouvir, desta vez ao vivo, as palavras serenas e alegres, inteligentes e sábias do seu orientador, o Prof. Doutor Hermínio Barreto.
No final, a aprovação unânime do júri, mais não foi do que um corolário lógico e justíssimo, de anos e anos de trabalho, difícil e exigente que, certamente com o apoio, tolerância e compreensão da sua companheira, desenvolveu com invulgar afinco e empenhamento.
No final da sua exposição derradeira, o António Paulo afirmou, se a memória me não atraiçoa: “É possível tomar boas decisões e ter insucesso. É possível tomar más decisões e ter sucesso”. Pois é, meu Amigo, você sabe, como eu sei, que decisões maioritariamente acertadas e justas conduzem de forma mais preditiva e sólida ao sucesso. O sucesso a que você aspira, merece, e continuará a alcançar, pela vida fora.
O António Paulo Ferreira está de parabéns, pelo brilhantismo e excelência da sua prestação. O Barreirense está de parabéns, por ter na sua grande e nobre família, tão ilustre associado. O Barreiro está de parabéns, pelo ‘filho’ que o representa com tanta qualidade e determinação. A Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa está de parabéns, pelo eminente cientista e pedagogo que alberga. O Basquetebol está de parabéns, pelo técnico que lhe reforça e consolida a substância. O Desporto está de parabéns, pelo Homem que o serve e dignifica.
Aceite, caro Amigo (Prof. Doutor) António Paulo Ferreira, um abraço sincero e desinteressado,
Paulo Calhau

A realidade do futebol nacional é substancialmente diferente. Um número muito significativo dos seus praticantes interrompe prematuramente a frequência escolar. O sonho e a ilusão de acesso ao futebol profissional – onde apenas um escasso número de atletas tem o talento e a oportunidade de ascender a uma situação económica de excelência – representam, quase sempre, uma miragem. Perigosa e nefasta. É de louvar a atenção e a exigência que alguns clubes começaram a dedicar a este problema. A experiência do Sporting, na Academia de Alcochete, tem revelado novas potencialidades. Mas parece-me que é ainda um caminho cheio de vícios e armadilhas. A ver vamos…

a
[Excerto do Capítulo III - Viagens na minha terra
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

quarta-feira, novembro 19, 2008

Pela Democracia


a
Três pontos prévios:
1. Nunca me filiei em qualquer organização ou partido político. E provavelmente nunca me filiarei.
2. Nunca votei no PSD. E provavelmente nunca votarei.
3. Nunca gostei da política Manuela Ferreira Leite (MFL). E provavelmente nunca virei a gostar.

Volto a MFL − Presidente do PSD.
Ouvi primeiro na rádio. E vi depois na TV.
Foram palavras muito infelizes e despropositadas. No conteúdo e na forma.
Os que saíram em sua defesa − alguns dirigentes da cúpula directiva do PSD − destacaram o sarcasmo, a ironia com que as terá proferido.
Não foi isso que vi. Não foi dessa maneira que as ouvi.

A questão dos seis meses de suspensão da Democracia para pôr Portugal "na ordem" não faz qualquer sentido. Nem a brincar. Ofende o poder democrático da República, legitimado pelo voto popular. Mesmo que discordemos de todas ou algumas políticas. Mesmo que detestemos os tiques autoritários e a soberba e sobranceria de José Sócrates e de alguns dos seus ministros.

Percebo que o PS tenha respondido de imediato. Nem podia deixar de ser assim.
É a luta político-partidária em ebulição. No seu esplendor.
É a crise internacional e interna que importa ao PS “empalidecer” a todo o custo.
Estes “tiros nos pés” de MFL − recorrentes desde que se sentiu pressionada e impelida a falar mais − caem como “sopa no mel” para o Primeiro-Ministro, o seu Governo e o PS.

A resposta de Alberto Martins foi agressiva. Devastadora.
Exagerada para alguns. Não para mim.
Querer comparar uma postura firme mas teimosa deste Governo com um regime ditatorial não eleva nem enobrece quem o faz. Mesmo quando a governação parece assente − demasiadas vezes − em propostas mal fundamentadas e implementadas sem uma adequada preparação e conquista do terreno e dos protagonistas da mudança.
Que estranho conhecimento da História…
Que deplorável qualificação política…

Curiosamente, não foi a questão da “Democracia suspensa” que mais me surpreendeu nas declarações proferidas ontem por MFL.
O que mais estranho e valorizo é a ideia que transmitiu de que as reformas não podem realizadas sem questionar e afrontar os grupos e classes profissionais.
Este não é o PSD reformista, com que poucas vezes me identifiquei, mas a quem reconheço um papel fundamental na Democracia Portuguesa. Partido que, por exemplo, lutou − e bem − pela privatização da comunicação social, quando o PS pareceu enquistado em dogmas sem sentido.

Em política não conta apenas a substância. A difusão das políticas, das ideias, das propostas e das alternativas, tem de ser clara, sem segundas leituras, sem a necessidade quase permanente de se vir a posteriori explicar e esclarecer o que não se conseguiu dizer antes.
Não é uma tarefa fácil. Não está ao alcance de muitos.
A incapacidade comunicacional de MFL é assombrosa e inquestionável.
Mas a o que sinto é que MFL além da "falta de jeito" também não tem muita substância.
E isso é que é grave. Ou, pelo menos, problemático.
a
Depois das declarações de ontem que pode o país esperar de MFL?
Pouco. Muito pouco.
Daí que eu pense que chegou ao fim o curtíssimo, penoso e cinzento consulado da actual Presidente do PSD.
As espingardas voltam a ser contadas, os alinhamentos de grupos e personalidades devem estar a fervilhar.
Quem vem lá?
Pedro Passos Coelho?
Veremos…

terça-feira, novembro 18, 2008

A hora do Passos?

A sua hora parece estar a chegar.
Porventura mais depressa que o esperado.
Posso estar enganado.
Ou talvez não.

Meus e nossos

É curioso.
Não me dera conta disso, antes.
Todos os meus originais de pintura são de artistas Barreirenses.
Primeiro foi Kira.
Depois Mário Branco.
Mais tarde João Domingos.
Luís Ferreira da Luz, o último.
Um abraço para todos.

Uma certidão de óbito


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Guantanamo vai fechar.
É um bom sinal. Para a América. Para o Mundo.
Mas o mais difícil virá depois.
O Iraque para começar.
Mas também a reformulação do liberalismo económico.
A defesa consequente da Liberdade e da Democracia.
A protecção ecológica do planeta.
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Em memória de Tim Buckley



"Song to the Siren" cover de This Mortal Coil

On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.

And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."
Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?

Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."


A RADAR (FM 97.8) tem destacado o intemporal Tim Buckley na programação dos últimos dias.
Apeteceu-me escolher uma das suas maravilhosas composições, mas descobri no YouTube este cover pelos This Mortal Coil. Uma maravilha! Em memória de Buckley (pai).

segunda-feira, novembro 17, 2008

Memória Barreirense (XXIII)


a
A sombra de Bela Guttmann?

O FCB participou pela primeira vez na Liga Profissional de Basquetebol na época de 2000/2001. No final da década de 90 o clube já dispusera do direito desportivo de ascender à prova máxima do basquetebol português, segundo o figurino implementado na temporada de 1995/1996 pela Liga de Clubes de Basquetebol. Mas apenas em 2000, pela acção enérgica do FCB e a colaboração fundamental da Câmara Municipal do Barreiro (presidida por Pedro Canário), foram criadas as condições para o histórico clube da margem Sul ombrear de novo com os grandes do basquetebol nacional.
Estive presente, desde então, nessa e nas edições seguintes da prova, em grande parte dos jogos realizados no Barreiro ou fora de portas.
A 14 de Outubro de 2000, na quarta jornada da primeira fase da Liga TMN, o FCB deslocou-se ao Norte para defrontar o FC Porto no Pavilhão Rosa Mota. Com Laverne Evans, Eric Clark, Leo Gorauskas e Tyrone Brown em grande plano, o FCB surpreendeu todos os presentes e arrecadou uma importante e moralizadora vitória. Incrédulos, alguns dos adeptos portistas invectivaram a partir de certa altura os atletas ‘azuis e brancos’. Numa reposição de bola pela linha lateral, o base Rui Santos chegou mesmo a soltar o desabafo “parece que estamos a jogar em Lisboa, carago”. Acompanhado pelo Ricardo e pelo meu grande amigo José Manuel Sousa, então a residir em Leça da Palmeira, fui ficando progressivamente convicto da vitória e a cerca de três minutos do final, desci dois ou três degraus e aí permaneci sozinho, sofrendo solitariamente aqueles demorados e quase infindáveis instantes derradeiros.
Em tarde de muita chuva na Invicta, foi uma grande vitória do nosso FCB, sobre um FC Porto poderoso mas que nessa tarde foi impotente para nos superar. Na bancada, próximo de mim, um adepto portista, reagindo à alegria da nossa comitiva gritou “nunca mais cá ganham”. Premonição à Bela Guttmann? [Treinador do Benfica que, quando da saída litigiosa do clube, afirmou que o Benfica não voltaria a ser campeão europeu]. A verdade é que nas sete edições posteriores da competição, não voltámos a repetir tamanha proeza…
Junto à vedação, encharcado em suor e do alto dos seus mais de dois metros, o angolano Domingos Tito, abraçou-me com mútua emoção. Mais acima, Luís Mestre, acompanhado por um amigo, acenou-me primeiro e dirigiu-se para junto de mim logo depois, felicíssimo pela vitória. A sua morte, ocorrida em 2007, deixou-nos tristes e mais pobres.
A 12 de Fevereiro de 2007, dediquei-lhe, em Rostos, palavras amigas e sentidas:
a
Um dia depois…
Razões profissionais impediram-me de acompanhar ontem o meu amigo Luís Mestre à sua última morada.
Acabo de visitá-lo. Coberto por uma imensidão de flores ainda viçosas e coloridas, molhadas pelas gotas desta manhã chuvosa de 12 de Fevereiro.
Com muita pena e grande mágoa, vejo desaparecer alguém que fez muito pelo Futebol Clube Barreirense, nosso clube de sempre. Luís Mestre foi, anos a fio, um intrépido, competente e incansável Director do futebol de formação. Com João Paulo Prates e outros companheiros, o Barreirense, em condições materiais muito precárias – e que ainda hoje persistem imutáveis –, deu um salto qualitativo notável nesse estratégico sector de actividade do clube. Simples no trato, forte no carácter, distante de vaidades, desinteressado da ribalta, Luís Mestre foi exemplar no empenhamento dedicado á causa do futebol juvenil.
Em 2000, numa tarde de sábado muito chuvosa, Luís Mestre esteve comigo no Pavilhão Rosa Mota, com o meu Ricardo e com o meu grande amigo José Manuel Sousa (então residente em Leça da Palmeira) numa vitória fantástica do Barreirense sobre o FC Porto, em basquetebol, perante uma plateia incrédula com a prestação e a superioridade da nossa equipa. No final, abraçámo-nos, imensamente felizes. Jamais esquecerei esse dia…
Há dois anos, na tarde da nossa subida à Divisão de Honra, vi o Luís Mestre nos balneários do ‘Manuel de Mello’, emocionado, lacrimejaste, encharcado pelo banho com que fora presenteado. O nosso último encontro ocorreu numa noite de domingo, há cerca de quatro meses, num restaurante local. Acompanhado pelo seu (meu) grande amigo João Paulo Prates, Luís Mestre, mostrou-se mais uma vez preocupado pela situação presente do Barreirense e disponível para a reflexão que eu propusera em texto publicado dias antes no Jornal do Barreiro e que lera com respeitosa e interessada atenção.
Luís Mestre foi assim…
Um Barreirense dos sete costados! Um Barreirense a sério!
Luís Mestre foi consequente…
Por um Barreirense sem Reis nem Senhores! Por um Barreirense uno e indivisível!
Partiu cedo… Estupidamente cedo! Injustamente cedo!
Recebe um abraço eterno deste teu amigo,
Paulo Calhau
a
a
Jogo perfeito

Nessa temporada de 2000/2001, Eric Clark, extremo-poste norte-americano de 25 anos e 2.05m, proveniente dos Piratas da Colômbia, foi um exemplo de competência, disciplina e regularidade. Totalista nos 26 jogos (médias de 37 minutos, 17.3 pontos e 8.5 ressaltos) foi o 6º classificado no ranking MVP [Most Valuable Player].
Na antepenúltima jornada, o FCB ganhou (83-82) no Pavilhão Luís de Carvalho ao Benfica (orientado por Mário Gomes). Mas a derrota na Madeira frente ao CAB (107-81) na jornada seguinte veio complicar as contas, podendo a nossa equipa ficar após a última jornada em posição de despromoção. Tal não veio felizmente a suceder. O FCB recebeu e venceu (96-85) a fortíssima equipa da Ovarense, comandada por Jorge Araújo, com seis estrangeiros de boa qualidade (Kris Hill, Thomas Adams, David Berbois, Joffre Leal, Jovan Manovic e Mate Milisa).
Eric Clark fez um jogo perfeito, nesse final de tarde de 31 de Março de 2001. Em 37 minutos e 33 segundos de presença em campo, fez 28 pontos com 100% de lançamentos certeiros (10/10 de dois pontos, 8/8 de lances livres), 100% de contra-ataques (2/2), nenhum turnover, 4 ressaltos, 2 smash, 3 desarmes de lançamento e 1 assistência. Simplesmente fabuloso!
Nervoso pelo desenrolar da partida, com a manutenção na Liga em jogo, não me apercebi da dimensão da excelência da prestação de Eric Clark. Apenas no final, consultada a estatística oficial, me deslumbrei com aqueles números, raros e brilhantes. Infelizmente, não foi possível manter o contributo desse distinto atleta. Eric Clark deixou mesmo a modalidade na época seguinte, ao optar por outra carreira profissional no seu país natal.


[Excerto do Capítulo III - Viagens na minha terra
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)

Sempre em festa


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Esteve bem Manuela Ferreira Leite ao evitar uma crítica pública - parece que o terá feito no inteior do PSD - às "baboseiras" de Alberto João Jardim a propósito da avaliação dos professores - no continente e na sua "Ilha das Bananas".
Já sabíamos que na Madeira tudo é classificável de "BOM". Os serviços de saúde. As estradas. Os professores. Não esquecendo o Carnaval - com os seus figurantes e foliões de ocasião e os que gostam de fazer de bobo o ano inteiro.
O problema - se é que existe aqui algum problema - é que com silêncios destes, o que fica da diferença, da seriedade e da credibilidade que Manuela Ferreira Leite tanto apregoa?
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domingo, novembro 16, 2008

Rigor e transparência


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A Comissão Pró Pavilhão do Futebol Clube Barreirense (FCB), doravante designada COMISSÃO, legitimada na Assembleia-Geral Extraordinária de 30 de Setembro, tem a noção precisa dos espinhos que encontrará para concretizar um grande objectivo dos Barreirenses – antigo e sucessivamente adiado – a construção de um Pavilhão Desportivo Polivalente.

O financiamento do Pavilhão será seguramente uma tarefa hercúlea, não isenta de enormes dificuldades e porventura de alguns revezes. Mas a verdade é que a História do FCB se construiu através de um estado permanente de superação e da transposição recorrente de obstáculos de maior ou menor dimensão.

Quando em 2004 um grupo de associados do FCB salvaguardou a continuidade da equipa sénior na Liga Profissional de Basquetebol estava curiosamente a lançar-se a “primeira pedra” do futuro Pavilhão.
A permanência de João “Betinho” Gomes no FCB e a contínua demonstração de qualidade que foi evidenciando chamaram a atenção do seu inegável valor para diversos “olheiros”. João “Betinho” Gomes esteve perto de ingressar na NBA – a melhor liga mundial – mas veio a transferir-se para Espanha na época passada, primeiro para o Cantábria (Santander) e depois para o Breogan (Lugo).
O FCB arrecadou então cerca de 175.000 euros – a transferência mais vultuosa de sempre de um basquetebolista português para o estrangeiro. Essa substancial verba foi desde logo canalizada para uma conta bancária destinada a financiar a construção do Pavilhão e aberta expressamente para esse efeito pelos responsáveis da Secção de Basquetebol e com a anuência do presidente de Direcção, Manuel Lopes.

A cativação daquela verba para um objectivo tão nobre é uma prova clara e inequívoca do sentido de responsabilidade dos dirigentes do FCB. Que a COMISSÃO pretende reproduzir. Que a COMISSÃO promete prosseguir.

Um segundo contributo financeiro para a construção do Pavilhão decorrerá da entrega pela Direcção do FCB à COMISSÃO de uma verba resultante da venda de parte do património do FCB, concretizada em 2005. O seu valor deverá acender a cerca de 1.250.000 euros.
A concretização deste afluxo monetário, em espaço temporalmente favorável, dependerá em parte, como é fácil de entender, da evolução da presente e gravosa conjuntura financeira do país, esperando-se ainda que a dinâmica criada pelo Fórum Barreiro e a projectada Ponte Barreiro-Chelas se constituam como importantes propulsores do desenvolvimento do Barreiro, e neste particular, na área do imobiliário e em particular na área do antigo Estádio D. Manuel de Mello, onde a COMISSÃO terá a propriedade de 621m2 de obra edificada ou ao seu equivalente em dinheiro.

Significa isto que a COMISSÃO conta desde já com uma projecção inicial de cerca de 1.425.000 euros de capital próprio. O que representa um valor significativo. E um bom ponto de partida.

Por outro lado, é propósito da COMISSÃO concretizar uma candidatura ao QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional). O que implicará a elaboração de um dossier muito exigente, bem estruturado e melhor fundamentado. A COMISSÃO julga ter massa crítica capaz de assumir tão importante desafio. E conta, obviamente, com outros contributos externos.

A Câmara Municipal do Barreiro não poderá nem deverá ficar alheada deste processo. Será certamente parte da solução dos vários problemas que inevitavelmente atravessarão o nosso percurso.
Em Janeiro de 2007 publiquei o texto de opinião “A Autarquia e Nós” no Jornal do Barreiro, mais tarde inserido no livro PROVA DeVIDA, e de que julgo oportuno aqui reproduzir um excerto:
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"... Mas é igualmente necessário que todas, ou pelo menos as principais forças políticas, assumam uma posição clara e coerente a propósito dos objectivos e limites do apoio aos clubes desportivos do Barreiro. Pulverizar um bolo financeiro cada vez mais pequeno por uma miríade de clubes de dimensão, capacidade e eficácia muito distintas, pode ser a cada momento uma forma politicamente correcta de actuar. Mas a política, séria e responsável, impõe escolhas e opções, corajosas e nem sempre fáceis. Escolhas e opções que deverão decorrer de uma análise adequada dos projectos apresentados e de uma avaliação criteriosa da sua exequibilidade. E, nos casos seleccionados, com controlo e fiscalização exigentes da sua aplicação e concretização. Deverá ser assim. Será que foi sempre assim?
Pelo seu curriculum vitae o FCB tem feito jus aos apoios reivindicados e obtidos da autarquia. Os dirigentes e os associados aspiram naturalmente a mais e melhores contributos, sabendo obviamente reconhecer as dificuldades financeiras presentes e o mérito de alguns outros projectos desportivos. Com mais ou menos slogan – Barreiro Cidade Desportiva, Barreiro Cidade da Participação – impõe-se a celebração de Contratos-Programa justos, racionais e exigentes, entre a autarquia e o FCB, com observância absoluta dos requisitos contemplados na Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto (Artigo 47º).
O FCB é, sem margem para dúvidas, o clube mais representativo do Concelho e, nessa conformidade, assume uma legítima vontade de que os eleitos autárquicos correspondam de forma clara e consequente a direitos e deveres, consignados na Constituição da República. É esta argumentação que o clube deve esgrimir. É esta responsabilidade que a Câmara Municipal do Barreiro tem de assumir. Pelo Desporto e pelo Barreiro!"

Como expressei no texto publicado em Rostos no passado dia 9, é hoje impensável reproduzir todo o maravilhoso processo de participação dos associados Barreirenses que deram corpo e alma à construção do Ginásio-Sede. O que não significa – de forma alguma! – que os Barreirenses fiquem alheados, distantes, passivos, nesta fase inicial e, mais tarde, no momento da efectiva construção do Pavilhão.
A COMISSÃO constituiu-se porque, como sempre acontece nestas circunstâncias, “alguém tem de dar o primeiro passo” e “chegar-se à frente”.
Mas todas as ideias, todas as disponibilidades, todos os contributos – inclusivé financeiros – são e serão bem vindos… desde já.
A COMISSÃO julga conhecer o caminho a percorrer, mas também reconhece que não é a proprietária exclusiva do saber e da verdade. Quer ouvir, apreciar, dialogar, compreender para… melhor decidir.

Numa fase evolutiva mais avançada será importante atrair entidades privadas para este projecto. Deverão ser constituídas parcerias que dêem sustentabilidade económico-financeira ao futuro Pavilhão de Desportos Barreirense. Voltaremos certamente a falar deste aspecto dentro de alguns meses.

A pergunta é legítima:
- qual o orçamento previsto para o Pavilhão?
Mas a resposta é, todavia, ainda prematura.
Desde logo porque o terreno de implantação ainda não está definido. E esse pequeno/grande pormenor é decisivo para todo o projecto subsequente.
É por isso que essa tem sido – para além das questões organizativas internas preliminares e da definição de uma estratégia de comunicação e imagem – a vertente mais importante e prioritária da actividade da COMISSÃO.

Os associados e adeptos Barreirenses poderão estar confiantes e tranquilos.
A COMISSÃO tem actuado – e assim continuará a acontecer – com todo o entusiasmo, rigor e transparência.
Foi esse compromisso que assumimos em Assembleia-Geral, consubstanciado num Regulamento aprovado por expressiva maioria e num Manifesto que será divulgado proximamente.
Foi esse compromisso que assumimos alicerçado na vontade indómita de Servir o Desporto, o Barreirense e o Barreiro.
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[DESPORTO À PORTUGUESA, www.rostos.pt]

sábado, novembro 15, 2008

Quem vem aí?

Várias listas em confronto.
Disputa acesa pelo poder.
O primado dos interesses.
Os problemas para segundo plano.
Podia estar a falar do PS-Barreiro.
Mas não. Refiro-me ao PSF.
Que define hoje a nova liderança.
Que é que isto me interessa?
Alguma coisa. Não muito.
Mas gostava que fosse diferente.

Os Justiceiros

Imparciais. Justos. Rectos.
Implacáveis. Rígidos. Inflexíveis.
Íntegros. Rigorosos. Severos.

Podem ser isso tudo.

Há por aí para todos os gostos.
Uns mais credíveis e inteligentes.
Outros mais cobardes e indigentes.

Custe o que custar...


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The King´ Fung - organização britânica sedeada em Londres - promoveu na semana que agora se conclui mais uma auditoria ao Hospital Garcia de Orta (HGO), tendo em vista a sua Acreditação de Qualidade. E ontem, ao início da tarde, promoveu a divulgação pública das conclusões preliminares.
O primeiro comentário que retiro dessa audição é o de que muito há ainda por fazer neste processo - contínuo e complexo - de melhoria de padrões organizativos e funcionais numa instituição hospitalar com a importância e a dimensão do HGO. Necessidade que presumo ser extensiva à totalidade dos organismos que integram o Serviço Nacional de Saúde.
O segundo comentário prende-se com uma conclusão expressa no texto, que realça o facto de o Conselho de Administração e a Direcção Clínica, assoberbados pela pressão de variadíssimos problemas - muitos dos quais de discutível relevância - dedicarem uma menor atenção e concentração de energias e competências para a reflexão dos problemas a resolver e das estratégias a implementar.
Os aspectos parcelares relativos à auditoria efectuada em cada Serviço do HGO serão brevemente divulgados. Também o Serviço de Pediatria será contemplado e terá de imediato que reflectir sobre os progressos registados desde a avaliação inicial - já lá vão meia dúzia de anos - e as insuficiências que ainda persistem.
O respeito pelas conclusões dos auditores deverá ser total. Mas o caminho da mudança e da transformação terá de ser trilhado por todos os profissionais que, dia após dia, acreditam no serviço público e estão dispostos a lutar por ele. Com pensamento estratégico e lideranças claras.
Não colaborei – da forma que gostaria - no processo que precedeu a auditoria do Serviço de Pediatria. Como me desgosta não ter disponibilidade para desenvolver um papel mais interventivo na formação pré e pós-graduada que ali decorre. Como me desagrada não poder dedicar mais espaço à investigação clínica.
Enredado como estou - diariamente - na resolução de “ninharias”, pouco tempo e energia me sobram para as coisas outras. Com a profundidade e a importância que o meu estadio de crescimento e as minhas qualificações profissionais poderiam eventualmente justificar.
Assim… não dá!

Amor em exclusividade


John Lennon (Jealous guy 1971)

Memória Barreirense (XXII)


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Ciclone

Três anos depois assisti à mais copiosa derrota caseira do FCB.
Sábado, 23 de Setembro de 1990. Tarde cinzenta, ameaçadora de chuva, mas abafada. Marlon Alves, Skoda, Vado e demais Portimonenses destroçaram-nos com 9 (!) golos sem resposta. Jorge Martins, guarda-redes que chegou a representar o Benfica, teve a jornada mais inglória da sua valorosa carreira. Situado na bancada do topo sul, assisti incrédulo a uma invulgar goleada.
Ângelo Gomes, na sua crónica de 24 de Setembro de 1990 de A Bola titulou: “Ciclone do Algarve passou pelo Barreiro”. E realçou a diferença abissal de ritmo das duas equipas da seguinte forma: “Os barreirenses, para se dar uma ideia, pedalavam numa pasteleira enquanto os algarvios aceleravam num fórmula um”. O ritmo dos ‘algarvios’ foi estranho, como estranhos foram os arremessos, ao longo da partida, de dezenas e dezenas de pequenos sacos de água (?). Tiveram tanta sede aqueles rapazes…

Segundo a Wikipedia “a dopagem (em inglês, doping) é a utilização de substâncias proibidas no desporto, por promoverem o aumento ilícito do rendimento do atleta. Essas perigosas substâncias fazem com que os atletas tenham um melhor rendimento físico no desporto”.
Os resultados estatísticos do Conselho Nacional Anti-Dopagem (CNAD) referentes ao ano de 2006, confirmam uma estabilização da percentagem de amostras positivas verificada desde 1998, ano em que subira preocupantemente em relação aos valores anteriores. De um total de 3.479 amostras recolhidas apurou-se um valor de 1.5% de controlos positivos, assim distribuídos: Canabinóides 32%; Diuréticos 20%; Agentes Anabolizantes 13%; Estimulantes 11%; Beta-2 Agonistas 6%; Hormonas Peptídicas 2%; Glucocorticosteróides 2%.
Como refere o site da Confederação do Desporto de Portugal (
www.cdp.pt) “O papel dos médicos no desporto de alta competição é primordial. Inclusive na correcta utilização de medicamentos, para fins terapêuticos e para evitar controlos anti-doping positivos acidentais. O Conselho Nacional Antidopagem disponibiliza um manual de procedimentos para solicitação de autorização para utilização terapêutica de substâncias e métodos proibidos”. Aí estão acessíveis informações de primordial importância: o Decreto 4-A/2007, que incorpora a versão original e a tradução para português, efectuada pela Procuradoria-Geral da República, da convenção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e dos seus anexos, entre os quais o código da Agência Mundial Antidopagem; e a versão portuguesa da lista de substâncias e métodos proibidos para 2007, adoptada em Setembro de 2006 pela Agência Mundial Antidopagem, e que entrou em vigor em Portugal no primeiro dia de Janeiro de 2007.
A Campanha Desporto Saudável do Conselho Nacional AntiDopagem definiu como objectivos a “divulgação de informação relacionada com a Luta contra a Dopagem no Desporto, visando a prevenção de utilização de substâncias dopantes e, desse modo, contribuir para a preservação da saúde dos praticantes desportivos e para a preservação da verdade desportiva”. E escolheu como grupos alvo “jovens com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos; praticantes desportivos federados em geral; praticantes abrangidos pelo regime de Alta Competição; dirigentes, treinadores e médicos das Federações, Associações e Clubes Desportivos; médicos de Medicina Familiar nos Centros de Saúde; utentes dos ginásios de musculação”.
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O jogo mais curto

Pavilhão da Quimigal, 11 de Janeiro de 1992. Faltam trinta e um segundos para terminar a partida. O Estrelas das Avenidas vence o FCB. Cedric Glover, poste norte-americano atlético e poderoso, afunda e parte a tabela.
De acordo com os regulamentos, o FCB tem trinta minutos para proceder à substituição da tabela inutilizada. Não consegue. Os segundos em falta terão de ser disputados no campo do adversário até setenta e duas horas depois.
Os Barreirenses, com Pina, Murteira, Almeida, Carvalho, o norte-americano Chambers e uma dupla checa (Novak e Kovac), orientados tecnicamente por Manuel Cerqueira, um dos melhores bases que vi actuar em Portugal, ainda acreditaram na reviravolta. Disso me dei conta nas vésperas do mini-jogo, em conversa no Ginásio-Sede.
Nas Olaias, onde não estive, o sonho não se concretizou. Vencemos 3-2, mas… perdemos o jogo!
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Brigada com sede

Em Abril de 1999 o FCB visitou o Seixal, equipa praticamente condenada à descida de escalão.
Fomos algumas centenas, os que nos deslocámos à cidade ribeirinha, acalentando a esperança da subida à Divisão de Honra. Recebeu-nos uma chuvada torrencial, que a (quase) todos surpreendeu, incrédulos e indefesos perante tão impiedosa e traiçoeira bátega de água. Rapidamente, a intempérie virou uma tarde radiosa e as nossas roupas encharcadas e desconfortáveis, puderam acelerar o seu processo natural de secagem.
Com o sol, veio a sede. Os muitos Barreirenses presentes, nomeadamente a numerosa Brigada Relote, invadiram literalmente o bar do peão do Campo do Bravo. Os barris de cerveja foram bem desbastados. E os copos de plástico, obrigatórios pela legislação em curso, esgotaram. Parar de beber? Nem pensar! Serviram-se novas rodadas do fluido loiro reutilizando os copos de plástico. Nunca tinha visto tal coisa…
Esse foi o aspecto mais divertido da jornada. O jogo foi enfadonho e mal jogado. Ganhámos com dificuldade por 2-1. “Sofrer até ao fim” titulou o malogrado Joaquim Vieira no Jornal do Barreiro, edição de 21 de Maio. Os nossos adeptos foram, a despropósito e sem fair play, cantando jocosamente a descida à III Divisão da equipa visitada. Como estavam longe de sonhar que, oito anos depois, o mesmo destino viria desabar sobre as suas cores…
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Desilusão

30 de Maio de 1999. O FCB parte para a última jornada do Campeonato Nacional da II Divisão - Zona Sul com a legítima esperança de ascender à Divisão de Honra. A vantagem de um e três pontos sobre o Imortal de Albufeira e o Portimonense, segundo e terceiro classificados respectivamente, permite sonhar com a tão almejada subida.
Uma visita à pequena vila madeirense da Camacha, para defrontar o clube local, constitui um excelente pretexto para que muitos Barreirenses antevejam uma viagem de sonho e um regresso feliz. Tranquila na tabela classificativa, a Associação Desportiva da Camacha, desfalcada de sete habituais titulares (por lesão ou castigo), não parece constituir adversário intransponível para um FCB ambicioso, confiante nas suas capacidades. Mas os Barreirenses desconfiavam que um eventual estímulo pecuniário proveniente do industrial de hotelaria Fernando Barata, Presidente do Imortal de Albufeira, provocasse um empenhamento suplementar dos camachenses.
Foi organizada uma excursão à Pérola do Atlântico, em condições financeiras particularmente interessantes. Entusiasmado com a ideia, desloquei-me ao Departamento de Marketing onde, in extremis, consegui a reserva de três lugares. E parti na manhã de 29 de Maio, na companhia do meu pai e do meu filho, plenamente esperançado em viver mais um momento alto, de alegria e fervor clubista. Uma atmosfera de grande confiança e optimismo percorreu toda a comitiva. Foram cerca de duzentos os que aproveitaram essa oportunidade para acompanhar o FCB em jornada tão decisiva. Alguns, não vieram a comparecer ao jogo, antes esgotando a presença em terras insulares para fins exclusivamente turísticos. À chegada à Madeira, organizaram-se pequenos grupos, que ocuparam o tempo deambulando sobretudo na cidade do Funchal ou, como foi o nosso caso, percorreram parte significativa de uma ilha que não conhecíamos. Foi uma jornada muito agradável, com a revelação algo surpreendente de lugares de inegável beleza e a constatação de uma ilha em evidente processo de desenvolvimento.
Mais de vinte e quatro horas depois, era então chegado, para quase todos, o grande momento. Numa tarde solarenga e quente, confluímos para a vila da Camacha, com cachecóis, bandeiras, camisolas e outros adereços. Junto aos balneários encontrei o meu grande amigo Luís Vasques, treinador da equipa de juniores e também scouter dos seniores. Era indisfarçável um misto de ansiedade e de optimismo. O início do prélio parecia nunca mais chegar…
O relvado estava bem cuidado, mas em volta, bancadas rudimentares e de distribuição anacrónica, eram esclarecedoras da modéstia do clube visitado. A imensa falange Barreirense acumulou-se sobretudo numa pequena bancada localizada numa das laterais.
De forma para mim ainda hoje inexplicável, num jogo para o qual só a vitória previsivelmente interessaria, o FCB, orientado tecnicamente por José Rachão, apresentou-se desde o início temeroso, lento, falho de ambição. Apenas no terço final da segunda parte e, quando a Camacha estava reduzida a dez elementos, os nossos atletas receberam ‘ordem de soltura’ e partiram, tardiamente, para a busca incessante de um golo, que veio a ocorrer já em tempo de descontos, mas justificadamente invalidado pelo juiz Licínio Santos. Nervoso, inquieto e progressivamente desmoralizado pelo decorrer dos acontecimentos, assisti aos últimos dez-quinze minutos do jogo em locais diversos do recinto. Nos momentos derradeiros posicionei-me atrás da baliza, onde o avançado Dieb, ao tocar desnecessariamente no esférico, em posição de offside inviabilizou a nossa vitória. Próximo de mim, extremamente ansiosa, a esposa de José Rachão era alvo de insultos, impropérios e graçolas. Com o apito final, consumado o empate a zero, e a vitória do Imortal sobre o Machico por 4-3, foi o desânimo e a desolação nas hostes Barreirenses. Não esqueço as lágrimas que espreitaram os meus olhos e a face de alguns dos meus companheiros. Do interior do balneário era perceptível a raiva incontida dos atletas e a culpabilização, injusta, do árbitro de Leiria. Afinal, a grande culpada do insucesso fora a táctica e a estratégia utilizadas – jogo pausado, retraído e displicente – que a nossa equipa exibiu em grande parte do desafio.
No dia seguinte, em A Bola, J. Roquelino fez o resumo fiel do jogo: “Depois de 80 minutos de contenção, os pupilos de Rachão deram o tudo por tudo. Resultado injusto num jogo em que o árbitro anulou um golo aos visitantes, num lance que motivou imenso sururu”.
Fora o jogo da oportunidade perdida…
E no regresso ao continente, a viagem foi penosa e triste!
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[Excerto do Capítulo III - Viagens na minha terra
Livro PROVA DeVIDA - Estórias e memórias do meu Barreirense]
(continua)